Segunda-feira, Fevereiro 08, 2010

Pastor brasileiro leva mensagem de negação religiosa à Índia
Por Eduardo Oliveira
http://www.oglobo.com/
Link: http://oglobo.globo.com/blogs/brasilcomz/

Fonte: http://oglobo.globo.com/blogs/brasilcomz/posts/2010/02/01/pastor-brasileiro-leva-mensagem-de-negacao-religiosa-india-262269.asp

Como um dos diretores do Brazilian Ministers Network, uma congregação religiosa de Boston, Josimar Salum é conhecido como pastor de opiniões fortes – e conversa sobre tudo, de política até briga de casais.

Josimar Salum junto indianos


Mas esse mês Salum começou pela Índia uma viagem missionária que deve passar pelo Brasil e Aruba, que tem uma curiosidade: a missão é espalhar a palvra de Jesus enquanto pede aos fiéis para serem menos religiosos.


"Nosso objetivo é levar a mensagem de Jesus, o Único Deus, e de ensinar aos seus líderes nestes países a fazerem discípulos de todas as nações. E a deixarem de ser religiosos. A mensagem é que todos se arrependam porque Seu Reino chegou à Terra para ficar," disse ele.

O blogueiro entrevistou Josimar Salum pela rede.

Entre uma visita a um vilarejo e uma parada para admirar a espiritualidade do país de Mahatma Gandhi, o pastor falou de fé, terrorismo, ser brasileiro, e da "balela" que algumas religiões, inclusive a evangélica, espalham.

Eduardo: Qual foi o detalhe mais interessante que você encontrou na viagem?

Josimar: Aqui na Índia como em todos os lugares as pessoas estão empanturradas de religião.

Religião é o maior problema da Terra. O maior gerador de guerras, conflitos e desentendimentos. Do hinduísmo passando pelo islamismo e por todas as religiões, até ao cristianismo, tudo é um esforço miserável e dispendioso para se fazer às pazes com os deuses.

Sem o conhecimento do verdadeiro Deus nada satisfaz o coração do homem.

Como Jesus não fundou nenhuma religião, nem o cristianismo, o cristianismo não pode satisfazer ninguém.

Encontrei na Índia o mesmo sistema religioso de outros países, seja ele hindu ou cristão.

As pessoas precisam encontrar a liberdade que é amar e servir a Jesus Cristo e por conseguinte seu próximo.

A morte e ressurreição de Jesus anunciam que além de Jesus estar vivo e muito bem, Ele deseja relacionar-se com o homem em todo o lugar.


Eduardo - Existe alguma ligação entre a história mundial atual e a sua missão? Falo de terrorismo e globalização?

Salum - Na cruz de Jesus (não nesta cruz monumento que as pessoas carregam), mas na cruz onde Ele morreu, Jesus fez a paz entre os homens e Deus e reconciliou os homens de todas as raças e religiões.

Ele chama a todos eles para que se reconciliem uns com os outros.

A história mundial está coberta de exemplos mostrando que onde a religião avançou, inclusive a cristã com as Cruzadas e a Inquisição, por exemplos, injustiças e terrorismos foram feitos em nome de "Deus", quero dizer, em nome de uma caricatura de Deus, como as bombas que mulçumanos radicais explodem em todo o mundo em nome de alá.

Onde o relacionamento verdadeiro com Jesus predominou, a Paz, o Progresso, a melhoria de vida, a Justiça Social avançaram sem medida. Por exemplo, as maiores descobertas científicas do século passado foram financiadas por discípulos de Jesus.

A globalização é um movimento pararelo para imitar o que o Senhor está fazendo em toda a terra. Ele está formando um só Rebanho e haverá um só Pastor.

No Reino de Jesus não tem escravos. Somente reis. Ele é o Rei dos reis. Seu Reino que foi perdido no Jardim do Éden com o pecado do primeiro casal retornou a Terra a dois mil anos atrás com a Sua Vinda.

A globalização que a Bíblia anuncia é que Ele dominará todos os reinos deste mundo ao ponto de todos estes reinos se tornarem um só Reino, o Reino de Deus e de Seu Messias Jesus Cristo.


Eduardo - Você acredita que ser brasileiro traz uma visão mais interessante, ou mais espiritualizada, sobre tudo o que você tem visto?

Salum - Acredito que sim na medida que compartilhamos nossas experiências frutos da diversidade e da convivência pacífica que trazemos do Brasil.

Acredito, por outro lado, que nossa religiosidade impede que tenhamos a visão correta do ponto de vista das reais necessidades do ser humano.

A religião sempre convive terrivelmente com a miséria.

Onde tem muita religião tem ignorância, cegueira, fanatismo e muita pobreza.

Quando existe riqueza nestes ambientes ela é compartilhada somente pelos líderes que oprimem e exploram seus seguidores. É uma elite gorda que subjuga e explora o restante desde o pastor mercenário que vende toalhinha ungida, o sadu propriétário de todo comércio e das casas da região, do bispo propriétario da fábrica de santinhos, do aiatolá dono dos poços de petróleo, etc.

Você vê gente aqui na Índia tomando banho em águas de esgoto de todas as classes sociais para se purificarem. Você vê artistas famosos e gente letrada viajando do mundo inteiro para fazer a mesma coisa.

Em um jornal local de Calcutá li e vi uma foto de uma modelo brasileira que tomou um destes "banhos" e o que ela pode relatar foi somente que "um monte de energia junta entrou dentro dela."

Um ser humano que experimenta uma energia que não sabe nem definí-la perdeu sua individualidade e genuinidade, que o Criador lhe concedeu.

Esta moça é especial, criada por um Deus pessoal, única em todas as épocas, alguém que tem e só ela as únicas impressões digitais diferentes de ninguém que existiu ou existirá depois dela.

Ela, como todos nós, precisa conhecer e experimentar o relacionamento com Jesus e Seu Espírito, relacionamento pessoal e não com uma força cósmica ou imaginária.

Jesus não é uma força, nem uma energia, mas uma Pessoa que interage com gente que pensa e pensa bem.


Eduardo - Para quem não é evangélico, mas tem o seu lado espiritual, qual elemento você tem visto que tem faltado na vida das pessoas?

Salum - Eduardo, estou cansado de religião, da evangélica inclusive. E de "balela".

Falta na vida das pessoas verdadeira Paz, não paz de conversa, mas da verdadeira Paz que só tem quem aceitou a Paz que Jesus fez entre o homem e Deus na cruz do calvário.

As pessoas se sentem condenadas, seja pela consciência, seja pelos parâmetros sociais, seja pelos seus pecados, seja pela sua família, e por aí vai...

Jesus não veio trazer condenação a ninguém. Pelo contrário Ele veio livrar o homem do pecado e da culpa dele. Ele trouxe o perdão para aqueles que arrependidos confiam no que Sua morte e ressurreição representam.

Tem gente que vive fazendo boas obras e caridade para tentar receber a salvação.

Tem gente que depois que recebe a salvação (como muitos evangélicos) ou acha que recebeu passa fazer um monte de coisas ou observar um monte de leis e preceitos para tentar mantê-la. Não. Jesus fez na cruz uma obra total e perfeita.

O que tem faltado na vida das pessoas, sejam evangélicas ou não, é JESUS.

Sexta-feira, Fevereiro 05, 2010

Lembranças de Cisneiros

O cisneirense nunca esquece o lugar onde nasceu ou morou. Sempre recebo e-mails de pessoas que tomam conhecimento do blog e ficam felizes de relembrar a infância ou terra dos pais e avós. Dias atrás recebi o e-mail com este depoimento de Luzia Meira:

"Meu nome é Luzia, nasci em Recreio em julho de 1945. Meu pai era natural de Palma e minha mãe de Recreio. Mudamos para Cisneiros no ano de 1946. Fomos morar no lugar chamado Aliança. Nesta foto está minha família, meu pai Antônio Joaquim da Silva, apelido Sinhô, minha mãe Rosa Meira da Silva, meus irmãos José, Antônio, Rubens, Paulo, Tarcisio, Sebastião, Fátima e Graça e minha cunhada Zulmira. Esse lugar fica um pouco distante de Cisneiros. Na frente da casa onde morávamos tinha uma olaria grande onde meu pai, meu avô e meus irmãos mais velhos trabalhavam. Um pouco mais para frente nossos vizinhos mais próximos - a fazenda do Sr. José Lima e a esposa Dona Jota, que mais tarde tornaram-se compadres de meus pais. Sua filha Maria José, minha amiga de infância, a qual brincávamos muito".

Primeira comunhão

Família na Rua Niterói


Rubens(Bibinho), Paulo, Tarcísio, Antônio, José e Luzia (da esquerda para direita).


A família e alguns amigos



Luzia e as primas e amiga Vera Lúcia Gonçalves - na ponte de ferro por volta de 1963.


Sebastião, Fátima, Graça e Luzia em 2003

Na ponte de Itapiruçú - 2003

Domingo, Julho 05, 2009

Conceição da Boa Vista

Embora este blog seja dedicado a história de Palma, hoje vou contar um pouco das lendas e histórias sobre este distrito pertencente a Recreio.

No lugar onde hoje está a sede do distrito de Conceição vivia uma tribo de índios. Contam que Antonio Bernardes da Rocha comprou um pedaço de terra dos índios pagando com uma junta de bois e uma mula brava. O lugar inicialmente teve o nome de Arraial das Taquaras.

Um dos primeiros grandes proprietários de terras, Francisco Antonio dos Santos, depois um dos doadores do patrimônio com três alqueires; Laureano de Carvalho e um tal de Ferreira com um alqueire cada. Anos depois Antonio Bernardes da Rocha doou cinco alqueires.

O primeiro padre de Conceição foi Frei Bento e o segundo Padre João. Padre João era negro e com ele aconteceu o seguinte incidente: ele foi celebrar uma missa na antiga capela e, Antonio Bernardes da Rocha e Antonio J. Tavarergenrodo assisistiam com camisa de manga e, na época considerado um desrespeito. Ao final da missa, o padre João chamou a atenção dos dois dizendo que fossem para ver o Imperador ou o Governador da Província eles colocariam a melhor, no entanto para visitar Deus, vinham de camisa de manga. Antonio Bernardes da Rocha ficou furioso e incitou o povo em voz alta a surrar aquele negro pois este era muito atrevido. O padre João ficou muito aborrecido com o acontecido e resolveu ir embora. Contam que ao sair do povoado limpou a poeira das botas e disse que o povoado não iria adiante. Pela crendice popular isto foi um dos motivos porque Conceição apesar de ser mais antigo que Recreio nunca chegou a tornar cidade.

A matriz fundada em 1861 com uma obra em madeira, com altar-môr coberto de cúpula sustentada por quatro colunas. O batistério tinha um interessante trabalho de madeira.

A igreja passou por reformas em 1924 coordenada pelo padre José Alves Bernardes e outra em 1930 pelo padre Vito Guido.

A primeira escola foi fundada em 1872 por Antonio Maximiliano; a segunda em 1929; a terceira em 1930.

A primeira padaria foi de Silvestre Melido e o primeiro médico a atender, o Dr. Smith.

O primeiro automóvel que circulou em suas ruas no ano de 1919 e a luz elétrica inaugurada no dia 19 de março de 1927.

O distrito teve dois bispos famosos: Dom Prudêncio Gomes da Silva, bispo de Goiás e Dom José Maria Parreira Lara, bispo de Santos.

Em 1870 quando os engenheiros trabalhavam no trecho de Porto Novo a Cataguases projetavam passar por Conceição, mas foram impedidos pelos proprietários da fazenda São Mateus, o que levou os fazendeiros Francisco Ferreira Brito Neto e Inácio Ferreira Brito, proprietários da fazenda Laranjeiras a oferecer a passagem por suas terras. O terreno estava em condições técnicas, o traçado foi alterado e em 1874 inaugurada a estação de Recreio.

Quinta-feira, Julho 02, 2009

Ciro de Carvalho

O romance-histórico "O Coronel-O Poder Falível de um Semideus" de Rita Amélia Serrão Piccinini em segunda edição saiu em 2001 pela Litteris Editora do Rio de Janeiro. A primeira em 1998 com o título de "O Coronel e o Grupo de Justiceiros" onde a autora mesmo observa no prefácio, os nomes de todos foram praticamente trocados.

O personagem principal Ciro de Carvalho é Firmo de Araújo Pereira e tudo gira em torno dele. A autora pesquisou, entrevistou muitas pessoas, durante vários anos e guardou os manuscritos só transformando em livro em 1998.

A edição de 2001 foi revisada e alguns tem o nome real. O livro tem 520 páginas, mas de fácil leitura.

Rita Amélia Serrão Piccinini é membro da Academia Paduana de Letras, Artes e Ciências e lecionou em várias cidades por muitos anos.

Vale a pena a leitura para conhecer um pouco mais este riquíssimo personagem que foi o Coronel Firmo de Araújo.

Quinta-feira, Junho 25, 2009

A família Freitas

A família Freitas está entre as mais tradicionais de Palma e estão desde o início da fundação quando ainda era a Vila do Capivara e sempre participaram ativamente da política do município.


Firmo de Araújo Pereira, data provável da foto 1910


Jeremias de Araújo Pereira - atuou como secretário do Coronel Firmo de Araújo Pereira e eram parentes. A data da foto provavelmente nos anos 20

Ernestina de Araújo Freitas, filha de Jeremias de Araújo Pereira

José de Freitas com a família no Rio de Janeiro, 1980.

Agradeço a Eliane Maria Soares que muito gentilmente nos enviou as fotos. Ela é filha de José de Freitas, irmão de Waldir de Freitas e os dois apaixonados pela história de Palma. Eliane contou que seu pai antes de falecer escrevia um livro sobre Palma. Deixou um manuscrito com mais de 100 páginas. Torcemos que isto seja publicado o mais breve possível.

Terça-feira, Junho 23, 2009

Entrevista com o prefeito de Palma


O prefeito Beto e o vice Zé do Binuca

Carlos Roberto Alvim de Paula, mais conhecido por Beto foi eleito prefeito de Palma em outubro de 2008 com 2290 votos. Assumiu a prefeitura em janeiro tendo a frente enormes desafios e, nesta entrevista que concedeu ao blog fala do trabalho que vem realizando e os projetos para o futuro.

1-Prefeito com seis meses de governo qual a sua avaliação sobre a situação de Palma?
A avaliação que faço sobre a situação de Palma nestes últimos seis meses de trabalho é a seguinte: Palma é uma cidade pequena,mas com dificuldades talvez maiores que de uma cidade de porte maior, tendo uma arrecadação pequena e com muito trabalho a ser feito em todos os setores como saúde, educação, social, agricultura, construção de estradas e pontes, cultura, esporte e turismo, mas com a ajuda de Deus e de todos que confiam em mim, aqui vim para implantar uma política nova para o nosso povo.

2-As necessidades são grandes mas todos sabemos que antes e com esta crise a verba dos municípios é curta, é possível administrar com poucos recursos?
Como disse, as necessidades são muitas em todos os setores e diante desta crise que assola os municípios, temos que ter muita cautela procurando aplicar o dinheiro público, buscando recursos extra-orçamentários(convênios)para melhor atender aos anseios de nosso povo.

3-Palma já teve grandes líderes no passado. Em qual deles se inspirou para entrar na política?
Não foi inspiração, aceitei este desafio procurando me espelhar em um ex-prefeito e saudoso amigo Mário Celso Freitas Pinto que faleceu faltando 16 meses para terminar o seu mandato,não permitindo assim que concluísse todos os seus sonhos e projetos para nossa cidade.



4-Na campanha para prefeito qual foi o momento mais difícil?


Todos os momentos são muito difíceis em uma campanha eleitoral, mas ao assumir este compromisso,coloquei Deus à minha frente para que me mostrasse os caminhos corretos,e procurei respeitar a todos os adversários e principalmente a cada eleitor,e com isto chegamos onde estamos.



5-Em sua administração qual área terá prioridade: saúde ou educação?
A prioridade em que hoje estamos focados para atender as nossas comunidades é a área da saúde, porque se tivermos um bom tratamento neste setor,principalmente para os mais carentes,com certeza teremos também uma boa educação.


6-O governo do estado tem ajudado Palma?
Deus está me proporcionando conhecimentos e amizades muito importantes para a nossa cidade,colocando em nossos caminhos o Secretário de Governo de Minas Gerais Dr. Danilo de Castro, homem que já o admirava e hoje o admiro muito mais, pela pessoa amiga, sincera, positiva e que muito tem feito pela nossa cidade e continuará fazendo. Disto tenho certeza, porque acompanho e vejo o seu carinho e respeito pelo povo da Zona da Mata Mineira. Assim como também,desde os primeiros contatos que tive com o seu filho Dr. Rodrigo de Castro - deputado federal mais votado no estado de Minas Gerais -pude perceber também o seu carinho e interesse em nos ajudar.
Também temos o nosso deputado estadual e amigo Lafayette de Andrada, que durante a campanha eleitoral demonstrou um carinho e um grande interesse em ajudar o nosso povo.
E assim segue a vida:"De uma boa árvore só se colhem bons frutos."


7-E no seu mandato quais são as obras que serão tocadas?
Com o brilhante trabalho de nosso governador Aécio Neves,e com a ajuda do Secretário de Governo Dr. Danilo de Castro,do Deputado Federal Dr. Rodrigo de Castro e do Deputado Estadual Lafayette de Andrada,já nos próximos meses estaremos iniciando obras na área da saúde,como construção da Farmácia de Minas,UBS na comunidade Parque das Palmeiras,pontes nos distritos e zonas rurais,educação,transporte escolar e ,em breve, projeto de casas populares.

8-Qual a mensagem do prefeito de Palma para todos os palmenses espalhados pelo mundo? Mando uma mensagem de carinho e muito respeito a todos os palmenses, hoje morando em várias cidades do Brasil e exterior.Aqui estaremos sempre para recebê-los porque como diz o verdadeiro ditado mineiro:"O bom filho à sua casa retorna!"Um grande abraço a todos e que Deus esteja sempre presente em suas vidas!

Desejamos ao Beto muito sucesso nesta empreitada e agradecemos a atenção dispensada em conceder esta entrevista ao blog.

Agradeço a Daniel Hungria a colaboração para a realização desta entrevista.

O Miúdinho

De repente me vem a mente uma boa lembrança de quando criança lá em Cisneiros, infância pobre, mas feliz e repleta de sonhos. Sentia saudades sem saber o por que, afinal eu com 7,8 anos sentir saudades? Talvez seria desejos e vontades e ia vivenciando as partidas e chegadas dos trens da REDE FERROVIÁRIA FEDERAL. Meu pai trabalhva na estação e a vida seguia com muita luta e honestidade.

Comecei a estudar no Grupo Escolar São José bem na rua debaixo da linha do trem. Nós moravámos numa casa simples, fria, com janelas grandes, quartos enormes e com cercas de bambú - onde meu pai gostava de ter galinhas, patos, gansos que acabavam na panela e servia como sustento a mim e aos outros irmãos - que alugavam aos ferroviários e já descontavam no salários deles.

Ali comecei a aprender o ABC e já batia a minha bolinha. Sempre gostei de futebol e às vezes os tricolores, botafoguenses e vascaínos persuadiam para que eu torcesse para estes times. Até que tive e ainda tenho simpatias por estes clubes do Rio de Janeiro, capital mais próxima que Belo Horizonte, de onde vivíamos.

Havia uma família com melhor poder aquisitivo que os outros e acabei por conhecer o Marcial. Um garoto esperto,inteligente e já também meio culto, afinal seus pais eram pessoas com mais recursos, embora o pai também fosse ferroviário, mas era o chefe e havia sido transferido para comandar a estação de Cisneiros.Havia estudado no Rio de Janeiro em bons colégios e preparado para a função. Um pessoal muito calmo e gentis mas o Marcial, acabei o apelidando de Miúdinho, pois era pequeninho, com sardas nos rosto, meio gordinho e o dono da bola. Literalmente o dono da bola, pois os tios vinham visitá-lo e trazia PELOTAS de couro como presente.

Foi a primeira vez que vi uma bola, num Natal que eu e minha irmã inventamos de colocar o sapatinho velho e furado na janela, pois esperavámos fielmente que o Papai Noel passasse e traria presentes, afinal as crianças quase todas ganhavam presentes e nosso pai só nos dava goiabada e queijo em nosso Aniversário e Natal!!!

Passou a noite e no outro dia, só decepção! Lembro-me que minha irmã chorava copiosamente, pois a boneca que sonhava não estava no sapatinho; saí prá rua em frente de casa prá ver os velocipedes, bicicletas e brinquedos que os outros ganhavam.

De repente uma turma de meninos se formou e fomos bater bola em frente de casa, na rua onde fazíamos de nosso campinho, nossa diversão diária ingênua e amistosa.

Ao terminar a peladinha, o MIÚDO - (termo que os Portugueses trouxeram para o Brasil e muito usado naquela época ) me presenteou com a pelota. Fiquei radiante de felicidade, emocionado, senti-me importante, afinal o Marialvo, tio dele havia lhe dado outra novinha em folha e ele de bom coração e generoso deu-me o primeiro presente de minha vida. Talvez o segundo, pois o primeiro foi a minha vida.

Mas, horas depois, brincando com o meu irmão a bola caiu em frente a casa de um velho rabugento que não gostava de meu pai ou de minha família, pegou a pelota e furou. Rasgou e jogou na minha cara. Foi frustante e um golpe durissímo, afinal era a minha prenda de Natal, a única coisa que ganhara na vida.

Tive dias amargos e tristes, mas o MIÚDO me levava para frente da tua bela casa, a mais bonita de Cisneiros e ali perto da venda do Sr. Jamil Salum a gente divertia sob o olhar, ora da mãe, ora do pai dele. Foi um amiguinho bem especial que nunca mais o vi, mas não o esqueci. Recordo-o ainda menino daquele jeitinho especial dele.

Acabamos mudando para Manhuaçú, depois Coronel Fabriciano e até que vim para BH. Rodei mundo,mas sempre me vem em mente algumas especiais pessoas e que estão marcada no coração, no peito, na alma, na mente com toda ternura que alguém possa sentir.

A partir dali começei a entender o bem e o mal, aprendi a ser honesto com meus pais, com a influência de pessoas bondosas, simples e trabalhadoras.

Aprendi a torcer para o Atlético...mas aí é outra história que um dia revelo a voces.

Grande abraço e que essa lembrança e saudade do Marcial possa servir de estímulo a todos a aprenderem a recordar o passado e valorizar a amizade que jamais morre,quando se gosta de verdade.

Belo Horizonte, 19 de junho de 2009
Guto de Moura

Visitem o blog do Guto: guttogallo-atleticano.blogspot.com

Sexta-feira, Junho 12, 2009

Um Blue Caps em Cisneiros

Carlos Alberto da Costa Vieira, o Carlinhos, um dos componentes do famoso grupo Renato e seus Blue Caps nasceu no Rio de Janeiro em 1943 e morou em Cisneiros de 1953 até 1973. Filho do sargento Dalmiro que foi casado com Dica, filha do Sr. João Costa e Dona Antonia.

A música sempre foi uma paixão em sua vida. O início de sua carreira musical aconteceu no cinema dos Finamores. Naquela época existiam muitos bailes na roça e, Carlinhos lembra dos bons sanfoneiros Floriano Reif e João Fortunato.

A diversão da juventude eram os bailes, onde namorar era um missão difícil devido a vigilância cerrada dos pais e irmãos. E também os bailes de carnaval na máquina de arroz. E ficar andando pela linha trem.

Carlinhos conta que recebeu uma carta de seu primo Renato o convidando para passar o carnaval e formarem um bloco, todos fantasiados de Elvis Presley. Ali foi o início do grupo Renato e seus Blue Caps que mais tarde seria um enorme sucesso no Brasil e no exterior.

Naquele início de 1961 os shows eram poucos, então Carlinhos alternava períodos no Rio de Janeiro e outros em Cisneiros. Neste mesmo ano, o grupo foi batizado de Renato e seus Blue Caps por Carlos Imperial e em seguida veio o sucesso meteórico.


Carlinhos Blue Caps - 1967

Em 1969 ainda participando do grupo, gravou um disco solo. Continuou participando grupo, saindo definitivamente em 1972.


Carlinhos Blue Caps - De volta ao sucesso - 2000

Aproveitando a onda que foi a Jovem-Guarda no final dos anos 90, gravou um CD, "De volta ao sucesso".

Carlinhos Blue Caps continua na ativa, fazendo shows por todo o Brasil e tem um carinho especial por esta terra e, até mesmo se considera um cisneirense.