domingo, julho 05, 2009

Conceição da Boa Vista

Embora este blog seja dedicado a história de Palma, hoje vou contar um pouco das lendas e histórias sobre este distrito pertencente a Recreio.

No lugar onde hoje está a sede do distrito de Conceição vivia uma tribo de índios. Contam que Antonio Bernardes da Rocha comprou um pedaço de terra dos índios pagando com uma junta de bois e uma mula brava. O lugar inicialmente teve o nome de Arraial das Taquaras.

Um dos primeiros grandes proprietários de terras, Francisco Antonio dos Santos, depois um dos doadores do patrimônio com três alqueires; Laureano de Carvalho e um tal de Ferreira com um alqueire cada. Anos depois Antonio Bernardes da Rocha doou cinco alqueires.

O primeiro padre de Conceição foi Frei Bento e o segundo Padre João. Padre João era negro e com ele aconteceu o seguinte incidente: ele foi celebrar uma missa na antiga capela e, Antonio Bernardes da Rocha e Antonio J. Tavarergenrodo assisistiam com camisa de manga e, na época considerado um desrespeito. Ao final da missa, o padre João chamou a atenção dos dois dizendo que fossem para ver o Imperador ou o Governador da Província eles colocariam a melhor, no entanto para visitar Deus, vinham de camisa de manga. Antonio Bernardes da Rocha ficou furioso e incitou o povo em voz alta a surrar aquele negro pois este era muito atrevido. O padre João ficou muito aborrecido com o acontecido e resolveu ir embora. Contam que ao sair do povoado limpou a poeira das botas e disse que o povoado não iria adiante. Pela crendice popular isto foi um dos motivos porque Conceição apesar de ser mais antigo que Recreio nunca chegou a tornar cidade.

A matriz fundada em 1861 com uma obra em madeira, com altar-môr coberto de cúpula sustentada por quatro colunas. O batistério tinha um interessante trabalho de madeira.

A igreja passou por reformas em 1924 coordenada pelo padre José Alves Bernardes e outra em 1930 pelo padre Vito Guido.

A primeira escola foi fundada em 1872 por Antonio Maximiliano; a segunda em 1929; a terceira em 1930.

A primeira padaria foi de Silvestre Melido e o primeiro médico a atender, o Dr. Smith.

O primeiro automóvel que circulou em suas ruas no ano de 1919 e a luz elétrica inaugurada no dia 19 de março de 1927.

O distrito teve dois bispos famosos: Dom Prudêncio Gomes da Silva, bispo de Goiás e Dom José Maria Parreira Lara, bispo de Santos.

Em 1870 quando os engenheiros trabalhavam no trecho de Porto Novo a Cataguases projetavam passar por Conceição, mas foram impedidos pelos proprietários da fazenda São Mateus, o que levou os fazendeiros Francisco Ferreira Brito Neto e Inácio Ferreira Brito, proprietários da fazenda Laranjeiras a oferecer a passagem por suas terras. O terreno estava em condições técnicas, o traçado foi alterado e em 1874 inaugurada a estação de Recreio.

quinta-feira, julho 02, 2009

Ciro de Carvalho

O romance-histórico "O Coronel-O Poder Falível de um Semideus" de Rita Amélia Serrão Piccinini em segunda edição saiu em 2001 pela Litteris Editora do Rio de Janeiro. A primeira em 1998 com o título de "O Coronel e o Grupo de Justiceiros" onde a autora mesmo observa no prefácio, os nomes de todos foram praticamente trocados.

O personagem principal Ciro de Carvalho é Firmo de Araújo Pereira e tudo gira em torno dele. A autora pesquisou, entrevistou muitas pessoas, durante vários anos e guardou os manuscritos só transformando em livro em 1998.

A edição de 2001 foi revisada e alguns tem o nome real. O livro tem 520 páginas, mas de fácil leitura.

Rita Amélia Serrão Piccinini é membro da Academia Paduana de Letras, Artes e Ciências e lecionou em várias cidades por muitos anos.

Vale a pena a leitura para conhecer um pouco mais este riquíssimo personagem que foi o Coronel Firmo de Araújo.

quinta-feira, junho 25, 2009

A família Freitas

A família Freitas está entre as mais tradicionais de Palma e estão desde o início da fundação quando ainda era a Vila do Capivara e sempre participaram ativamente da política do município.


Firmo de Araújo Pereira, data provável da foto 1910


Jeremias de Araújo Pereira - atuou como secretário do Coronel Firmo de Araújo Pereira e eram parentes. A data da foto provavelmente nos anos 20

Ernestina de Araújo Freitas, filha de Jeremias de Araújo Pereira

José de Freitas com a família no Rio de Janeiro, 1980.

Agradeço a Eliane Maria Soares que muito gentilmente nos enviou as fotos. Ela é filha de José de Freitas, irmão de Waldir de Freitas e os dois apaixonados pela história de Palma. Eliane contou que seu pai antes de falecer escrevia um livro sobre Palma. Deixou um manuscrito com mais de 100 páginas. Torcemos que isto seja publicado o mais breve possível.

terça-feira, junho 23, 2009

Entrevista com o prefeito de Palma


O prefeito Beto e o vice Zé do Binuca

Carlos Roberto Alvim de Paula, mais conhecido por Beto foi eleito prefeito de Palma em outubro de 2008 com 2290 votos. Assumiu a prefeitura em janeiro tendo a frente enormes desafios e, nesta entrevista que concedeu ao blog fala do trabalho que vem realizando e os projetos para o futuro.

1-Prefeito com seis meses de governo qual a sua avaliação sobre a situação de Palma?
A avaliação que faço sobre a situação de Palma nestes últimos seis meses de trabalho é a seguinte: Palma é uma cidade pequena,mas com dificuldades talvez maiores que de uma cidade de porte maior, tendo uma arrecadação pequena e com muito trabalho a ser feito em todos os setores como saúde, educação, social, agricultura, construção de estradas e pontes, cultura, esporte e turismo, mas com a ajuda de Deus e de todos que confiam em mim, aqui vim para implantar uma política nova para o nosso povo.

2-As necessidades são grandes mas todos sabemos que antes e com esta crise a verba dos municípios é curta, é possível administrar com poucos recursos?
Como disse, as necessidades são muitas em todos os setores e diante desta crise que assola os municípios, temos que ter muita cautela procurando aplicar o dinheiro público, buscando recursos extra-orçamentários(convênios)para melhor atender aos anseios de nosso povo.

3-Palma já teve grandes líderes no passado. Em qual deles se inspirou para entrar na política?
Não foi inspiração, aceitei este desafio procurando me espelhar em um ex-prefeito e saudoso amigo Mário Celso Freitas Pinto que faleceu faltando 16 meses para terminar o seu mandato,não permitindo assim que concluísse todos os seus sonhos e projetos para nossa cidade.



4-Na campanha para prefeito qual foi o momento mais difícil?


Todos os momentos são muito difíceis em uma campanha eleitoral, mas ao assumir este compromisso,coloquei Deus à minha frente para que me mostrasse os caminhos corretos,e procurei respeitar a todos os adversários e principalmente a cada eleitor,e com isto chegamos onde estamos.



5-Em sua administração qual área terá prioridade: saúde ou educação?
A prioridade em que hoje estamos focados para atender as nossas comunidades é a área da saúde, porque se tivermos um bom tratamento neste setor,principalmente para os mais carentes,com certeza teremos também uma boa educação.


6-O governo do estado tem ajudado Palma?
Deus está me proporcionando conhecimentos e amizades muito importantes para a nossa cidade,colocando em nossos caminhos o Secretário de Governo de Minas Gerais Dr. Danilo de Castro, homem que já o admirava e hoje o admiro muito mais, pela pessoa amiga, sincera, positiva e que muito tem feito pela nossa cidade e continuará fazendo. Disto tenho certeza, porque acompanho e vejo o seu carinho e respeito pelo povo da Zona da Mata Mineira. Assim como também,desde os primeiros contatos que tive com o seu filho Dr. Rodrigo de Castro - deputado federal mais votado no estado de Minas Gerais -pude perceber também o seu carinho e interesse em nos ajudar.
Também temos o nosso deputado estadual e amigo Lafayette de Andrada, que durante a campanha eleitoral demonstrou um carinho e um grande interesse em ajudar o nosso povo.
E assim segue a vida:"De uma boa árvore só se colhem bons frutos."


7-E no seu mandato quais são as obras que serão tocadas?
Com o brilhante trabalho de nosso governador Aécio Neves,e com a ajuda do Secretário de Governo Dr. Danilo de Castro,do Deputado Federal Dr. Rodrigo de Castro e do Deputado Estadual Lafayette de Andrada,já nos próximos meses estaremos iniciando obras na área da saúde,como construção da Farmácia de Minas,UBS na comunidade Parque das Palmeiras,pontes nos distritos e zonas rurais,educação,transporte escolar e ,em breve, projeto de casas populares.

8-Qual a mensagem do prefeito de Palma para todos os palmenses espalhados pelo mundo? Mando uma mensagem de carinho e muito respeito a todos os palmenses, hoje morando em várias cidades do Brasil e exterior.Aqui estaremos sempre para recebê-los porque como diz o verdadeiro ditado mineiro:"O bom filho à sua casa retorna!"Um grande abraço a todos e que Deus esteja sempre presente em suas vidas!

Desejamos ao Beto muito sucesso nesta empreitada e agradecemos a atenção dispensada em conceder esta entrevista ao blog.

Agradeço a Daniel Hungria a colaboração para a realização desta entrevista.

O Miúdinho

De repente me vem a mente uma boa lembrança de quando criança lá em Cisneiros, infância pobre, mas feliz e repleta de sonhos. Sentia saudades sem saber o por que, afinal eu com 7,8 anos sentir saudades? Talvez seria desejos e vontades e ia vivenciando as partidas e chegadas dos trens da REDE FERROVIÁRIA FEDERAL. Meu pai trabalhva na estação e a vida seguia com muita luta e honestidade.

Comecei a estudar no Grupo Escolar São José bem na rua debaixo da linha do trem. Nós moravámos numa casa simples, fria, com janelas grandes, quartos enormes e com cercas de bambú - onde meu pai gostava de ter galinhas, patos, gansos que acabavam na panela e servia como sustento a mim e aos outros irmãos - que alugavam aos ferroviários e já descontavam no salários deles.

Ali comecei a aprender o ABC e já batia a minha bolinha. Sempre gostei de futebol e às vezes os tricolores, botafoguenses e vascaínos persuadiam para que eu torcesse para estes times. Até que tive e ainda tenho simpatias por estes clubes do Rio de Janeiro, capital mais próxima que Belo Horizonte, de onde vivíamos.

Havia uma família com melhor poder aquisitivo que os outros e acabei por conhecer o Marcial. Um garoto esperto,inteligente e já também meio culto, afinal seus pais eram pessoas com mais recursos, embora o pai também fosse ferroviário, mas era o chefe e havia sido transferido para comandar a estação de Cisneiros.Havia estudado no Rio de Janeiro em bons colégios e preparado para a função. Um pessoal muito calmo e gentis mas o Marcial, acabei o apelidando de Miúdinho, pois era pequeninho, com sardas nos rosto, meio gordinho e o dono da bola. Literalmente o dono da bola, pois os tios vinham visitá-lo e trazia PELOTAS de couro como presente.

Foi a primeira vez que vi uma bola, num Natal que eu e minha irmã inventamos de colocar o sapatinho velho e furado na janela, pois esperavámos fielmente que o Papai Noel passasse e traria presentes, afinal as crianças quase todas ganhavam presentes e nosso pai só nos dava goiabada e queijo em nosso Aniversário e Natal!!!

Passou a noite e no outro dia, só decepção! Lembro-me que minha irmã chorava copiosamente, pois a boneca que sonhava não estava no sapatinho; saí prá rua em frente de casa prá ver os velocipedes, bicicletas e brinquedos que os outros ganhavam.

De repente uma turma de meninos se formou e fomos bater bola em frente de casa, na rua onde fazíamos de nosso campinho, nossa diversão diária ingênua e amistosa.

Ao terminar a peladinha, o MIÚDO - (termo que os Portugueses trouxeram para o Brasil e muito usado naquela época ) me presenteou com a pelota. Fiquei radiante de felicidade, emocionado, senti-me importante, afinal o Marialvo, tio dele havia lhe dado outra novinha em folha e ele de bom coração e generoso deu-me o primeiro presente de minha vida. Talvez o segundo, pois o primeiro foi a minha vida.

Mas, horas depois, brincando com o meu irmão a bola caiu em frente a casa de um velho rabugento que não gostava de meu pai ou de minha família, pegou a pelota e furou. Rasgou e jogou na minha cara. Foi frustante e um golpe durissímo, afinal era a minha prenda de Natal, a única coisa que ganhara na vida.

Tive dias amargos e tristes, mas o MIÚDO me levava para frente da tua bela casa, a mais bonita de Cisneiros e ali perto da venda do Sr. Jamil Salum a gente divertia sob o olhar, ora da mãe, ora do pai dele. Foi um amiguinho bem especial que nunca mais o vi, mas não o esqueci. Recordo-o ainda menino daquele jeitinho especial dele.

Acabamos mudando para Manhuaçú, depois Coronel Fabriciano e até que vim para BH. Rodei mundo,mas sempre me vem em mente algumas especiais pessoas e que estão marcada no coração, no peito, na alma, na mente com toda ternura que alguém possa sentir.

A partir dali começei a entender o bem e o mal, aprendi a ser honesto com meus pais, com a influência de pessoas bondosas, simples e trabalhadoras.

Aprendi a torcer para o Atlético...mas aí é outra história que um dia revelo a voces.

Grande abraço e que essa lembrança e saudade do Marcial possa servir de estímulo a todos a aprenderem a recordar o passado e valorizar a amizade que jamais morre,quando se gosta de verdade.

Belo Horizonte, 19 de junho de 2009
Guto de Moura

Visitem o blog do Guto: guttogallo-atleticano.blogspot.com

sexta-feira, junho 12, 2009

Um Blue Caps em Cisneiros

Carlos Alberto da Costa Vieira, o Carlinhos, um dos componentes do famoso grupo Renato e seus Blue Caps nasceu no Rio de Janeiro em 1943 e morou em Cisneiros de 1953 até 1973. Filho do sargento Dalmiro que foi casado com Dica, filha do Sr. João Costa e Dona Antonia.

A música sempre foi uma paixão em sua vida. O início de sua carreira musical aconteceu no cinema dos Finamores. Naquela época existiam muitos bailes na roça e, Carlinhos lembra dos bons sanfoneiros Floriano Reif e João Fortunato.

A diversão da juventude eram os bailes, onde namorar era um missão difícil devido a vigilância cerrada dos pais e irmãos. E também os bailes de carnaval na máquina de arroz. E ficar andando pela linha trem.

Carlinhos conta que recebeu uma carta de seu primo Renato o convidando para passar o carnaval e formarem um bloco, todos fantasiados de Elvis Presley. Ali foi o início do grupo Renato e seus Blue Caps que mais tarde seria um enorme sucesso no Brasil e no exterior.

Naquele início de 1961 os shows eram poucos, então Carlinhos alternava períodos no Rio de Janeiro e outros em Cisneiros. Neste mesmo ano, o grupo foi batizado de Renato e seus Blue Caps por Carlos Imperial e em seguida veio o sucesso meteórico.


Carlinhos Blue Caps - 1967

Em 1969 ainda participando do grupo, gravou um disco solo. Continuou participando grupo, saindo definitivamente em 1972.


Carlinhos Blue Caps - De volta ao sucesso - 2000

Aproveitando a onda que foi a Jovem-Guarda no final dos anos 90, gravou um CD, "De volta ao sucesso".

Carlinhos Blue Caps continua na ativa, fazendo shows por todo o Brasil e tem um carinho especial por esta terra e, até mesmo se considera um cisneirense.

terça-feira, junho 09, 2009

Carpa Gigante

José William(Bulinha), dono da máquina de arroz, pescou uma carpa de 14.8 kg no Rio Pomba no último sábado, dia 06/06/09, a maior que se tem notícia.




Fotos: Jônatas. Escrito conforme e-mail enviado por Josimar Salum.

quinta-feira, maio 14, 2009

CISNEIROS – LEMBRANÇAS DE UM TEMPO BOM

Por intermédio de meu sobrinho Raimundo Cerqueira Jr., no momento atarefado com os preparativos para a comemoração do centenário de nascimento de minha mãe, que o levou a pesquisar fontes de informação em Cisneiros, onde ela viveu, tomei conhecimento do trabalho desenvolvido por Ana Clara Fagundes Finamore Frederic e pelo blogueiro Joaquim Ricardo Machado para levantar, divulgar e preservar a história de Cisneiros. Este texto é a contribuição que ofereço aos louváveis esforços desses pesquisadores. Cisneiros é muito especial para nós.

Minha família. Meu pai Arthur Aarão Corrêa nasceu em Palma e, com vinte e poucos anos, mudou-se para a região de Manhuaçu em busca de oportunidade de trabalho. Possuía sólidos conhecimentos de matemática e português e rudimentos de latim e música, atributos pouco comuns em jovens do interior de Minas àquela época. Por indicação de pessoas conhecidas e após sabatinado pelo vigário que visitava mensalmente o vilarejo de São João do Manhuaçu, foi contratado pelo ex-muladeiro e, naquele momento, próspero fazendeiro e comerciante Joaquim Garcia Sobrinho para ser professor particular de seus nove filhos, de vez que a vila não possuía nenhum equipamento de ensino, quer público ou privado. Entre as alunas, estava a filha mais velha, nascida Maria Garcia dos Santos em 20 de maio de 1909. E não demorou muito, aluna e professor se casaram, ela então com dezesseis anos, adotando o nome de Maria Garcia Corrêa.

Dessa união, nasceram seis filhos. Sou o do meio. Eu me explico. Como sou gêmeo de minha irmã, a professora Marília da Glória Corrêa Baptista, tenho dois irmãos menos novos, a professora Maria de Lourdes Corrêa Cerqueira e o funcionário público Mário Lúcio Corrêa, ambos falecidos, e dois irmãos mais novos, o advogado Maurício José Corrêa e o comerciante Márcio Ângelo Corrêa, este também falecido.

A família se formava e a vila se desenvolvia, com a construção de novas casas e o estabelecimento de melhorias na precária infra-estrutura. A instalação da Escola Isolada “Professor Juventino Nunes” permitiu que minha mãe em 1928 se tornasse uma de suas primeiras professoras. Foram criados os serviços cartoriais de registro civil e meu pai assumiu o encargo de escrivão.

Em 1943 a família mudou-se para Itapiruçu e, logo em seguida, transferiu-se para Cisneiros, onde permaneceu até 1953, minha mãe sempre na condição de professora e me pai, titular do cartório local. Posteriormente, com meus pais aposentados, nos mudamos para Belo Horizonte.

Ministro Maurício Corrêa. Faço menção especial à trajetória de meu irmão Maurício José Corrêa, que, em Cisneiros, encantava as pessoas com suas brincadeiras e as músicas que executava em seu piston, especialmente na casa dos Medinas e dos Guerreiros, em pontos opostos da pracinha. Tendo estudado em colégios de Manhumirim, Miracema e Belo Horizonte, formou-se em direito pela Faculdade de Direito da Universidade Federal de Minas Gerais e logo se mudou para a recém inaugurada Brasília, onde recompôs seu escritório de advocacia e sua clientela deixada em Belo Horizonte. Elegeu-se Presidente da Ordem dos Advogados do Brasil, Secção de Brasília, por diversas vezes, tendo construído sua sede e, durante a ditadura militar de 1964, confrontou grupos de repressão, mesmo sob ameaça de armas, na defesa das liberdades e do direito de expressão. Quando foi permitido votar em Brasília, a população local o elegeu senador federal mais votado da cidade. Exerceu o mandato até sua convocação para Ministro da Justiça, no governo do Presidente Itamar Franco. Foi nomeado a seguir para o cargo de Ministro do Superior Tribunal Federal, exercendo sua Presidência até a compulsória. Hoje, ainda em atividade, mantém seu escritório de advocacia em Brasília.

O Jardineiro. A passagem da família por Cisneiros e Itapiruçu foi marcante em nossa vida. Com família grande, os filhos freqüentando colégios em cidades distantes, meus pais se desdobravam para suportar as crescentes despesas, procurando ampliar os parcos ganhos de professora e de escrivão de poucos assentamentos. Transformaram em um incipiente hotel a casa em que residiam na Praça Dona Cecília, em Cisneiros, fornecendo pousada e alimentação a viajantes que freqüentavam a vila. Instalaram o posto telefônico local, daqueles de manivela, em cabine presa à parede, e realizavam os atendimentos e as chamadas a cobrar com serviço de mensageiro.

Minha irmã Lourdes, antes de seu casamento com Raimundo Cerqueira em 1945 na Igreja de Cisneiros, fez concurso e assumiu o cargo de professora, junto à mãe. Foi nesse período que as duas incentivaram os alunos a editarem um jornal. Minha irmã levou os alunos para conhecer as oficinas gráficas do Jornal de Palma e a idéia de fundar seu próprio jornalzinho contagiou os alunos. Foi realizado um concurso para dar nome à publicação. Entre os nomes propostos de Beija-Flor, Coração Valente, O Jardineiro, O Nosso Jornal, A Infância, Jornal Infantil e Aromas Escolares, foi escolhido por votação o de O Jardineiro. A defesa do nome vencedor foi feita pela aluna da quarta série, hoje Rosalina Maria Rola Fagundes Finamore, com argumento de que “como um jardineiro colhe flores diariamente, o jornal vai colher e distribuir informações”. Quem secretariou os trabalhos e redigiu a ata foi a aluna Lúcia Henriques Archanjo, também da quarta série, minha irmã de criação. E ela inscreveu na ata as razões da escolha: “ O Jardineiro vai recolher os melhores trabalhos, flores de nossa escola. A escola é o jardim. Não devemos nos esquecer, colegas, de que esse gracioso jornalzinho levará para bem longe as nossas flores. Trabalhemos, pois, com entusiasmo para que O Jardineiro não morra!”

Outra preocupação da professora Maria de Lourdes era conduzir os alunos a pensarem o jornal como atividade integrada à vida de cada um, com a idéia de colher assuntos a serem noticiados. Os alunos eram incentivados a participar de concursos permanentes de redação. Os trabalhos eram analisados, recebendo pontuação. Na ocasião da fundação do jornal, o destaque foi atribuído à mesma aluna Rosalina Maria Rola Fagundes Finamore e seu trabalho foi publicado no primeiro número de O Jardineiro.

Finamore. A população de Cisneiros era uma grande e integrada comunidade familiar. As famílias Fagundes e Barandier e as de Adelino Pires, João Moreira, Chico Medina, José Guerreiro, Juca Ferreira, Olímpio Homem, José Panza, Sebastião Formidável, José Titonelli, entre tantas outras, marcaram fortemente nosso convívio. Mas, quero me demorar um pouco sobre a família Finamore, chefiada pela imponente figura de seu patriarca Antonio Josino Finamore, de presença forte, com seus passos arrastados sobre chinelos. Éramos vizinhos. Finamore ocupava o cargo honorífico de Juiz de Paz, integrante da organização judiciária do estado, e mantinha constante contato com meu pai em razão de suas atribuições em atos civis, especialmente os casamentos que celebravam por força de lei. Além do mais, era um exímio jogador de bisca de dois e o parceiro constante era meu pai, em nossa casa. Exercia a profissão de comerciante de arroz e imagino que, se estivesse entre nós ainda hoje, por certo seria um arrozeiro nas várzeas da reserva Raposa Serra do Sol, em Roraima, tal seu profundo interesse pela atividade. Era casado com Maria da Agonia Finamore e todos seus filhos, mais de uma dezena, na maioria homens, tinham nomes começados por W. A única mulher, a filha Wanylde, não fugia à regra do W no nome. O nome Maria da Agonia Finamore é o que vem à memória, embora sua neta Ana Clara Fagundes Finamore Frederic registre como sendo Agonia Alves Finamore. Por certo, a razão está com ela. Dona Agonia, vou abreviar assim, foi uma mulher extraordinária. Cuidava de sua grande família, preocupada com a educação de cada um, trabalhava como Agente dos Correios, executando todas as tarefas com esmero e cuidado, e, calma em pessoa, anotava tudo com letra clara, límpida e bem talhada. Mas, sobretudo, era uma apaixonada por livros. Como gostava de ler, incentivava o hábito da leitura. Devo a ela o interesse por livros e leitura, que me acompanha até hoje.

Molecagens. Mas, o grande mérito de Cisneiros era a vida simples e despreocupada de seus habitantes. A tranqüilidade só era quebrada quando o Wesley Fabiano, um dos irmãos Finamore, provocava o cego Domiciliano com alguma brincadeira só para ver a esperada reação com palavrões em voz alta. Ou, de meu cunhado Raimundo Cerqueira que nos acompanhou em uma traquinagem para roubar frutas do belo e variado pomar que o dentista prático Condomar possuía no final da rua Niterói, depois da ponte sobre o rio Capivara. Para alcançar o pomar, atravessamos o rio a nado, deixando nossas roupas na margem oposta ao pomar, e subindo nas árvores, especialmente nas mangueiras, iniciamos a coleta das frutas, como sempre fazíamos. Tudo era feito rapidamente para não sermos pegos e sofrer castigo. Mas, a verdade é que o dia do castigo chegou e exatamente quando meu cunhado participou da brincadeira pela primeira e única vez. Ao perceber nossa presença, o senhor Condomar mandou que um empregado desse a volta por dentro de Cisneiros e, sem ser pressentido, recolheu nossas roupas à margem do rio. Foi um vexame nosso retorno às casas, todos nus ou vestindo sumárias e molhadas cuecas, procurando se esgueirar pelos cantos, sob a vista e as chacotas de todos. Eu não vi, mas posso imaginar que o velho e bom dentista, em seu consultório com retratos na parede e a ruidosa broca movida a pedal, estivesse rindo satisfeito pela vingança contra nossas molecagens.

Centenário de Maria Garcia Corrêa. O dia de 20 de maio de 2009 marca o centenário de nascimento de minha mãe. Para celebrar a data, estamos empenhados em promover a confraternização de familiares e amigos em festa que realizaremos em Brasília no sábado, 23 de maio. A escolha da cidade de Brasília se orientou pela disponibilidade de melhor infra-estrutura e por que lá reside grande parte de seus oitenta descendentes. A programação consta de uma missa de ação de graças, a ser celebrada às dez horas, a exibição de um clipe em áudio e vídeo sobre a vida da homenageada, por volta do meio dia e, em seguida, será servido almoço comemorativo na residência dos filhos Alda e Maurício José Corrêa.

São Paulo, 13 de maio de 2 009.

Mauro Garcia Corrêa

D. Maria Garcia Corrêa 

No post "Ex-Ministro Maurício Corrêa morou em Cisneiros" de 26/06/2006 em um trecho escrevi: 

D. Maria Garcia Corrêa voltou a Cisneiros muitos anos depois e ao conversar com os moradores disse que este era seu sonho de muitos anos e seu filho Márcio, advogado, a tinha prometido de realizar, mas como ele havia falecido sua nora a trouxera de Brasília.

Esta semana troquei e-mails com Raimundo Cerqueira Júnior, neto da D.Maria Garcia Corrêa. Como foi ele quem levou a avó para rever Cisneiros, este post corrige a informação.  

Solicitei então suas impressões da viagem e, dias depois recebi este belo texto do Raimundo: 

VIAGEM A CISNEIROS 
  
Por volta de 1992 estava eu em São João de Manhuaçu, quando alguém teve a idéia de visitar Cisneiros. Disponível e de férias, me prontifiquei a levar a caravana composta por minha avó Maria Garcia Corrêa, meu pai Raimundo Cerqueira, minha mãe Maria de Lourdes Corrêa Cerqueira e Tereza dos Santos Corrêa, viúva do tio Márcio.

A viagem foi cheia de animação, com relatos das lembranças de Palma, Cisneiros e Itapiruçu, e quanto mais perto ficava, maior era a ansiedade de todos, e eu só imaginando como seria esse tão comentado lugar.

Foi uma chegada silenciosa, compenetrada... Todos meio atordoados de rever aquele lugar depois de 40 anos. Estupefatos é o adjetivo que melhor traduz aquele momento. Descemos em frente ao escritório da ferrovia e  também da casa onde eles moraram e onde também funcionou o cartório do vovô. Fomos à estação, ao armazém. De carro fomos até a praça da igreja onde meus pais se casaram, em 1945. Depois foi a vez de ver o pontilhão de tantas histórias. Em cada esquina uma lembrança e um "causo".

Mas tínhamos pressa. Tomamos o rumo de Itapirussu, e na saída registravam: "Esta é a casa do seu Condomar". Na estrada comentavam: "Aquela é a fazenda dos Corte Real, e era debaixo daquela árvore que o Márcio namorava". E a ponte de concreto, tão majestosa e pouco usada... Lembravam do tempo em que atravessavam o rio Pomba de barco. A igreja de Itapiruçu, que mais parece uma catedral, linda e imponente... Também vimos a casa onde moraram. Voltamos pra Cisneiros, mais lembranças, mais histórias... Viram pouca gente, também era um dia de semana comum, sem feriado. Algumas coisas os entristeceram: a pouca água que corre no Capivara, o abandono do armazém, a imagem do desuso da estrada de ferro e do pontilhão....

Na volta para São João paramos em Palma, onde ainda moram sobrinhos do vovô. Mas a parada foi rápida. E ao chegar em São João fizemos o compromisso de fazer de novo aquele passeio, mas isto nunca aconteceu. Três anos depois minha avó morreu, depois meus pais. Perdeu-se o sentido...

Mas hoje, revendo fotos e resgatando um pouco da história da minha avó, que neste mês completaria 100 anos, revejo também Cisneiros e fico feliz de ter tido a chance de levá-los nessa viagem de 40 anos de ausência a um lugar tão querido. 

Brasília, Maio/2009  

Raimundo Cerqueira Júnior, muito obrigado pela sua colaboração. 

quarta-feira, maio 13, 2009

Engenho Central Tapirussú

Anúncio publicado no jornal "O Cataguazense" - 30/01/1887 - Cataguases(MG)

Vale lembrar que a estação Tapirussu era o nome do lugar onde hoje é Cisneiros(MG). 

Fonte: Arquivo Público Mineiro

terça-feira, maio 12, 2009

Vídeo - Itapiruçú, Cisneiros e Palma

A montagem deste vídeo é de Fábio Arruda a quem agradecemos a autorização para publicar neste blog. Não deixem de participar da comunidade do orkut "Eu amo Itapiruçú-MG". 
 

quarta-feira, maio 06, 2009

Antônio Guedes Pinto 

A "E. de Tapirussú" é onde fica atualmente Cisneiros. 

O Popular - Edição 70 - 04/08/1890 
Barbacena(MG)

terça-feira, maio 05, 2009

Eleição 1881-1882

Em 01/07/1880 aconteceu a eleição para a Câmara de Vereadores do município de Cataguases e, o Capitão José da Costa Mattos recebeu um total de 405 votos, sendo o quarto mais votado: 

Cataguases - 190 votos 
Muriaé - 36 votos 
Laranjal - 110 votos 
Capivara (atual Palma) - 69 votos 

O Major José da Costa Mattos era filiado ao Partido Conservador. Nesta mesma eleição foram eleitos os juizes de paz e pelo Capivara receberam votos: Alferes Joaquim Moreira de Faria Pinto 109 votos; Francisco Alves de Novaes com 108; Caetano Rodrigues Gomes com 102 votos e todos do Partido Conservador. 

Fonte: livro "O Municipio de Cataguases" de Arthur Viera de Rezende e Silva, ano 1908, páginas 685 a 687. 
O Juiz Joaquim Theodoro Cysneiro 

Publicado no Correio da Palma em 04/07/1897: 

O Doutor Joaquim Theodoro Cysneiro d’Albuquerque, juiz de direito da cidade e comarca da Palma. 

FAZ saber aos que o presente edital virem ou delle noticia tiverem, que em data de hontem tomou posse e entrou em exercicio do cargo de Juiz de direito desta comarca e que despachará em todos os dias uteis, das 11 horas da manhã as 3 da tarde  - tão somente, - dando as suas audiencias as 11 da manhã das quintas-feiras e no dia immediato quando aquelle feriado. Para constar mando que se expeça o presente que sera publicado pela imprensa e affixado no logar do estylo. Dado e passado nesta cidade e comarca da Palma, 16 junho de 1897. E eu Lauro Teixeira Lopes Guimarães, escrivao do segunddo officio, o escrevi.  Joaquim Theodoro Cysneiro d’Albuquerque. 

Leia também: 




quinta-feira, abril 30, 2009

Correio da Palma

Em posts anteriores este jornal já foi citado e, achava que não tinha ficado nenhuma cópia, mas esta semana para minha surpresa achei no Arquivo Público Mineiro três edições. 

Este jornal foi fundado pelo Dr. Astolfo Vieira de Rezende, advogado de Cataguases(MG).

O jornal tinha uma seção com o nome de "Escrinio Litterario" e na edição 11 de 13/03/1898 foi publicado dois poemas: 

Nel mezzo del cammia

Longe dos olhos teus, exilado e perdido, 
na verde selva umbrosa, em meio á solidão, 
como ter o rumor dos teus passos no ouvido, 
e o teu beijo a fladar sobre o meu coração?!

Como sentir o aroma do teu labio querido 
no extase mais doce e na mais doce união, 
si o espaço que me cerca é quasi indefinido
e eu nem posso lembrar nossa separação?! 

Aqui, para matar-me a saudade vehemente, 
bastaria-me ouvir teu nome unicamente, 
para a vida sorrir-me entre sonhos de amor... 

E ai nem falam-me d'elle os passáros selvagens, 
voando pelo recorde escuro das folhagens, 
ora de galho em galho e ora de flor em flor... 

Demosthens de Olinda 

O outro poema: 

Confidenciando 

Dizer quizera o que o meu peito sente, 
O que a alma soffre e o coração murmura, 
Tudo o que póde destruir d'um crente
O seu bello ideal, sua fé mais pura. 

Mas não! eu soffro e o calix d'amargura, 
Que á longos tragos eu servi tremente, 
Me envolvem n'uma noute eterna escura, 
Como se o mundo me ficasse ausente. 

Mas ... a alma tenho já resignada 
Insensivel á dor, ao sofrimento 
A's ilusões do mundo abandonada. 

Que eu sempre a veja e o meu olhar não minta 
Que eu possa salvar do esquecimento 
Inda um vislumbre de alegria extincta. 

M.Cisneiros 
 
Hotel de Cysneiro



Correio da Palma - edição de 13/03/1898

Fonte: Arquivo Público Mineiro

Assaltantes presos em Palma - 1907

Na foto tem as seguintes anotações: "Chefes de quadrilha de gatunos presos no municipio de Palma pelo Alferes Adalberto dos Santos, os quaes a tempos commetião, roubos e assaltos no morro da Matta, sendo as suas prisões effectuadas em janeiro de 1907; 0 2º da direita para a esquerda é o famigerado gatuno José Virgilio auctor tambem do assassinato do subdelegado de Taperussú Major Couto, facto este este ocorrido a cinco annos em S.Joaquim, municipio de Leopoldina".

Fonte: Arquivo Público Mineiro

Fórum e cadeia de Palma(MG)

Foto do fórum e cadeia de Palma(MG), nos anos 40.

Fonte: Arquivo Público Mineiro
Anúncio no jornal "A Cidade da Palma"

Publicado no jornal A Cidade da Palma - edição 19 - 04/07/1897
Fonte: Arquivo Público Mineiro

sexta-feira, março 06, 2009

Chalé do Zoca - Cisneiros(MG)


As fotos acima foram enviadas por Analia Carneiro, a quem agradecemos. 

quinta-feira, fevereiro 19, 2009

Fotos enchente em Cisneiros - 2008/2009

Rua de frente da casa do Mário Medina 

Próximo a casa do Sudário Guedes

Posto de Saúde Adelino Pires

Rua do Posto de Saúde

Em frente a casa do Robertinho

Agradeço a colaboração de Analia Carneiro que enviou as fotos acima publicadas.