quinta-feira, maio 14, 2009

D. Maria Garcia Corrêa 

No post "Ex-Ministro Maurício Corrêa morou em Cisneiros" de 26/06/2006 em um trecho escrevi: 

D. Maria Garcia Corrêa voltou a Cisneiros muitos anos depois e ao conversar com os moradores disse que este era seu sonho de muitos anos e seu filho Márcio, advogado, a tinha prometido de realizar, mas como ele havia falecido sua nora a trouxera de Brasília.

Esta semana troquei e-mails com Raimundo Cerqueira Júnior, neto da D.Maria Garcia Corrêa. Como foi ele quem levou a avó para rever Cisneiros, este post corrige a informação.  

Solicitei então suas impressões da viagem e, dias depois recebi este belo texto do Raimundo: 

VIAGEM A CISNEIROS 
  
Por volta de 1992 estava eu em São João de Manhuaçu, quando alguém teve a idéia de visitar Cisneiros. Disponível e de férias, me prontifiquei a levar a caravana composta por minha avó Maria Garcia Corrêa, meu pai Raimundo Cerqueira, minha mãe Maria de Lourdes Corrêa Cerqueira e Tereza dos Santos Corrêa, viúva do tio Márcio.

A viagem foi cheia de animação, com relatos das lembranças de Palma, Cisneiros e Itapiruçu, e quanto mais perto ficava, maior era a ansiedade de todos, e eu só imaginando como seria esse tão comentado lugar.

Foi uma chegada silenciosa, compenetrada... Todos meio atordoados de rever aquele lugar depois de 40 anos. Estupefatos é o adjetivo que melhor traduz aquele momento. Descemos em frente ao escritório da ferrovia e  também da casa onde eles moraram e onde também funcionou o cartório do vovô. Fomos à estação, ao armazém. De carro fomos até a praça da igreja onde meus pais se casaram, em 1945. Depois foi a vez de ver o pontilhão de tantas histórias. Em cada esquina uma lembrança e um "causo".

Mas tínhamos pressa. Tomamos o rumo de Itapirussu, e na saída registravam: "Esta é a casa do seu Condomar". Na estrada comentavam: "Aquela é a fazenda dos Corte Real, e era debaixo daquela árvore que o Márcio namorava". E a ponte de concreto, tão majestosa e pouco usada... Lembravam do tempo em que atravessavam o rio Pomba de barco. A igreja de Itapiruçu, que mais parece uma catedral, linda e imponente... Também vimos a casa onde moraram. Voltamos pra Cisneiros, mais lembranças, mais histórias... Viram pouca gente, também era um dia de semana comum, sem feriado. Algumas coisas os entristeceram: a pouca água que corre no Capivara, o abandono do armazém, a imagem do desuso da estrada de ferro e do pontilhão....

Na volta para São João paramos em Palma, onde ainda moram sobrinhos do vovô. Mas a parada foi rápida. E ao chegar em São João fizemos o compromisso de fazer de novo aquele passeio, mas isto nunca aconteceu. Três anos depois minha avó morreu, depois meus pais. Perdeu-se o sentido...

Mas hoje, revendo fotos e resgatando um pouco da história da minha avó, que neste mês completaria 100 anos, revejo também Cisneiros e fico feliz de ter tido a chance de levá-los nessa viagem de 40 anos de ausência a um lugar tão querido. 

Brasília, Maio/2009  

Raimundo Cerqueira Júnior, muito obrigado pela sua colaboração. 

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