quinta-feira, agosto 31, 2006

Angaturama

A pesquisadora Nilza Cantoni, enviou um e-mail ontem com o seguinte texto:

Na nossa incipiente formação republicana, um dos pontos de atrito entre a velha e a nova ordem foi representado pela valorização da língua de nossos primeiros habitantes. Lendo Nelson de Sena ou Teodoro Sampaio dá para entender um pouco das escolhas realizadas quando da substituição dos topônimos. Por outro lado, observa-se uma certa intolerância religiosa em algumas leis que determinavam o abandono dos nomes de invocação católica. Segundo Joaquim Ribeiro Costa em Toponímia de Minas Gerais, muitos foram os motivos para a mudança nos nomes das localidades. Uma delas foi a necessidade de "encurtamento de nomes longos"(pág. 128). Outro motivo relevante para o nosso interesse foi a duplicidade, muitas vezes escamoteando posições contrárias ao devocionismo dos primeiros habitantes. Assim é que Nossa Senhora da Piedade tornou-se Piacatuba, Bom Jesus do Rio Pardo passou a chamar-se Argirita, Nossa Senhora da Conceição da Boa Vista deu origem a Recreio e São Joaquim virou Angaturama. Claro esteja que não desconsidero o fato de Conceição da Boa Vista ter permanecido como nome do distrito. E é aí que imagino encontrar-se um dos momentos de manifestação pública contra a mudança que, parece-me, não levou em consideração a vontade dos moradores.Parece-me também que a primeira capela do atual distrito de Angaturama já existia antes de 21.11.1890, data da criação do distrito com o nome do santo ao qual aquele orago era dedicado. Infelizmente ainda não consegui descobrir qual era a fazenda na qual se localizava. Lembremos que o distrito de Recreio foi criado alguns meses antes, em junho de 1890, com jurisdição sobre o território do distrito de Conceição da Boa Vista que já existia desde 1851 e que São Joaquim só passou a pertencer a Recreio quando da independência administrativa de Recreio, ocorrida em 1938. Mas o nome permaneceu até 1943, sendo então mudado para Angaturama.E o que significa Angaturama? Segundo o já citado Costa, é uma referência a "anga-catú-rama", o equivalente em tupi de "alma bondosa". O dinossauro brasileiro batizado como Angaturama teve o nome definido pelos cientistas com este mesmo significado ou, de forma reduzida, para significar nobre ou nobreza. Não tenho aqui a data do batismo do nosso dinossauro. Mas parece que é por conta disso que alguns antigos moradores do lugar passaram a dizer que o nome era para lembrar um grande animal que ali vivia. Detalhe importante: o nosso dinossauro, até onde eu sei, viveu em terras cearenses. Penso que há muitas de raízes positivistas em todo este imbroglio. Seria necessário analisar os primeiros registros do cartório de notas local para decifrar a história. Mas não sei onde se encontra. Angaturama está localizada acima da linha divisória do território no qual me concentro. Creio mesmo que sua trajetória possa estar vinculada aos municípios ao norte e não ao grande distrito do Feijão Crú.

Nilza Cantoni têm razão em tudo que escreveu. Acrescento que o fato de encurtar os nomes é motivado pela chegada da ferrovia, citando que Conceição da Boa Vista permaneceu com o mesmo nome e, os trilhos não foram até esta localidade por intransigência de fazendeiros. As estações desta região em Minas Gerais, tinham as características das estações inglesas, até mesmo na cor da pintura. E para identificar, o nome da localidade era escrito em alto relevo no prédio e com estes nomes enormes, seria impossível, pelo fato das estações serem pequenas. Outro fato era as comunicações telegráficas, um nome mais curto simplificava.

E nesta época também os republicanos chegavam ao poder. E pelas idéias positivistas, devem ter influenciado também a supressão dos nomes de santos, visto que houve a questão religiosa e, o conflito com a Maçonaria. E os políticos que passaram a comandar a República, na sua maioria eram advogados, jornalistas e médicos, e como eram livres-pensadores, tinha como ídolos os filósofos franceses e o grupo que liderou a independência americana. E acreditar na religião católica, nos seus santos e em Jesus Cristo é necessário um total desprendido do conhecimento histórico e filosófico. Aquele grupo queria liberdade de pensamento e isto ia contra os preceitos da religião, visto que a igreja católica não foi contra a escravidão. Os portugueses eram católicos e acreditavam nos santos e seus milagres, mas favoráveis a exploração tanto da terra, como dos negros e índios.

Não tenho informações sobre o surgimento de Angaturama. Acredito que o local surgiu devido a inauguração da estação que ficava entre Recreio e Cisneiros e, a de São Joaquim aconteceu no dia 26 de abril de 1883.

Se algum leitor tiver alguma informação ou conhecer alguma pesquisa sobre Angaturama, envie e-mail para este blog ou para www.cantoni.pro.br.

RIO POMBA

Serpenteando vales e brenhas,
Num rumor constante segue o caminhante da lua e do sol.
Segue altaneiro!tão sombraceiro!
Rigando e ornando todo arrebol
Fonte dos banhos das andorinhas.
Fonte e espelho,dádiva é tê-lo
Dádiva augusta de terra minha!
E o doce sussurro das cachoeiras?!
Na cheia é mar bravio calmo e gostoso no estio
Quando maduram os ingás às ribeiras.
Chamam-no traçoeiro,mas que bom é pescar
E em suas águas remar!
E o peixe fresquinho comer sorrateiro.
Oh! você é meu rio risonho
Da linda paisagem cisneirense,
Que no verão,inverno,sempre,sempre
É o POMBA das pombas de um sonho!

Newton de Souza

Este poema do Newton de Souza foi publicado em um tópico da comunidade "Eu amo Cisneiros" por Rosane Guedes de Souza

quarta-feira, agosto 30, 2006

Curiosidades sobre Cisneiros – 2

-No post "Curiosidades sobre Cisneiros – 1", escrevi que a primeira rua com calçamento foi a da perto da estação do trem. Mas na verdade, a primeira rua, foi a da subida à igreja.

-Por volta de 1984, funcionou em Cisneiros uma pequena fábrica de confecções, no galpão em frente à venda do Sr. Antonio Pinto e, era de seu genro José Pacheco.

-Quando a principal atividade econômica era a produção de arroz, em Cisneiros funcionavam duas máquinas de beneficiamento de arroz. A de Olinto Igreja e a do José Vitório. Em Itapiruçú, existia a de Geraldo Simões, que também foi vereador por aquele distrito.

-Em 1986, houve tentativas de encontrar ouro no rio Pomba, próximo a Cisneiros. Durou pouco e disseram que encontraram pouco coisa e também houve protestos, sendo algumas balsas apreendidas pelo uso irregular do mercúrio. Houveram reclamações, devido os garimpeiros beberem muito e, ficarem fazendo bagunça na rua até tarde da noite.

terça-feira, agosto 29, 2006

Vicentinos

Em Cisneiros existiu por muito tempo, um grupo de Vicentinos. O objetivo era ajudar com alimentos e remédios as pessoas mais carentes e fazer visitas a doentes, asilos e presos.

As reuniões aconteciam semanalmente na igreja e depois passou a ser no Salão Paroquial. Os vicentinos mais atuantes: Josélia Pires, Zeca Lima, Ada Lima, Ione Lima, Joaquim Pereira e Dona Jotinha.
As exposições

Foram cinco exposições que aconteceram em Cisneiros, de 1979 a 1984 e, realizada no mês de maio.

O evento ficou marcado na memória e em fotos. Analisando, depois de tantos anos, vejo a determinação e força daquelas pessoas que organizavam e realizavam esta festa.

Em todos estes anos, os da comissão de frente eram: Domingos Guedes, Mário Lúcio Guedes(Lucinho) e Adelaide Guedes Amorim.

Acontecia o Concurso Leiteiro e durante os quatro dias a disputa para ver qual vaca produzia mais leite. As barracas com comidas fartas, muita bebida, jogos, diversões para todas as idades.

No domingo à tarde, acontecia o desfile dos alunos da escola estadual "São José" e também de soldados do Tiro de Guerra de Miracema. Os desfiles dos alunos acontecia com carros enfeitados e a cada ano dedicado a um tema. As pessoas dedicavam com vontade e a cada ano, melhorava a qualidade.

E no encerramento, eram entregues os troféus e prêmios aos vencedores do Concurso Leiteiro e acontecia um baile no armazém.

E a exposição trazia momentos alegres e proporcionava uma grande integração, pois muitas famílias se reuniam devido a esta festa.

Uma pena que acabou!!!

segunda-feira, agosto 28, 2006

O que faz Cisneiros tão especial?

Ter a possibilidade de conhecer todos seus habitantes.
O silêncio que é possível ouvir o canto dos pássaros.
Poder ficar na pracinha assistindo TV e bater papo até tarde, sem se preocupar.
Ver e andar de carro-de-boi.
Passar pela ponte sem medo do trem vir.
Escutar o sino tocar às seis horas da tarde em ponto.
Ouvir os comunicados importantes pelo auto-falante.
Saber dos últimos acontecimentos pelos seus moradores.
Aquele jeito todo cisneirense de contar histórias.
A cerveja sempre gelada no bar do Zé Mariquinha.
Não atender celular, nem acessar a internet.
Estar num tempo que não existe mais.
E tantas outras coisas ...
Curiosidades de Cisneiros - 1

- Quando Cisneiros não tinha calçamento, ali perto da onde hoje fica a Praça Antônio Finamore, existiam várias árvores, onde as pessoas que vinham das roças, deixavam amarrados seus cavalos.

- A primeira rua de Cisneiros a ter calçamento de paralepípedos foi o trecho de frente a venda do Sr. Jamil Jorge Salum, casa da estação, açouge do Carlinhos Guedes e casa do Filinho Finamore. Não consegui precisar a data que foi realizado, mas por volta de 1970.

- E em 1986, o calçamento começou a ser executado. Surgiu então, boatos de que seria proibido a circulação de carro-de-boi nas ruas, para não estragar o calçamento. E boatos, sempre circularam em Cisneiros.

- Um tradição que continua sendo preservada é o comércio. Em Cisneiros nas vendas, você pede a mercadoria no balcão. Na farmácia do Evaldo de Souza Lima, também.
Histórias nas fotos

Os chineses já diziam há milhares de anos: "uma imagem vale por mil palavras". E isto pode-se dizer das últimas fotos publicadas no blog e enviadas por Denis Medina Guedes. Invocou um tempo bom que não volta mais.

A primeira, Lucinho entrega a Filinho Finamore o certificado de premiação do Concurso Leiteiro. Quem se lembra de como era acirrada a disputa para ter a vaca que produzia mais leite? Os que sempre concorriam: Wiliam Nogueira, Filinho Finamore, Jair Lima, José Roberto Lima, Vicente Gonçalves, José Gonçalves e outros fazendeiros. O palanque desta premiação sempre montado em frente a caixa d’água da ferrovia, próximo ao Bar do Zé Mariquinha.

A segunda, a foto dos cartazes da campanha de Mário Celso para prefeito e Mário Lúcio(Lucinho) para vice-prefeito. Em 1982, o PT participou em Palma também da primeira eleição municipal, tendo como candidato à prefeito, o mais conhecido por Touro.

A terceira, da famosa enchente do Rio Pomba em 1979. O rio encheu tanto que vários pontos de Cisneiros foram alagados. Do lado esquerdo da foto, a casa de Josélia Pires e nesta época, na parte da esquina, funcionava uma loja de produtos veterinários do Robertinho. Observa-se que a maioria das pessoas andavam descalças. Eu mesmo andei muitas vezes descalço nas ruas de Cisneiros, quando criança. E lembro que era muito divertido nos dias de chuvas, correr e ficar pisando na lama. Velhos tempos!!!

A quarta, foto dos vereadores da Câmara Municipal de Palma. Lucinho no começo de sua carreira política. E o sr. Jamil Jorge Salum, que além de ter sido vereador, foi depois vice-prefeito de Luiz Gonzaga Teixeira de Barros e, comerciante muito conhecido em Cisneiros.

Estas fotos contam da história de Cisneiros naquele final de anos 70 e início dos 80.

domingo, agosto 27, 2006

Três meses!!!

Amanhã vai fazer três meses que iniciei a publicação deste blog. No começo, achei não ter fôlego para ir muito longe. Embora tivesse pesquisado a história de Cisneiros, Palma e Itapiruçú por anos, acreditava que o tema era restrito e não teria grandes novidades a apresentar e descobrir.

E, hoje vejo o quanto estava enganado. A cada semana podemos ver o progresso. E isto tem sido possível com a colaboração dos leitores.

Devo ir a Cisneiros no mês que vem, onde pretendo fazer algumas entrevistas. Várias pessoas já deixaram depoimentos e fotos para serem publicados. Em setembro, com certeza, teremos muitas novidades.

Escrever este blog está sendo gratificante pelos e-mails e mensagens que recebo. Muito bom saber que as pessoas se emocionam ao ler sobre seus antepassados e passam a se interessar mais por Cisneiros.

E mais uma vez, não posso deixar de agradecer aos colaboradores assíduos deste blog: Ana Clara Fagundes Finamore Frederic e Sidney Eduardo Affonso.

E vamos continuar contando. Cisneiros têm muita história!!!
Antigo colégio de Cisneiros

Não foi possível determinar a data em que esta foto foi tirada.

Agradeço a Denis Medina Guedes que enviou a foto

Fotos antigas

Premiação da Exposição de Cisneiros. Da esquerda para direita: não reconhecido, Afonso Ferreira Leite, não reconhecido, Filinho Finamore, não reconhecido, Vinícius Finamore, Mário Lúcio Guedes, Jamil Jorge Salum e Domingos Guedes. A data não foi identificada, mas deve ser entre 1979 e 1984.

Mário Celso e Mário Lúcio Guedes(Lucinho), campanha para prefeito de 1982.

A famosa enchente de 1979. Foto tirada da varanda da casa de Mário Medina.


Em pé da direita para a esquerda: Mário Lucio Guedes, José de Freitas Pinto, Élcio Macenes Silva, Teófilo Rodrigues Pinto, José Antinareli.
Sentados da esquerda para a direita: Erotides Pereira Afonso, Jamil Jorge Salum, José Barbosa Sobrinho e Geraldo Simões. A data não foi identificada, mas deve ser entre 1974 e 1982.

Agradeço a Denis Medina Guedes que enviou as fotos.

sexta-feira, agosto 25, 2006

O louco que matava

Faz muito tempo. Num sítio tinha um rapaz tinha o sonho de se tornar um astro da música sertaneja. Batalhou muitos anos para aprender a tocar e cantar, mas lhe faltava o talento. E acabou apresentando sinais de desequilíbrio mental. O fato foi comunicado à polícia de Palma e destacado dois soldados para o conduzirem a um hospital para tratamento, quando apareceu dois cisneirenses dizendo que isto seria desnecessário eles mesmo iriam até o sítio e levariam o rapaz.

Os dois corajosos cisneirenses foram até o sítio e o rapaz estava agachado no terreiro. Desceram do carro e ao se aproximarem, o rapaz levantou a cabeça e disse: "quer ver como se mata um homem?".

Os dois ficaram apavorados e correram de volta para o carro. Ligaram para polícia e pediram os soldados.

Este fato foi motivo de piadas por muito tempo.

quinta-feira, agosto 24, 2006

As brigas no futebol

Aquele campo que fica próximo da Ponte de Ferro foi fechado várias vezes por motivo de brigas. No final dos anos 70, aconteciam jogos todos os domingos. Tinha até uma barraca para venda de bebidas debaixo de uma árvore, do Manoel Costa.
Num partida contra o time de Campelo aconteceu uma briga, onde choveu pedra e, sairam algumas pessoas feridas. O campo foi fechado por vários anos.
Em 1984, devido a distância do campo do Filinho Finamore, foi aberto novamente. Correu tranquilo por um bom tempo até que em um sábado aconteceu um discussão entre os jogadores.
Um deles, furioso foi embora e o jogo continuou. Minutos depois aquele jogador que tinha ido embora voltou com uma espingarda. Pânico geral. Era jogador correndo para tudo quanto é lado. Alguns de tanto medo se feriram ao passar pelas cercas de arame farpado.
O jogador com a espingarda na mão e gago, dizia: "queeeeemmmm fooooor hoooomemmmm qqqqqquuuuueeeeee fififififica naaaaa freeeeente". Em seguida o pai dele chegou e com calma lhe tomou a espingarda. Nesta hora alguns jogadores fujões ficaram valentes.
Acabou tudo bem, mas desta vez o campo não ficou fechado.

Existem muitas histórias engraçadas de brigas em Cisneiros. Quem não conhece, ao ouvir as discussões, pensa que vai acontecer uma tragédia, mas no final tudo fica bem. E a arma dessas ameaças é sempre "uma foice amolada".
Comentário interessante

Aparecida de Fátima Antunes Pacheco deixou um comentário interessante, onde divulgo meu outro blog. Como sei que às vezes, muitos leitores não tem o hábito de ler estes comentários, publico na integra:
Fiquei emocionada em ver uma comunidade sobre nossa inesquecível cisneiros.Minha fámilia é de lá...nasci em cisneiros,e vivi até os tres anos de idade nessa terra maravihosa...Retornei muitas vezes...Acho que encontrei parentes,pois Ercília e Jacy referido nos comentáris são meus parentes.Ercília é sobrinha de minha mãe(já falecida)Arminda Antunes Pacheco.Sou sobrinha da Ben-Ben...O pai da Ercília,tio Pedro...era irmão da minha mãe.Sou afilhada da Totinha...prima do Orlando que mora em Muriaé,M.G...Tenho tambem parentes em Palma...Tia Cassinha,mãe da Elinéia e Sidneia...Gente...estou muito emocionada...gostaria muito de encontrar o restante de minha família...Alguem me ajude,por favor...Moro em Miracema,Estado do Rio de Janeiro...Sou irmã do José Pacheco,Jurandir,e Graça...Sei que tenho uma tia em Astolfo Dutra...E a tia Lurdes de Cisneiros...(nos deixou a muito tempo,e tia Ben-Ben não ta nada bem.Visitei-a em Muriaé,quando esteve enternada.Brinquei muito na estação,adorava a rosca de polvilho,subir nos pés de manga,e brincar com meus primos nas ruas de cisneiros.SAUDADES -Cida.
Apanhou por engano

Um dia, o Frederico, filho do Walter Finamore sumiu. E meu tio Marcelo era muito parecido com ele quando pequeno, a ponto de serem confundidos. Depois de muito procurar e não encontrar, Walter Finamore estava aborrecido, quando avistou um menino que pensava ser seu filho. Não deixou por menos, começou a brigar e a bater nele. Depois de muito bater, olhou no rosto do menino e percebeu o engano.
Embora tivesse causado transtorno e dor, hoje provocou grandes gargalhadas. E Marcelo mesmo diz: "o Sr. Walter na época podia não saber porque me batia, mas eu sabia porque apanhava, pois sempre fui um menino travesso".

Daniela Fialho Barreto
Histórias de crianças

Conversando com meu pai meu pai, perdemos horas relembrando algumas das velhas histórias de seu tempo de menino. As que mais me encantaram foi a da malhação ao Judas, quando ele e alguns meninos saiam para recolher alguns objetos. Dividiam em dois grupos e, um deles foi para o lado oposto, e estava um dos filhos do sr. Olinto Gonçalves. O grupo em que estava meu pai resolveu entrar e pegar algumas laranjas. Ao se reencontrarem foram saboreá-las e o filho do Sr. Olinto, na segunda laranja exclamou: "ué, estas laranjas tem gosto lá de casa". E todos negaram.
Ao terminarem de chupar, não aguentando mais a vontade de rir, disseram que realmente tinha gosto mesmo da sua casa. E todos cairam na gargalhada.

Daniela Fialho Barreto

quarta-feira, agosto 23, 2006

Concorrência dos pães

A padaria do Delinho em Cisneiros existe há mais de 20 anos. Inicialmente funcionava no prédio do lado da casa do Evaldo de Souza Lima, farmacêutico. Depois mudou para um prédio atrás do bar do Muri e, por último no prédio em frente a Praça Antônio Finamore.
Por volta de 1983 existiam duas padarias em Cisneiros e como a clientela não era muito grande, iniciou-se uma verdadeira disputa pelo mercado. Os pães maiores e mais bonitos e, com uma variedade muito grande. Inclusive existiam vendedores nas ruas e nos sítios próximos do povoado. E os vendedores ofereciam pão fresco várias vezes durante o dia. Mas em poucos meses ficou somente a padaria do Delinho.

terça-feira, agosto 22, 2006

Cheiro de manga

Minha maior lembrança de Cisneiros é essa: manga. Aos montes. Como sempre íamos nos férias e era época de manga, ir a Cisneiros significava nos fartar de manga - e sem minha mãe regulando se tínhamos tomado leite, comido queijo, passado manteiga no pão (naquela época, qualquer coisa que tivesse leite misturada com manga matava - menos em Cisneiros, eu suponho). É estranho ir a Cisneiros e não sentir o cheiro de manga ubá (carlotinha) no ar.

Sidney Eduardo Affonso
Depoimentos sobre Cisneiros

Depoimentos como o de Daniela Fialho Barreto e Ana Clara Fagundes Finamore Frederic, enriquecem cada vez mais o conteúdo da comunidade "Eu amo Cisneiros", como também do blog.
Cisneiros é um lugar pequeno mas que fica marcado na mente e no coração de quem nasce lá, ou conhece por intermédio de um amigo ou parente.
E este trabalho de contar as histórias e resgatar a memória é muito importante para se identificar como povo. É ter orgulho de um lugar onde não somos apenas mais um. É um lugar onde seu pais, avôs e até bisavôs são lembrados com muito respeito e carinho. Estas lembranças: fragmentos de acontecimentos, o sabor das comidas, um causo, uma brincadeira, são elementos da história da nossa história.
Vendedor de limões e laranjas

O Jaques Titonelli escreveu no orkut que esteve no com o Zé Mariquinha neste final de semana e este o contou da época em que eu vendia limão, do sítio do meu avô Joaquim Batista e, ficava com o dinheiro. Isto é verdade, desde garoto meu avô me incentivava a aprender trabalhar. No início as vendas eram divididas meio-a-meio e, depois de um tempo passei a ficar com todo o faturamento.
Além de limão, de junho a setembro, vendia laranjas e os melhores fregueses a Leni, esposa do Josias Gouvêa; o Elias, filho do Sr. Jamil e também o Zé Mariquinha.
Bons tempos aqueles!
Eu amo Cisneiros por Daniela Fialho Barreto

Falar de Cisneiros é um grande orgulho para mim, pois lá é a terra do meu pai, e de lá que tenho as grandes recordações de minha vida, foi de lá que muitas vezes tirei forças para continuar a seguir, e de lá que falo para o meu marido sobre o que é um lugar para viver e se criar filhos. Conto sobre liberdade e vida e daí conto histórias para o meu filho sobre ser realmente uma criança feliz, como não lembrar das tardes incansáveis de bingo na casa da minha vô Nega, das doces bagunças no quintal, correndo atrás das galinhas, ou se não, subindo no pé de cajá, jabuticaba ou da fruta que estivesse lá no pé prontinha para ser deliciada sem nenhuma contaminação. Ou dos jogos de vôlei no velho armazém, aquele café da manhã maravilhoso regado a café-com-leite, manteiga puríssima, queijo e o velho famoso pão tatú quentinho.
Ou então o ki-suco na hora do almoço com inesquecível macarrão da vovó. Caramba quantas lembranças. Com certeza quem passou por lá têm uma história prá contar. Ou do pontilhão. Ou da roda d'agua ou simplesmente de uma pequena aventura que não pode escapar, pois o lugar é tão mágico que ninguém sai sem histórias prá contar.
Um amigo meu não acreditava no que eu dizia a ele sobre lá até então lá chegar e ele disse que do pôr do sol do pontilhão nunca mais ia se olvidar, pois além de maravilhoso podia até mesmo se ouvir o seu som e que aquela viagem tinha sido uma das mais encantadoras de sua vida e sempre que nos falamos ele me pergunta quando podemos voltar, sem contar do tempero mineiro que ele disse que outro melhor não há. Nisso eu tenho que concordar. Oh que saudade daquele feijão com arroz da tia Ercilia, do macarrão que vovô fazia, da batata temperada do tio Jacy, temperos estes que de longe já se sentia. Tudo que eu peço a Deus é que um dia eu possa regressar a este lindo lugar para mostrar aos que amo(meu marido e meus filhos) que ainda se existe um lugar encantado para gente passear. Bem, acho melhor parar por aqui. Um dia conto um pouco mais.

Agradeço a Daniela Fialho Barreto de New Jersey(EUA) que autorizou a publicação neste blog

segunda-feira, agosto 21, 2006

Newton de Souza

Quem não se lembra do Newton de Souza? Uma pessoa de bem com vida e como adorava Cisneiros. E sempre participava dos eventos, não deixando de colaborar.
Em posts anteriores é publicado dois poemas que fez quando foi para Manhuaçú trabalhar e teve que deixar Cisneiros, sua terra querida.
Newton de Souza, um cisneirense que deixou saudades!
SEMPRE CISNEIRENSE

Uma curva ao longe
Traga a visão de meu berço
E uma dor tão forte
Em meu peito tem começo

Uma lágrima quente
Sinto rolar num impulso
E sem conter o pranto
Choro alto e soluço

Meu lencinho branco
Nesta curva tão fatal
Agito-o num aceno
Adeus meu berço natal

Adeus capelinha branca
Adeus Rio Pomba altaneiro
Adeus, ó meu pé de jaca
Adeus meu lindo CISNEIROS!

De ti lembrarei constante
Pois você me viu nascer
Serei sempre cisneirense
E aí irei morrer.

Newton de Souza 03/05/1971


Agradeço a Sergina Mayrinck e Virginia Mayrinck Farah, filhas do Newton de Souza
MEU CISNEIRINHOS

C insneiros, paraíso de teus filhos
I nvejo a sorte de quem aí fica
S em ter que seguir por outros trilhos
N ada é mais doce que pisar teu solo
E nadar risonho em teu Rio Pomba
I nda que pouco, me pegue em teu colo
R ememorando o tempo já ido
O utros virão, e você Cisneiros
S erá na certa o sempre berço amigo

Newton de Souza 20/04/1971

Agradeço a Sergina Mayrinck e Virginia Mayrinck Farah, filhas do Newton de Souza

domingo, agosto 20, 2006

Eu amo Cisneiros por Ana Clara Fagundes Finamore Frederic

Porque lá para mim é sinônimo de liberdade, de alegria, de gente falando, de gente alegre e de bem com a vida. Lá é onde posso por minhas havaianas e sair sem rumo e sem hora para nada e sem hora para voltar.Lugar de encontrar a família, tomar café na varanda da minha avó como disse a Marivan , de ter longos almoços com a família. Lugar de lembrar que não existe celular, que ele não vai tocar hora nenhuma mas o computador faz falta....nada é perfeito.Esquecer que existe TV.Quando criança andava livre por tudo quanto é lugar sem meus pais ficarem preocupados , gostava de tomar picolé no bar do Muri, andar pela linha do trem , cheguei a ir até Itapiruçu de trem. Entrava nos vagões abandonados e depois era um sufoco para sair de lá de dentro por causa da altura. Ver as pessoas pularem da ponte mas nunca tive coragem. Tomar banho na prainha era uma farra. Ir no sítio do tio Filinho tirar leite da vaca, no sítio do tio Afonso, chupar laranja tirada do pé na hora.E no quintal da vó Gonia que eu comia, manga, romã, cajá-manga, abil, jabuticaba, corria atrás dos gansos bravos que ela tinha. Fazer bagunça sem a Nilza saber por que ela ficava brava se bagunçávamos a casa que ela limpava com tanto esmero. Depois virei adolescente fui em alguns bailes em Palma. Tinha um tal de Toco Preto em Cisneiros, alguém lembra de lá?Aí veio a notícia de que mudaria para São Paulo por causa do trabalho do meu pai, chorei porque sabia que não iria mais lá com tanta frequência e foi o que aconteceu, fiquei 5 anos sem ir e nesses 23 anos que estou aqui fui lá somente 6 vezes para quem ia quase todo final de semana é muito doloroso para mim.Sempre falei de lá para meus filhos , o dia que conheceram, um tinha, 7 e ou outro 5 na época ficaram maravilhados com a liberdade que aqui não têm. Às vezes sinto pena deles não terem o que tive na minha infância, sei que as coisa mudaram mas é que era bom demais. A última vez que fui lá em janeiro do ano passado dei dinheiro para eles comerem hambúrguer num trailer que tinha na pracinha. Comeram eles e uns primos, ficaram assustados com os valores, baixos demais para quem mora em SP mas disseram que foi o melhor hambúrguer da vida deles.Quando entrei no orkut em julho do ano passado, meus filhos falaram mãe você pode criar comunidades, mas na hora pensei em Cisneiros e a criei naquele exato momento. Acho que fiz a coisa certa.Hoje falei mais um pouquinho, qualquer dia desses me animo e falo mais, tá bom?
Escrevendo na web

Tenho outro blog onde escrevo sobre diversos assuntos.

sexta-feira, agosto 18, 2006

As ruas de terra

Os jovens nem se lembram, mas até por volta de 1986, as ruas de Cisneiros eram todas de terra e quando não tinha lama, tinha poeira.
Uma vez estava com meu pai, voltando do sítio na região do Ouro, de charrete quando logo após a curva da serraria do Moacir, vinha em sentido contrário à pé, Sebastião Jovem, já falecido e, que tinha o apelido de Bastião Bengala. Meu pai chicoteou o cavalo e ao chegar na sua direção jogou a charrete numa poça e o Sebastião ficou todo enlameado. Xingou muito e meu pai ria sem parar. Eram primos.
Quando alguém lhe chamava por este apelido, Sebastião Jovem ficava possesso e em muitos casos, chamava para a briga.
Trabalhou por muitos anos no sítio do farmacêutico, Evaldo de Souza Lima.
A evolução do crédito

Dizem em tempos antigos o documento de crédito mais importante era o fio do bigode. Os métodos de concessão de crédito mudaram muito. Lembro, quando garoto em Cisneiros, meu pai tinha uma caderneta na venda do Sr. Juca Salum e, fazia as compras, pagando no final de cada mês. Muitos ficavam com a caderneta em aberto por até seis meses e quando colhiam sua lavoura, quitavam seus débitos. Hoje a maneira de fazer isto é usar o cartão de crédito e uma vez por mês receber a fatura. Compra-se em todo lugar, sem precisar ser conhecido, novos tempos.
Meu avô, Joaquim Batista Ferreira, morador de Cisneiros, sempre reclamava e dizia que o bom era morar numa cidade grande onde tudo era pago com dinheiro, sem a praga do fiado e o tempo provou que ele estava enganado, nunca na história do mundo se comprou fiado como hoje.
E junto com o crédito, existe o calote. Em Palma, quem não se lembra da tabuleta que o Mário Simão pendurava, com o nome de todos seus clientes caloteiros.

quinta-feira, agosto 17, 2006

O bicho Tapirussú

No livro "Historia de uma viagem a terra do Brasil" de Jean de Lery de 1578, traduzido por Monteiro Lobato e publicado pela Companhia Editora Nacional em 1926, o início do Capítulo X:

VEAÇÃO, SERPENTES E OUTROS ANIMAES MONSTRUOSOS DA AMERICA

Para começar este capitulo direi que não existe nas terras do Brasil um só animal em tudo e por tudo semelhante aos nossos, e principiarei por descrever os que os tupinambás genericamente chamam sóo e lhes servem de alimentação. O mais commum é o tapirussú de pello avermelhado e tamanho quasi igual as vaccas, mas sem chifres, pescoço mais curto, pernas mais finas, orelhas pendentes e pés de casco inteiriço como o do asno. É caso de dizer-se que participa de ambas as alimarias e é semi-vacca e semi-asno. Todavia ainda differe de ambos na cauda, que é muito curta (e noto que na America se encontram muitos animaes sem cauda) e nos dentes, que são mais cortantes e agudos.
Não é, entretanto, animal perigoso, porisso que sua defeza está na fuga.
Os selvagens os caçam a flecha ou os apanham em armadilhas feitas com muita industria. Não só pela carne, como ainda pelo couro, é muito estimado dos indios que deste se utilisam para uma especie de escudo que os defende na guerra das settas inimigas.
Com effeito, esse couro depois de secco fica tão duro que não creio haja flecha, por mais violentamente arremessada, que consiga varal-o. No meu regresso á França trouxe dois desses broqueis, mas quando a fome nos assaltou no caminho, e os viveres faltaram de todo, depois de comermos quanto bugio, papagaio e mais alimarias traziamos, tivemos que roer esses escudos tostados na braza, o mesmo succedendo com tudo que era de couro a bordo, como a seu tempo contarei.
A carne do tapirussú tem o mesmo gosto da carne de vacca, e, quanto ao modo de preparal-a, os selvagens a moqueam na forma do costume. Consiste este systema em dois pares de forquilhas, grossas como braço, fincadas no chão, em quadro, á distancia de tres pés e á altura de dois e meio; sobre ellas assentam-se varas com o espaço de uma pollegada entre uma e outra, formando uma grande grelha. É isto o moquem. Collocam em cima a carne e accendem em baixo um fogo lento, sem fumaça; vão voltando a carne de quarto em quarto de hora até que esteja bem assada.
Como não usam sal, o meio de conservar a carne é este.
A maçonaria

Sempre esteve presente na história de Minas Gerais e ao lado da busca da liberdade. Na Inconfidência Mineira todos os participantes do movimento e até mesmo o traidor, Joaquim Silvério dos Reis eram maçons.
O grande escultor Aleijandinho e o desbravador dos sertões do leste e fundador de muitas cidades, Thomaz Guido Marliére também.
Pode-se observar que a bandeira do estado de Minas Gerais é inspirada nesta sociedade: o triângulo no centro da bandeira é o mesmo do delta luminoso, o Olho da Sabedoria.
A proclamação da república seus principais líderes participavam da maçonaria e inclusive, o primeiro ministério, sem nenhuma exceção, era composto de maçons.
Em Cisneiros existiu uma Loja Maçonica e, não tenho certeza, mas deve ter sido fundada por membros da família Costa Mattos. Em Palma existe há muitos anos e funciona até hoje.
BLOG E LITERATURA , BLOG É LITERATURA ?

Acontece em São Paulo neste final de semana a Primavera dos Livros e no sábado, às 17 horas, o debate "BLOG E LITERATURA , BLOG É LITERATURA ?" com a presença de Bruna Surfistinha, escritora; Índigo, escritora; Ivana Arruda Leite, escritora; Rosana Hermann, jornalista e escritora.
O moderador será Marcelo Duarte, jornalista, escritor e editor da Panda Books.
Arraial Velho foi um dos nomes de Itapiruçú?

O site de Nilza Cantoni sobre a História de Leopoldina tem um artigo sobre Itapiruçú . A respeito da origem do nome, existem muitas versões, como pode ser conferido em posts anteriores deste blog. Até o momento não existem informações à respeito da escritura do terreno do patrimônio e de como ocorreu esta doação.
Em uma escritura do cartório de Notas do Capivara, do ano de 1882, isto é, um ano antes da criação do distrito com o nome de Tapirussú, o local é chamado de Arraial Velho. O interessante é que um dos primeiros nomes de Cisneiros foi Arraial Novo e pela proximidade(3 quilômetros), devia ser usado estes nomes para diferenciar. E quando veio a ferrovia e inagurada a estação em 11 de maio de 1883, em Cisneiros, esta recebeu o nome de "Estação do Tapirussú" e, acredito que isto devido à proximidade.
Acredito, ser quase impossível descobrir por que isto aconteceu e só nos resta fazer hipóteses. Será que os engenheiros pensavam que a localidade cresceria e os dois povoados tornariam um só?
E a ligação dos dois povoados, na época, feita por uma barca.
A formação acadêmica de Firmo de Araújo

Em 1859, Firmo de Araújo foi matriculado na escola do professor Bartolomeu Cordovil Siqueira e Mello, em Santo Antônio de Pádua. Em 1862 iniciou o curso de Humanidades no Colégio Victor Renault.
E, este fato não consegui comprovação, deve ter sido aluno do professor Pierre Victor Renault. Acredito que os ideais republicanos tanto de Firmo como de outros alunos deste colégio, muitos dos quais, exerceram cargos importantes no estado de Minas Gerais após a proclamação da república, devem ter sido influenciados pelas idéias deste grande professor francês.
E a passagem de Firmo de Araújo por este colégio, onde fez amizades com o Dr. Bias Fortes, João Pinheiro, entre outros, pessoas que se destacaram e ajudaram na criação do município de Palma.
E devia ter uma formação acadêmica muito boa, visto que a grade curricular deste colégio incluia latim, francês, filosofia, história, geografia, entre outras matérias. E a qualidade de seu ensino alcançou fama. É quase certo que conhecesse bem a história de Roma, os grandes filósofos gregos e, principalmente Maquiavel.
Contam que Firmo de Araújo, cumpria seu expediente na prefeitura até por volta de 15 horas, quando voltava à sua fazenda e passava o resto da tarde lendo os jornais e cartas que recebia.
Seu secretário, Jeremias de Araújo Pereira, escreveu inúmeros artigos na imprensa regional e nos últimos anos, sempre para defender Firmo de inúmeras acusações. Jeremias ainda escreveu um diário contando muitas coisas que se passaram naquela época e o livro de Mauricio Monteiro é baseado em muitas destas informações.
Rua Cisneiros em São Paulo(SP)

Sabendo da existência desta rua na capital paulista, e pelo Dicionário de Ruas, informa ser uma homenagem ao distrito, fomos lá para conferir. As ruas vizinhas os nomes são todos homenagens a pequenas localidades do estado de Minas Gerais.

Rua Cisneiros em São Paulo(SP)

A Rua Cisneiros fica no bairro de São Mateus, não no Tatuapé como informa o site. Localiza-se na Zona Leste, periferia, uma região muito carente.

Marcelo Alexandre Maciel, nosso repórter-fotográfico, conversou com três pessoas e eles não sabiam o motivo da rua onde moram, ter o nome de Cisneiros. A imagem acima está um pouco escura, devido a placa ter sido fotografada à noite.

quarta-feira, agosto 16, 2006

Balanço

Está sendo muito gratificante escrever este blog. Desde quando comecei na última semana de maio, imaginei não ter fôlego para ir muito longe, devido à falta de leitores e o assunto ser limitado.
Quanto aos leitores, não tenho tanta certeza, porque o retorno por meio de comentários e e-mails é pequeno.
Agora, quanto ao assunto, me enganei. Cisneiros e Palma têm muita história e a cada semana novas descobertas acontecem. E fatos e mais fatos vão aparecendo da memória das pessoas, dos documentos e, os artigos vão sendo escritos. Incrível, até o momento, este blog conta com mais de 300 posts e as minhas projeções mais otimistas, chegariam a 200, no máximo. E ainda tenho muito o que escrever.
Nas próximas semanas, devo ir à Cisneiros e Palma e, estou programando algumas entrevistas e recolher material documental. E, acredito que deva ter material para continuar escrevendo por mais uns três meses.
Tenho muito que agradecer a todas as pessoas que colaboraram e continuam colaborando e entre elas duas das quais tenho contato quase diário: Ana Clara Fagundes Finamore Frederic e Sidney Eduardo Affonso.
A Ana Clara sempre sugerindo assuntos, coletando informações e incentivando para que este trabalho continue.
E Sidney por ser um leitor assíduo, enviou alguns textos que enriqueceram o conteúdo do blog e sempre comenta os artigos, proporcionando assim, melhora constante na qualidade dos textos.
Ainda que tivesse somente um leitor, valeria a pena continuar escrevendo sobre Cisneiros e Palma.
A todos, leitores e colaboradores, meu muito obrigado!
Marcaux ou Maraux?

No post anterior, comento sobre o livro de Vicent Maraux e no registro de casamento de Mario Cysneiros e Elvira Cysneiro da Costa Reis entre outros, estavam presentes: Cecilia Marcaux da Costa, Lydia Marcaux Costa e Brazilia Renault. Será que são parentes de Pedro Renault? Não consegui descobrir se Pedro Renault tinha filhos, na sua certidão de óbito não consta esta informação.
E ainda fica a dúvida se o correto é Marcaux ou Maraux.

terça-feira, agosto 15, 2006

Pierre Victor Renault

Em posts anteriores já havia comentando sobre Pedro Renault que teve hotel e foi o primeiro escrivão de Cisneiros.

Encontrei na internet o livro "Pierre Victor Renault Um pioneiro francês no século XIX 1811-1892" e escrito pelo francês Vicent Maraux que conta a história da vida de seu pai, Pierre Victor Renault, que havia imigrado da França para o Brasil e exercido aqui o cargo de engenheiro de minas e grande educador. Fundou em Barbacena, o colégio Victor Renault, sendo seu principal professor, onde estudaram grandes políticos mineiros. Não dispondo de manuais adequados, escreveu um livro sobre aplicação do sistema métrico decimal, publicado no Brasil e na França. Escreveu também "Tesouros e famílias" um tipo de enciclopédia abrangendo os mais diversos assuntos, com 864 páginas e, também publicando tanto no Brasil com na França. Além destas duas obras, criou um método fácil de aprender a ler em quinze lições e um resumo de história e geografia, o tornando ainda mais famoso.

O autor Vicent Maraux comenta que ao pesquisar arquivos familiares descobriu um tal de Pierre Victor Renault, nascido em Metz em 1811 e que seu pai fez o seguinte comentário no livro da família: "graves erros de juventude fizeram-no ir para o Brasil onde exerceu as funções de engenheiro e adquiriu a estima e consideração. Atacado por uma doença mais moral que física, seu médico fez com que ele se casasse com sua filha Antonia de Araujo em dezembro de 1840". Na França seu pai exercia cargo político e era monarquista. Os "graves erros de juventude" do filho eram suas idéias republicanas e para solucionar, o embarcou para o Brasil, como diz o livro, sem derramar uma lágrima.

E um trecho do livro, relaciona seus filhos de Pierre Victor Renault e um deles:

"- Pedro Victor, comerciante em Cysneiros no estado de Minas, tinha casado com Cecilia Magalhães em 6 de junho de 1867. A noiva também tinha a idade de dezesseis anos. Na época as jovens se casavam cedo no Brasil.
Todos estes casamentos ocorreram em Barbacena e foram responsáveis por grandes satisfações na casa de Pierre-Victor e de Antônia".

Nos últimos anos de vida dedicou-se ao que mais gostava: a botânica. Faleceu aos 81 anos em 17 de outubro de 1892, deixando uma enorme descendência, alguns famosos como o poeta mineiro Abgar Renault, ministro da educação e membro da Academia Brasileira de Letras. E Gérard Renault que foi secretário da agricultura em Minas Gerais e deputado federal.

A família Araújo de Barbacena, uma das fundadoras da cidade e o coronel Firmo de Araújo Pereira pertencia a esta mesma família e foi aluno do colégio Victor Renault. O livro de Vicent Maraux está disponível para download gratuito na internet em francês e português. E neste mesmo site existe a carta enviada por Pierre Victor Renault a seu irmão Léon em 1877 e depois encontrada na França.

Existem muitos descendentes de Pierre Victor Renault no Brasil, inclusive em Palma(MG).

Marliére e a Estrada do Presídio

Guido Thomaz Marliére morou em São João Batista do Presídio (Visconde do Rio Branco) até 1816, quando transferiu para GUIDOWALD ( em alemão significa "Floresta de Guido") e ali ergueu seu Quartel. Próximo a este quartel tinha uma fazenda de 252 alqueires, onde vivia com sua esposa D. Maria Victoria e seu filho adotivo, Leopoldo Guido Marliére e, que pouco cuidava devido ao tempo que dispendia no cumprimento de suas missões.
Em 1812, o Capitão Gonçalo Gomes Barreto, fazendeiro de muitos recursos e senhor de escravos, morador na Fazenda Cachoeira, junto ao rio Xopotó, distante quatro quilômetros da atual cidade de Visconde do Rio Branco, solicitou a criação da estrada ligando Visconde do Rio Branco a Campos dos Goitacazes, no Rio de Janeiro. Esta estrada seria aberta mais tarde sob o comando de Guido Thomaz Marliére e que teve muita importância no comércio da região, perdendo somente com o início das ferrovias por volta de 1870.
Algumas dúvidas?

Persistem algumas dúvidas à respeito do Dr. Bernardo Cysneiro. A primeira delas é se Brazilia Renault era realmente sua filha. Outra é que em sua tese de doutoramento faz uma homenagem ao cunhado, o Dr. Manuel Thomaz B. Côrte Real, sendo que temos conhecido de duas irmãs e ambas declaradas como solteiras e um irmão, o Dr. Antônio Pedro Cysneiro da Costa Reis.
Outra que ainda não consegui achar resposta é como vieram parar nesta região tantos bacharéis e médicos nordestinos?
E também o por que do nome da Rua Niterói em Cisneiros.
Se algum leitor tiver estas respostas, me envie e-mail.
Obrigado!

segunda-feira, agosto 14, 2006

Faculdade de Medicina da Bahia

Abaixo fotos da Faculdade de Medicina da Bahia, onde estudaram o Dr. Bernardo Tolentino Cysneiro da Costa Reis e Dr. Ignacio Amorim de Antuterpio.
As fotos foram uma gentileza do nosso amigo, Amauri Cysneiros do Amaral.

Faculdade de Medicina da Bahia - Salvador(BA) no dia 12 de agosto de 2006
Tese de doutoramento Dr. Ignacio de Amorim Antuterpio

Amauri Cysneiros do Amaral, aproveitou sua ida à Faculdade da Bahia e fotografou também as páginas iniciais da tese de doutoramento de Ignacio de Amorim Antuterpio, que clinicou por muitos anos em Itapiruçú, atendendo também em Cisneiros. Este médico era negro e foi bastante conceituado.
Agradeço ao Amauri, pela grande colaboração.









Fonte: Faculdade de Medicina da Bahia - Salvador(BA) - Imagens fotografadas por: Amauri Cysneiros do Amaral

Tese de doutoramento do Dr. Bernardo Cysneiro

Amauri Cysneiros do Amaral esteve dias atrás na Faculdade de Medicina da Bahia, em Salvador(BA) e fotografou as primeiras páginas da tese de doutoramento, apresentada pelo Dr. Bernardo Tolentino Cysneiro da Costa Reis, em novembro de 1871.
Agradeço ao Amauri, pela grande colaboração.









Fonte: Faculdade de Medicina da Bahia - Salvador(BA) - Imagens fotografadas por: Amauri Cysneiros do Amaral
Contatos com Cisneiros

No sábado passado, dia 12, liguei para Cisneiros e falei com minha mãe, Maria Luiza Ferreira Machado, e ela me contou muitas novidades e que muitas pessoas estão empolgadas e interessadas em colaborar neste nosso trabalho de recuperação da história e preservação da memória de nosso povo.
Disse que a Dona Namir Gonçalves separou algumas fotos antigas da escola, da Adelaide Guedes Amorim e da estação de trem em perfeito estado de conservação e vai nos emprestar para ser digitalizada.
A Lucélia Medina Guedes também disse ter gravado em vídeo vários lugares de Cisneiros e o depoimento de moradores antigos e colocou-nos à disposição. E ainda fotos antigas do time de Cisneiros, o Tabajara, que teve entre seus jogadores José Medina e Mário Medina.
O Beto da Boutique de Palma, ainda não tive contato, mas disseram que possui muitas fotos antigas da balsa que ligava Cisneiros a Itapiruçú, a construção daquela ponte e a inauguração nos anos 50. E também fotos da igreja de Cisneiros na construção original. E que Beto pretende montar um centro cultural com este material sobre a história do município de Palma.
E também que na escola de Cisneiros existe uma caixa cheia de fotos antigas da escola e de funcionários que lá trabalharam, como o senhor Adelino Fialho.
Dona Jotinha avisou minha mãe que tem muita coisa para contar e possuem uma foto da fazenda Aliança, antes da sua reforma.
Espero em breve ter este enorme acerto fotográfico na internet.
Dr. Bernardo Cysneiro no Senado

Na sessão do dia 04/06/1891, fez algumas observações e requereu ao presidente que fosse nominal a votação sobre o substitutivo do sr. Roquette, relativo à discriminação de rendas e o mesmo foi aprovado. Abaixo um trecho do que falou o senador Dr. Costa Reis:

Nós que no tempo da monarquia desfraldamos a bandeira da República, porque queríamos com ela as franquias municipais, não podemos renegar o nosso passado; não podemos deixar de fazer questão de vida e de morte pelo princípio cardial que nos atirou sem tréguas a ingentes lutas; pois, o contrário seria a continuação disfarçada da monarquia.
Sr. Presidente, se essa salutar e inadiável medida não passar neste Congresso, o que não creio, nós, os velhos propagandistas, desalentados, enrolaremos a pura bandeira a República e a confiaremos aos notáveis lidadores (dirigindo-se ao republicanos radicais), aos quais podemos dizer: fizemos com os nossos esforços a proclamação da República em pleno domínio da monarquia; é justo que agora façais da República uma realidade para o bem da nossa Pátria.

Fonte: Annaes do Congresso Constituinte Mineiro – Ouro Preto – Typographia d’O Movimento 1891.
Eleição para senador

O Dr. Bernardo Cysneiro concorreu na eleição para o senado em 10/03/1907 e recebeu no distrito de Cisneiros um total de 88 votos, perdendo para o Comendador Manoel Teixeira da Costa, com 89 votos. Seu filho, Alvaro Cysneiro da Costa Reis, atuou como mesário e seu futuro genro, Admár Guedes como escrivão interino.
Antônio Augusto Machado

Trabalhou por muitos anos como tropeiro e depois tornou-se agricultor em Cisneiros e moravam pelos lados da Braúna. Em suas terras também teve garimpo de ouro. Nascido por volta de 1842 em local indeterminado e falecido em 1937, conheceu toda esta região sem estrada de ferro e dizia lembrar dos conflitos com os índios que não aceitavam a ocupação do homem branco. E que muitas pessoas ficaram fascinadas com a chegada da ferrovia e outros nem tanto e, diziam não seria estrada de ferro, mas do inferno, onde as coisas ficariam mais difíceis e caras.
A polícia de Palma e Miracema

Anos após o assassinato de Firmo de Araújo ainda existiam divergências entre as autoridades de Palma e Miracema, como pode-se ler abaixo no artigo transcrito do jornal "Cataguazes". A divisa entre os dois estados nesta época já estava praticamente definida, mas mesmo assim, criminosos aproveitavam para ir de um lado a outro, deixando as autoridade impotentes, diante da necessidade de papéis autorizando o exercício de sua função.

Palma
"Covardia Assassina"
"O Bloco", pequeno porém, bem noticioso semanario que se publica em Miracema, prospero districto de Padua e limitrophe com este municipio, sob a epigraphe supra, estampou no noticiario de seu numero de 20 do corrente, a descripção de um assassinato barbaro e inqualificavel praticado por José Moreira Alvim, na fazenda "S. Pedro" d’aquelle districto.
Tratando do monstruoso crime e de seu barbaro autor, "O Bloco" descreve este como um criminoso reincidente e de temperamento exaltado, estygmatisando-o como bem merecem as féras humanas, que assim ri e perversamente procedem.
Quanto ao crime, em sua natureza,classifica-o com as cores rubras de que o mesmo se revestiu, capaz de revoltar a mais empredernida consciencia.
Referindo-se á acção da Policia de Miracema, nas pesquizas para descoberta do criminoso e sua captura, dá a entender o orgão citado, ter elle se homisiado no territorio deste municipio e que infructiferos foram os esforços do subdelegado local, sr. Francisco Homem, porque, as "autoridades mineiras, em vita da protecção de que gosa o assassino, dos politicos daquella terra, negaram-se a auxilial-os, allegando excesso de serviço e deficiencia de praças".
Bem e acertadamente andou o periodico miracemense, salvo no final de sua narrativa, que reproduzimos textualmente, em grypho. José Moreira Alvim, pertence a uma das maiores familias do municipio de Palma, tendo aqui em Palma poderoso nucleo de parentes, em sua maioria, aliás bem collocados.
Mas, por um desses falsos designios da sórte, é elle realmente um homem perigoso, graças á benevolencia do jury que o absolveu há 4 ou 5 annos, nesta comarca, quando não se fazia mysterio de outro delicto abominavel em que incorrera, ennodoando-se e salpicando lama nos seus, crime esse que não pudera ter correctivo, porquanto mais poderosa fôra a onda complacente, que, com esforço inaudito absolveu a que reclamava vindicta ou pretendia se desaggravar. A esses crimes, reune-se então o de agora, que fazem de seu autor um typo heterogeneo de monstro adequado a figurar em um galeria de phenomenos humanos ou n’um museu de delebridades".
Fechando este parenthesis, propositalmente aberto para algo dizermos do criminoso citado e de seus feitos, argumentaremos ligeiramente provando que "O Bloco", foi mal informado quanto ao final do noticiario citado. Não só José Moreira, não gosa da protecção das actuaes autoridades deste municipio, como estas tem por nórma agir com independencia e energia, sempre que sua acção seja reclamada, em termos e com as prescripções da Lei.
Sem, ao menos de leve, pretender menoscabar os predicados do Sr. Francisco Homem, cujo conceito, como autoridade zelosa no cumprimento dos deveres inherentes a seu cargo, transpõe seu districto e penetra em regiões distantes, somos forçados a confessar, que, se no caso vertente não recebeu elle o auxilio das autoridades de Palma, foi única e exclusivamente por escapar a estas competencias para proceder de accôrdo com a requisição feita para a captura de José Moreira.
O facto criminoso occorreu no dia 12 do mez de Junho hontem findo, em pleno dia. Só no dia seguinte, 13, ao anoitecer, foi o capm. Cesario Maldonado, activo delegado de policia deste Municipio, delle scientificado pelo telephonee, talvez pela razão de não ter sido facil, com os primeiros investigações, saber a autoridade de Miracema que fôra o autor do revoltante crime, porquanto, segundo informações que temos, o criminoso ameaça a suas testemunhas de vista, as quaes, só depois de muito tempo decorrido e com habilidade, fizeram exposição do facto, declinando o nome de seu autor.
O capm. Maldonado concedeu então permissão para que a policia de Miracema se internasse neste municipio e effectuasse a prisão do criminoso, deixando de mandar uma escolta, pedida como auxilio, por não ter força disponivel. Ainda que assim fizesse, não seria regular a providencia, porquanto já não era mais um caso de flagante delicto, visto ter se passado mais de 24 horas da consummação do crime.
No dia seguinte, 14 em officio, o capitão Maldonado, requisitou do subdelegado de Miracema, a remessa do mandado da autoridade competente, para que pudesse agir como de Lei. Sem resposta desse officio, a 15, recebeu outro da mesma autoridade e relativo ao caso.
Ora, escapando á competencia da autoridade policial intervir em casos dessa naturesa cuja diligencia só poderia ser feita á requisição de autoridade judiciará do municipio do crime, não vemos onde encontrar a desidia das autoridades mineiras.
Não sendo nosso proposito de, simplesmentes por teimosia contradictar o orgão Miracemense, e sim, trazer luz a um facto por elle narrado, talvez por informações erroneas, trazemos ao mesmo periodico a nossa adesão, pelo zelo e solicitude de que dá mostra, quando trata de crimes, que á Justiça compete apurar, para desaffronta da sociedade tão villipendiada em nossos dias.
È inconteste que habitamos um municipio já legendarios nos annaes do crime. Dahi, porém, não se infira que as autoridades de Palma formem alas com transgressores da Lei, sejam quaes foram elles, maxime agora, com o capm. Maldonado, o fantasma dos delinquentes, que, nos poucos mezes de sua gestão abarrotou a cadeia local de criminosos de toda especie, pronunciados há 10, 15 e 20 annos e que vagueavam desassombrado dente do proprio municipio, effectuando tambem, em Volta Grande, a prisão de um celebre Antonio Mathias, autor do estrangulamento de uma indefesa senhora, em Sabará, cujo jury acaba de conteplal-o com 30 annos de reclusão. "O Bloco" foi mal informado, não há duvida. A zelosa autoridade de Miracema terá sempre no delegado de Palma um bom auxiliar para a permuta de favores policiaes.
(Do correspondente)
Jornal Cataguazes – Nº 39 – 04/07/1915

sexta-feira, agosto 11, 2006

Guido Thomaz Marliére

O desbravamento desta região deveu-se a Guido Thomaz Marliére. Affranio de Mello Franco em sua obra “Guido Thomaz Marliére” escreve que ele deve ter nascido por volta de 1768, na região da Alsacia ou Lorena, na França. Esta dedução deve-se ao fato de preferir nomes alemães para designar lugares e aldeamentos.
Ao contrário do que já se escreveu, Guido Marliére não veio para o Brasil em 1808, junto com a Família Real e sim em 1807 na Corveta de João Marcos Vieira Araújo, para o Rio de Janeiro e depois para o Rio Grande do Sul, onde serviu no posto de Alferes da Cavalaria Ligeira. (Fonte: Pesquisa e notas de G. P. Araújo, documentos inéditos, publicado na Revista Chico Boticário - Ano I - Nº 1.)
Em 16 de março de 1813 foi nomeado tenente-agregado para os serviços dos índios, conforme portaria expedida pelo governador da provínica, Conde da Palma e na mesma obra de Affranio de Mello Franco escreve:
em que este mandou que elle partisse para o districto e Aldea S. João Baptista, hoje cidade de Rio Branco, afim de convocar os indios e averiguar os motivos e razões de suas queixas, assim como procurar, sem violencias que se lhes restituissem as terras injustamente occupadas pelos portuguezes e, finalmente, verificar o fundamento das apresentações dos ditos indios contra o vigario da Freguezia, accusado por elles de não ser prompto na administração dos sacramentos e de os ter reccusado a muito delles, principalmente o do baptismo.

A 07 de setembro de 1818 foi designado para inspecionar a 1ª e 4ª Divisões do Rio Doce e de estabelecer postos militares com fortificações passageiras nas margens do dito rio para defender os colonos dos ataques do botocudos.
Recebeu muitas condecorações pelo seu importante trabalho, realizado sempre com muita dedicação e zelo. Casou-se com Dona Maria da Conceição Marliére em Portugal, da qual não se sabe a data
Pelas descrições, Guido Marliére era um homem de estatura elevada, corpo regular, olhos azuis, cabelo loiro já branqueando, nariz de fidalgo, mãos finas, dedos compridos, falar arrogante mas tratável e com idade aproximada de 60 anos quando faleceu. Era excessivamente caridoso com os viajantes a quem dava pousada e alimentação. Guido comandou a abertura da estrada de Presídio(atualmente Visconde do Rio Branco) até São Félix(atualmente Santo Antônio de Pádua) , que passava por Cisneiros. Abriu também a estrada até Muriaé e depois Patrocínio do Muriaé, auxiliado pelos alferes João do Monte, capitão Gonçalo Gomes Barreto e outros.
Tinha como residência o Quartel de Guidoval, antiga fazenda “Serra da Onça” e o Dr. Manoel Basilio Furtado esteve lá em 1924 e assim descreve:

A sua casa de morada era pouco alta; porém muito larga e estava uma planicie estreita entre a serra da Onça e o Rio Chopotó; o Quartel onde se recolhiam os soldados e indios era entre o dito rio e a estrada que vae hoje do Sapé a estação de D. Euzebia e ao Porto de S. Antonio.
Guido Thomaz Marliére faleceu entre 1836 ou 1837, sendo enterrado assentados em um cadeira, com honras indígenas. Junto ao corpo colocado duas garrafas de vinho e pão. Tempos depois seus parentes queriam levar seus restos mortais para a França, mas sua esposa não autorizou. Teve somente um filho adotivo, o cadete Leopoldo. No cemitério onde foi enterrado em Guidoval, também foi enterrado tempos depois, sua esposa.
O dr. Augusto de Lima em seus escritos o chama de “Apóstolo das selvas mineiras”. Além de abrir as estradas, pacificar os índios, fundou várias cidades e entre elas a de Cataguases.
As origens do povo do município de Palma

Em Palma, as pessoas brincam que na cidade quem não é Paula, é parente. E isto é verdade, a maioria da população de Palma e Cisneiros descendem das famílias Vieira, Paula e Pinto. E estas famílias vieram de Cataguases no final do século XVIII com o objetivo de colonizar estas terras, onde existiam somente matas. E todas estas famílias descendiam de portugueses que se dedicavam à mineração e devido ao declínio desta, procuravam outra ativadade.
No final do século XIX, Palma recebeu uma quantidade grande de imigrantes italianos, vindos para trabalhar no comércio e nas lavouras de café. E libaneses sempre exercendo a atividade comercial.
Hoje, a miscigenação é grande, mas as principais raças que compõe o povo de Palma são: portugueses, italianos, negros (vieram como escravos para as fazendas) e libaneses.
Agora em Itapiruçú, a maioria das famílias descedem de portugueses e italianos, vindos principalmente da região de Leopoldina, sendo que até a criação do município de Palma este distrito pertenceu aquela cidade.
Estrada de Presídio

A estrada que vinha de Presídio(atual Visconde do Rio Branco) e ligava a Campos dos Goitacazes, passava por Cisneiros. Segundo o padre Geraldo Mendes Monteiro, no seu livro “História Geral do Laranjal”, nesta cidade existia um local de pouso, na confluência dos córregos dos Patrícios com o Ribeirão São João, onde hoje existe a praça Batista Berno. Os tropeiros prosseguiam depois pelo vale da Boa Vista até o Serrote, transpunham ali uma pequena vertente, alcançando o ribeirão Baraúna, desciam pelo vale até a Capela de Santa Rita e daí atingiam Cisneiros. De Cisneiros a estrada alcançava Miracema pelo norte, rumando para Santo Antônio de Pádua, São Fidélis e depois Campos dos Goitacazes. Cada tropa de mulas levava aproximadamente 500 arrobas de café em côco e traziam na volta utensílios, ferramentas, armas e sal.
Telefones

Segundo Geraldo Mendes Monteiro em seu livro “História Geral do Laranjal”, em 1913, Paulino José Fernandes fundou a Companhia Telefônica e em 1914 tinha linhas ligando as cidades de Palma, Cataguases, Muriaé e os distritos de Laranjal, Sereno, Boa Família e outras localidades.
Acróstico

Cisneiros, sempre... Convivemos com sua lembrança.
Infelizmente, tivemos que... Ir para outras terras.
Sem esquecer de... Sua acolhida.
Nem de seu povo... Nem dos amigos.
Eternamente está... Em meu coração.
Importante não deixar as ... Influências do mundo esquecê-lo.
Recordando os dias da infância... Relembrando aqueles dias mágicos.
Onde a eternidade e... O tempo pararam.
Sempre em nossa mente... Sempre Cisneiros, sempre.
Antunes Siqueira

No caminho de Laranjal a Cisneiros, ao sopé de um elevação, existe uma cruz onde foi assassinado o coronel Joaquim Antunes Siqueira Lopes e escrito na cruz: “J.A.S. 8-9-1909” e, a falta do “L” confunde pois o coronel tinha um filho com o mesmo nome, mas sem o “Lopes”. Joaquim Antunes exerceu o cargo de juiz de paz em Laranjal e sempre ia a Cisneiros onde tinha parentes. A sua morte deveu-se a motivos políticos, causada por encrencas na eleição em Laranjal.
Seu filho, Joaquim Antunes Siqueira, mais conhecido por “Quinca Doido”, foi assassinado em 26/03/1945 por um garoto. A história que contam é que este garoto passou a namorar a filha de um colono de sua fazenda e, este não gostou. Alertou o garoto e aplicou-lhe uma surra. Este ficou revoltado e arrumou emprestado uma garrucha e ficou de tocaia na estrada. Quinca Doido vinha de Cisneiros numa mula e, embora estivesse armado, ao ver o garoto tentou bater-lhe com o chicote, mas tomou um tiro no peito. O garoto fugiu do lugar do crime e apresentou-se ao delegado de Palma que soltou muitas gargalhadas ao ver aquele garoto franzino dizer que havia matado Quinca Doido, pois a fama de valentão deste era bastante conhecida e sempre dava bastante trabalho a polícia.
Joaquim Antunes de Siqueira Lopes casou-se em 02/07/1902, na fazenda "Boa Vista", com Nicolina Maria da Conceição. Viviam juntos e desta união os seguintes filhos: Gustavo, Maria, Antonio, Francisca, Joaquim, Altemira, Alvaro, Francisco e Julieta.
Em Laranjal e Cisneiros ainda moram muitos descendentes desta família.

quinta-feira, agosto 10, 2006

Eleições e as mudanças

As eleições estão se aproximando mais uma vez e a utopia e demagogia de sempre vem junto. Em Palma e Cisneiros, principalmente na de prefeito e vereador, provoca muitos debates. Nos anos 80, Zequinha Roldão exercia uma forte liderança e dominou a política do município até 1988. Diziam que ao mudar o partido, as coisas iriam mudar, mas como sempre acontece, as coisas continuaram e continuam do mesmo jeito.
Nos anos 20, as brigas políticas provocaram a morte de diversas pessoas e o quadro somente mudou depois que deputados de Cataguases estiveram em Palma para apaziguar os ânimos. E naquele época, foi o único período em que o município teve enorme prosperidade.
Os mais velhos já sabem de cõr e salteado tudo que é prometido por anos e anos nos palanques e depois de anos, novamente aquilo retorna não como realização, mas como uma nova promessa.
A transformação de uma região ou cidade, a política tem influência, mas a história nos ensina claramente se esperarmos de políticos a falta de recursos irá continuar, tanto que se isto não existisse, seus discursos seriam vagos.
Outras regiões e paises, tais como os Estados Unidos, nos mostra que a iniciativa de grupos e cidadãos é que gera a transformação tão necessária em nossa sociedade. Se pensarmos em algo para melhorar, não devemos esperar por partidos ou políticos, e sim engarjamos em grupos com objetivos em comum.

quarta-feira, agosto 09, 2006

Manifestação

Influenciados pelas mudanças ocorridas por maior liberdade devido ao governo republicano, na época em que Firmo de Araújo administrava Palma, vários cidadãos inconformados com sua administração, organizaram uma manifestação.
Foram para frente da prefeitura gritar. Firmo na sacada e com uma carabina disparou vários tiros para o alto e imediatamente a manifestação teve fim.
Índios

Toda esta região, inclusive Cisneiros e Palma, quando os desbravadores chegaram no final do século XVIII, existiam muitos índios, principalmente da tribo dos puris. Os que não foram dizimados, fugiram. E se houve foi pouca, a miscigenação entre índios e os brancos.
Na época da construção da ferrovia ligando Recreio ao Capivara(atual Palma) ainda tinha-se notícias da existia de tribos, pois Antônio Augusto Machado contava que os índios escondiam na mata com medo das locomotivas.

domingo, agosto 06, 2006

A filha de Firmo de Araújo

Uma das filhas de Firmo de Araújo, Arinda, apaixonou-se por um ourives de nome Benjamin Reis. Embora sabendo que o namoro dos dois não agradava ao coronel, foi até ele e a pediu em casamento. Firmo negou e falou para Benjamin ir embora de sua fazenda.
Dias depois, Arinda contou ao pai toda a verdade de seu relacionamento com Benjamin. Firmo mandou um recado a este pedindo que viesse à sua fazenda que não se oporia mais ao casamento. Ao chegar na fazenda foi agarrado pelos capangas que o caparam e depois introduziram um ferro em brasa, no lugar de onde haviam arrancado os órgãos genitais. Benjamin morreu e depois de publicado este fato na "Gazeta de Notícias", houve muita discussão à respeito da veracidade dos laudos médicos, conforme pode ser conferido em outros posts deste blog.
Dizem que o coronel mandou prender Arinda em uma casinha na fazenda Fortaleza e todos os dias, a comida era colocada por uma fresta. Ninguém discutia, pois tinham medo da crueldade do coronel. Após ele ser assassinado, Arinda foi libertada e dizem que seus cabelos já quase batiam nos pés, as unhas enormes e sujas. A primeira coisa que pediu foi dinheiro para comprar foguetes para comemorar a morte do pai.
Poeta Didino

Isto aconteceu por volta de 1987, quando voltava de um viagem a Cataguases. No ônibus, estava sozinho no banco, quando em Leopoldina embarcou um senhor de paletó, gravata e chapéu e sentou-se ao meu lado. Puxou conversa e notei que era muito educado e conversava bem. Perguntou de onde eu era e respondi ser de Cisneiros. Quis saber o nome de meus pais, falei seus nomes, mas ele não os conhecia. Como era um senhor, disse o nome de meus avôs e ele retrucou: "mas o Joaquim Batista é meu afilhado".
Quando o cobrador veio, fez questão de pagar minha passagem até Palma. Ele desceu em Laranjal e mandou recado para meu avô de que estava muito bem e enviava lembranças.
Contei ao meu avô que ficou alegre de receber aquela notícia, pois este era o seu padrinho mais querido.
Meses depois, conversando com a professora de português em Palma, Maria Edith sobre poetas e poesia ele me contou que um parente de sua mãe havia escrito um livro de poesias em homenagem a esposa que havia falecido recentemente. Fiquei extremamente curioso e dias depois ela me emprestou o livro. E para minha surpresa o autor, Didino Guedes, aquele mesmo que havia conversado meses atrás. Pedi e a Maria Edith redigiu uma nota sobre seu livro que publiquei no jornal "O Manifesto" em agosto de 1987.
Rua Dr. Costa Reis

Existem ruas homenageando o senador Dr. Bernardo Cysneiro da Costa Reis nas cidades de Palma(MG), Juiz de Fora(MG) e Belo Horizonte(MG).
Uma decepção amorosa fez Palma uma cidade

Isto parece coisa de romance, mas é a pura verdade. Em um dos primeiros post deste blog conto a vida do Coronel Firmo de Araújo Pereira. Praticamente toda a infra-estrutura de Palma, e que ainda existe até hoje, deveu-se ao idealismo e tenacidade deste cidadão.
Firmo de Araújo veio parar nestas terras, após seu pai adquirir a fazenda Fortaleza. Começou sua carreira política em Santo Antônio de Pádua como sub-delegado de polícia e depois por volta de 1877, eleito juiz de paz de Miracema e por esta época sua atenção despertada para a calma e pequena povoação do Capivara. E sua família tendo fazenda neste lugar, fez parte da comissão que construiu o cemitério e igreja. E por esta época nos registros de batizados nota-se sua presença, sempre como padrinho.
Em 1862 voltou a Barbacena para estudar, onde fez amizade com o Dr. Bias Fortes, que depois foi governador de Minas Gerais e que lhe ajudou muito na sua luta de transformar o pequeno Capivara em município. E por esta época Firmo de Araújo se apaixonou por uma moça e sua família foi totalmente contra este namoro. Não conseguimos descobrir os motivos e, isto é citado em exemplar de um jornal publicado em 1910, em seu aniversário, onde o coronel recebeu muitas homenagens pelo seu trabalho realizado no município.
E para que esta paixão não tomasse outros rumos seu o pai o enviou para a fazenda Fortaleza. Na fazenda trabalhou com muito afinco, e descobriu sua vocação de administrador e político.
Ao ser proclamada a república assumiu a administração do município, construindo o prédio da prefeitura, o fórum, a cadeia, a escola e tantas outras obras. Palma com o apogeu do café era uma cidade próspera, contando com ferrovia, hotéis e até jornal.
E devido a esta paixão frustrada, acredita-se que o matrimônio não tenha lhe atraído, e teve muitas amantes e filhos.
Contam que o coronel Firmo, quando no auge de seu poder ao passar pelas ruas de Palma à cavalo e se visse uma moça bonita, mandava um recado para o pai enviá-la à sua casa e se este desobedecesse, seus capangas iam e a levavam à força. Dizem que suas amantes viviam em harmonia na fazenda Fortaleza. E um de seus filhos, o Firmozinho, acabou assassinado em Miracema devido a abusos sexuais. Antes de ser assassinado, vivia incomodado com doenças venéreas.
E devido ao seu poder político a firmeza de seus atos e palavra, o coronel teve muitos inimigos e, a cada dia que passava eles aumentavam. Passaram a acusá-lo de dar cobertura a ladrões de cavalo e saiu várias reportagens na "Gazeta de Notícias" do Rio de Janeiro, todas contestadas por Jeremias de Araújo, por muitos anos seu secretário. E estas difamações começaram após Firmo de Araújo, a pedido do Governo do Estado, desempenhar uma bem sucedida missão em Muriaé, onde colocou fim a uma sangrenta briga entre os coronéis. Firmo de Araújo sempre foi rico e nesta mesma época administrava enormes propriedades, era prefeito de Palma e tinha muito prestígio político no estado e, isto de dar cobertura a ladrões de cavalo, com certeza não passava de calúnia.
E se a paixão de Firmo de Araújo não fosse frustrada, a história de Palma seria outra.

sábado, agosto 05, 2006

CASEMG
Imponente Ponte de Ferro
Sempre majestosa, mas perdendo a cor
Nada lembra o que já foi
Estação demolida
Impossível esquecer
Rio Pomba com suas águas cor de barro
Ouvindo seu silêncio
Sempre Cisneiros!
Quantos pensamentos...

... em minha mente ao admirar a foto do enorme casarão, séde da fazenda Aliança publicado em post anterior. Imagino as muitas conversas que teve o Dr. Bernardo Cysneiro em sua sala de visitas com o objetivo de conseguir a elevação de Cisneiros à categoria de distrito e Palma à município e comarca. Se existisse uma máquina do tempo e fosse possível ouvir, quanta coisa teria para publicar no blog.
Além dos assuntos sérios fico imaginando as brincadeiras e as conversas para passar o tempo. A comemoração dos êxitos e as angústias das derrotas. Ele ser acordado à noite para atender pacientes agonizantes. O enorme movimento da fazenda na colheita do café, os casamentos, as festas e tantos outros eventos.
E o lugar onde tudo isto aconteceu hoje é pasto e restam apenas algumas marcas no chão.
Algumas dúvidas sobre o Dr. Bernardo Cysneiro

Na tese de doutoramento, o Dr. Bernardo Cysneiro da Costa Reis homenageia seu cunhado, o Dr. Manuel Thomaz B. Corte Real. Mas pelas informações ele tinha duas irmãs que eram solteiras e um irmão. Então para ter este cunhado, deveria ter mais uma irmã. Esta dúvida ainda não foi esclarecida.
Outra é a informação passada pela pesquisadora Nilza Cantoni à Annamaria Cysneiros do nascimento de uma filha do Dr. Bernardo com o nome de Brazilia. No casamento de Elvira e Mario, uma pessoa com o nome de Elvira Renault assina o livro de registro. E se era filha porque seu nome não aparece nos registros seguintes de procurações e venda dos bens?
Escritores e poetas de Cisneiros

Escrevi sobre isto na comunidade "Eu amo Cisneiros" e num post anterior. Na semana passada ao conversar com Dona Namir Gonçalves, contou que um da família Barandier escreveu um hino sobre a participação dos pracinhas de Cisneiros na campanha da FEB.
Mas o mais comentado e que todos lembram é o lindo poema sobre Cisneiros, escrito por Newton de Souza. Entrei em contato com sua filha Virginia Mayrinck Farah e ela ficou de conseguir e nos enviar para ser publicado no blog. Estamos aguardando.
E se algum leitor tiver uma crônica, poema, versinhos ou qualquer coisa sobre Cisneiros, Palma ou Itapiruçú e quiser compartilhar, me envie que publicarei.

sexta-feira, agosto 04, 2006

Dr. Bernardo Cysneiro e a Fazenda Aliança

Hoje é um dia especial para mim e o blog.
Há dois meses estou escrevendo e publicando, usando o material que recolhi entre 1986 e 1988 sobre Cisneiros, a fundação e a vida de seu fundador o Dr. Bernardo Tolentino Cysneiro da Costa Reis, e hoje de manhã recebi o e-mail de Cassiana Guedes. E em anexo veio a foto do Dr. Bernardo Cysneiro e da fazenda Aliança que estão publicados abaixo.
Muito obrigado mesmo, Cassiana Guedes.


Dr. Bernardo Tolentino Cysneiro da Costa Reis


Séde da Fazenda Aliança na época do Dr. Bernardo Cysneiro, em Cisneiros(MG)

A foto do Dr. Bernardo Cysneiro quando jovem, devia ter aproximadamente 20 anos.

E da fazenda Aliança, nota-se o enorme casarão. Os antigos moradores de Cisneiros, muitos já falecidos, lembravam que a fazenda era muito bem cuidada e também a estrada para o distrito de Cisneiros.

Cassiana além das fotos escreveu: "meu avô tem um dicionário prático ilustrado que consta o nome “CISNEROS” e o seu significado. Como sabemos, o nome Cysneiros origina de Cisneros e pelo que cita, era o nome de um cardeal espanhol (1436-1517). Em outro livro, “HISTÓRIA DE MINAS GERAIS”, vol 5, 2ª ed. consta os nomes dos senadores da “eleição direta” de 24/01/1891, onde se encontra o nome do Dr. Bernardo. Meu avô também tem o livro e a foto do Amador Cysneiros com o título “Expedicionários na Itália” no qual narra sobre a guerra na Itália. Não sabemos de quem o Amador era filho".

Para mais detalhes sobre Amador Cysneiros leia:

Depoimento de Amauri Cysneiros do Amaral

Contatos com a família Cysneiros

quinta-feira, agosto 03, 2006

Informações de Cassiana Guedes

Cassiana Guedes participa da comunidade "Cisneiros" no orkut e é tataraneta do Dr. Bernardo Cysneiro da Costa Reis. A Annamaria Cysneiros e Sandro Cysneiros entraram em contato para saber se tinha informações sobre seus antepassados. Cassiana respondeu num scrap para Annamaria e obtivemos as seguintes informações:

Seu avô materno Geraldo Cysneiros Guedes mora atualmente em Cataguases(MG). Nasceu em 08 de novembro de 1925 em Campos(RJ), filho de Maria Cysneiros e Admár Guedes e casou com Judith. Ambos hoje com 80 anos e muita saúde. Geraldo é funcionário aposentado do Banco do Brasil, flautista, compositor e poeta.
Segundo Geraldo, o Dr. Bernardo Cysneiro tinha duas irmãs: Rita(Ritoca) e Francisca(Chiquinha), ficaram solteiras e Antônio Pedro Cysneiro da Costa Reis (Totonho). E o Dr. Bernardo Cysneiro teve 10 filhos:

-01 Bernardo (general, solteiro)
-02 Álvaro (Veveco) que casou com sua prima Judith
-03 Afonso (solteiro, morreu cedo, aos 16 anos)
-04 Henrique (Lilico, não sabemos o nome de sua esposa)
-05 Antônio (Cysneirinhos) que casou com sua prima Angelita
-06 Elvira (Vivi) que casou com o Mario Cysneiros e tiveram duas filhas: Helena e Marina
-07 Ana (Anita) que ficou solteira
-08 Julieta (Pixita) que casou com seu primo Raul
-09 Maria (Marocas), casou com Admár Guedes e tiveram 5 filhos: Odete, Paulo, Gisa, Arlete e Geraldo.
-10 Adelaíde (Lalu) que casou com Virgírio

Cassiana Guedes informa ainda que possui uma foto do Dr. Bernardo e a da casa onde morou em Cisneiros.

Muito interessante este contato de Cassiana Guedes, conseguido por Annamaria Cysneiros e que nos traz informações importantes. E ainda persiste a divergência quanto ao nome dos filhos. Enviei e-mail ontem para Cassiana e estou aguardando seu retorno. E sobre a foto do Dr. Bernardo, enriqueceria e muito este blog sobre a história de Cisneiros, pois a única que temos é da fundação do Partido Republicano Mineiro, em 1888.

E a foto que mostra a casa, teríamos idéia de como viviam naquela época, visto que a antiga séde da fazenda Aliança foi demolida há anos e hoje no local existe somente pasto.

Para escrever este artigo agradeço a: Annamaria Cysneiros, Sandro Cysneiros, Cassiana Guedes e Amauri Cysneiros do Amaral
Consulta a Faculdade da Bahia

Informações obtidas através consulta direta feita na Faculdade de Medicina da Bahia, por gentileza da funcionária Eliane, nos registros dos ex-alunos Affonso Arthur Cisneiro de Albuquerque e Bernardo Tolentino Cisneiro da Costa Reis no dia 02/08/2006. O nome de Affonso Arthur surgiu a partir de informação colhida no blog de Joaquim Ricardo Machado, http://www.joaquimrmachado.blogspot.com/, como de um amigo que se formou na Faculdade de Medicina da Bahia no mesmo ano que o Dr Bernardo.

AFFONSO ARTHUR CISNEIRO DE ALBUQUERQUE, nascido em 25 de março de 1847, em Pernambuco, mas em localidade não indicada, filho legítimo do Dr. Duarte Coelho de Albuquerque Mello e de D. Maria das Mercês Cisneiro de Albuquerque; formado em medicina pela Faculdade de Medicina da Bahia no dia 16 de dezembro de 1871, tendo defendido tese de título "Cirrhose do Fígado".
A tese, impressa em 1871 encontra-se em excelente estado de conservação, sendo o exemplar existente na Biblioteca da Faculdade autografado pelo próprio autor e dedicado a um colega seu de turma.
Não foi possível obter cópia do documento que pode sómente ser fotografado mas extraímos do mesmo algumas informações que julgamos de interêsse. As primeiras páginas contêm inúmeras dedicatórias, homenagens e agradecimentos do formando a várias pessoas, familiares, colegas, amigos, etc, dentre as quais selecionamos algumas:
A primeira menção é para seu pai, o Dr. Duarte Coelho de Albuquerque Mello a quem presta homenagem e revela ter falecido quando êle, Affonso teria cerca de um (1) ano de idade. Em seu leito de morte o pai teria pedido ao Major José da Silva Cisneiro Guimarães, tio de Affonso, que zelasse pelos filhos;
Affonso homenageia também seus irmãos, três (3), citando-os nominalmente, Maria das Mercez Cisneiro de Albuquerque, mesmo nome da mãe mas com grafia diferente do Mercês (cez), Duarte Coelho Cisneiro de Albuquerque, mesmo nome do pai, e José Arthur Cisneiro de Albuquerque. Observa-se que o sobrenome Mello não foi adotado nos filhos.
Homenageia também a Sra. D. Leopoldina de Siqueira Cavalcanti, sem citar qualquer parentesco;
Homenageia o padrinho, Dezembargador Affonso Arthur de Almeida Albuquerque, sem citar qualquer parentesco;
Também um amigo, Sr. Severino de Siqueira Cavalcanti;
Mais uma homenagem ao primo e amigo Joaquim Israel de Cisneiro;
Cita em particular alguns colegas de turma, dentre êles, Bernardo Tolentino Cisneiro da Costa Reis.

BERNARDO TOLENTINO CISNEIRO DA COSTA REIS, nascido em 28 de janeiro de 1847, em Pernambuco, mas em localidade não indicada, filho legítimo do Coronel Bernardo Tolentino Manso da Costa Reis e de D. Maria Antonia Cisneiro da Costa Reis; formado na Faculdade de Medicina da Bahia também em 1871, tendo defendido tese de título "Cancro no estomago".
A tese, também impressa em 1871, econtra-se em muito bom estado, entretanto nas páginas iniciais não contém a abundãncia de homenagens e citações como a de seu colega Affonso;
A primeira menção, de destaque nos leva a concluir que em 1871, por ocasião de sua formatura o Dr. Bernardo já havia perdido ambos os progenitores;
Homenageia um cunhado, o Dr. Manuel Thomaz B. Corte Real;
Destaca entre os amigos e colegas, os nomes de Affonso Arthur Cisneiro de Albuquerque e Joaquim Israel Cisneiro, amigo comum portanto.
Tinhamos a esperança de, através do Dr. Affonso Arthur, e de seus pais pudessemos voltara a Pernambuco e mais próximos de nosso ancestral Joaquim Theodoro, devido ao mesmo sobrenome de ambos, Cisneiro de Albuquerque, ou Cisneiros de Albuquerque. Suspeitávamos que pudesse ser um parente mais próximo e é possível que seja. Fica difícil fazer uma ligação direta devido a ligação ser, de ambas as partes ou ramos, através do costado materno;
Uma primeira análise e confrontação desses novos dados com o que já conheciamos, nos levou imediatamente a encontrar um ponto comum no pai de Affonso, o Dr. Duarte Coelho de Albuquerque Mello, que foi indicado por meu pai Amador Cysneiros do Amaral, de próprio punho na página 82 do livro "História da Faculdade de Direito do Recife" escrito por Clovis Bevilaqua, 1ª edição de 1927, como sendo parente. O Dr. Duarte Coelho bacharelou-se pela Faculdade de Direito do Recife em 1842.

Elaborado por Amauri Cysneiros do Amaral em Salvador, BA, no dia 02/08/2006

quarta-feira, agosto 02, 2006

Os filhos do Dr. Bernardo Cysneiro

Pelo certidão de óbito, consta que o Dr. Bernardo Cysneiro da Costa tinha 9 filhos, mas não cita seus nomes. Cruzando dados de procurações, certidões de nascimento cheguei aos seguintes nomes:

- Bernardo Cysneiro da Costa Reis Júnior, farmacêutico, residente no Rio de Janeiro
- Henrique Cysneiro da Costa Reis
- Alvaro Cysneiro da Costa, casado com Judith Rezende, lavrador residente em Providência
- Antonio Cysneiro da Costa Reis, farmacêutico em Morro Alto
- Elvira Cysneiro da Costa Reis, casada com Mário e tabelião em Rio Pomba(MG)
- Julieta Cysneiro da Costa Reis, casada com Raul Rezende, lavrador residente em Providência(MG)
- Adelaide Cysneiro da Costa Reis
- Maria Cysneiro da Costa Reis, casada com Admár Guedes Pinto, escriturário da estrada de ferro em Campos(RJ)
- Annita Cysneiro da Costa Reis (ou Anna)
- Brazilia Renault ficou esta dúvida, pois na conversa com a Annamaria Cysneiros no dia 24 de julho, ela recebeu a informação do nascimento de Brazilia como filha do Dr. Bernardo, informação passada por Nilza Cantoni, pesquisadora da história de Leopoldina. E todos os documentos oficiais, como do arrendamento e da venda não citam a Brazilia, e sim todos os demais acima. Se fôr filha, isto é bastante estranho.

Outro detalhe: o Admár Guedes Pinto era filho do major João Guedes Pinto, casado com Dejanira de Mattos Guedes Pinto. A Dejanira era filha do major José da Costa Mattos, sócio e gerente da fazenda "Aliança". E no casamento é citado que Admár tem parentesco pelo lado materno.

E o Pedro Renault, escrivão e dono de hotel, era casado com Dona Cecília Magalhães Renault que é nome de rua de Cisneiros. Ainda não descobri o motivo desta homenagem, visto que este nome existe desde por volta de 1900. E a esposa do Pedro Renault era parente de Dona Julieta Magalhães da Costa Reis.

Nas minhas anotações, achei um documento de 16/05/1896 em que o Dr. Bernardo Cysneiro asssinou atestado do falecimento de Antonio Pinto de Magalhães, com 80 anos, de marasmo senil, viúvo, naturalizado, era português. Foi casado com Dona Ana Cecília de Castro Magalhães. Será que este Antonio Pinto de Magalhães tinha algum parentesco com dona Julieta?

terça-feira, agosto 01, 2006

Notificação de publicação

A partir desta semana, os artigos deste blog serão postados semanalmente, com o objetivo de melhorar a qualidade dos textos. E também porque meu estoque de documentos, fotos e lembranças está no fim.

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