segunda-feira, julho 31, 2006

Armazém da CASEMG

Foto de 2000

Esta foto mostra a frente do armazém com as portas fechadas com concreto e pode-se ver que parte do teto já tinha caído. No canto do lado esquerdo vê-se muitos nomes escritos na parede, uma forma de pichação.
Por volta de 1981 funcionava neste armazém, na sua parte direita, onde não havia risco de desabamento do teto, uma quadra de vôlei, utilizada pelos alunos do 1º grau da escola estadual "São José".
E também existia uma torneira, onde vários moradores se abasteciam de água de uma fonte do armazém.
A origem do nome Itapiruçú

Niécio Drumond, leitor do blog de Palma(MG) mandou um scrap pelo orkut, solicitando mais escalarecimentos sobre a origem do nome Itapiruçú.
O que consegui apurar é que o vocábulo Tapirussú parece vir de Tapur-assú, a “choça grande”, em linguagem geral indígena, tendo Tapurassú se corrompido em Tapirussú. Outros, porém, o traduzem por “anta grande” onde: Tapir – “anta” e assú – grande, em língua tupi.
Com a mudança da ortografia, mudou para Itapiruçú, mas acrescentaram um "I" e com isto: Ita- "pedra" - "assú" - grande, poderia ser traduzido por "pedra grande".
Se algum leitor tiver mais informações sobre este nome, sem dúvida de origem indígena, nos envie para publicar.
Alves Affonso, as cruzadas e as palavras

Um dia, quando as pesquisas genéticas tiverem chegado ao seu ponto máximo, com todo o DNA humano mapeado, esquadrinhado e, enfim, decodificado, possivelmente haverá, entre um gene que define a cor do cabelo e outro que regula o tamanho do lóbulo da orelha, um genezinho discreto, porém diligente, que gerencia a propensão às palavras cruzadas. Este, certamente, será encontrado em certa família cisneirense.
Cresci vendo meu vô Tote com suas revistas A Recreativa e um velho dicionário, preenchendo sem pressa e com sua bela letra de forma os quadradinhos simetricamente dispostos nas páginas. Minha tia Agonia também era aficcionada, assim como meu pai. Meu avô, entretanto, parecia ser o mais experiente de todos. Não se limitava a “matar” as cruzadas, mas também as criava. Participava de concursos (e costumava ganhá-los) sob o pseudônimo de Cysneirense. Meu pai era Cysneirense Júnior, e eu, antes que algum aventureiro lançasse mão, me tornei, secretamente, Cysneirense Neto. Digo secretamente porque, assim como meu pai, não sou sequer cisneirense (menos ainda daqueles com o Y arcaico), e também porque meus dotes cruzadísticos não chegariam jamais a rivalizar com os do vô Tote. Só utilizei o pseudônimo nas minhas fantasias literárias, quando o Clark Kent atrás do qual eu me escondia era deixado para trás.
Do alto da minha sabedoria de criança, eu admirava a infantilidade daquele passatempo de adultos. Achava inútil o conhecimento de palavras que só serviam para que os quadradinhos não ficassem em branco. Quando, na minha vida, encontraria oportunidade para usar “RAS” (chefe etíope) ou “ARAS” (altares pagãos para sacrifício)? Se bem que, certa vez, tia Agonia teria perguntado a um dos filhos se estavam todos à mesa. A resposta foi que alguns estavam patentes, mas outros permaneciam latentes. Em que outra família, que não a de cruzadistas praticantes, se poderia ouvir tal pérola lingüística?
Passou o tempo, vieram as cruzadas diretas (que meu avô desprezava e eu, por fidelidade, jamais tive em alta conta), os diagramas perderam sua beleza gráfica, sua simetria de mosaico. Sumiram os elaborados tabuleiros em que as palavras sempre se moviam em linha reta, estancadas, aqui e ali, por casas negras, onde letra alguma pisava; em seu lugar, surgiram setas, definições imprecisas, nomes de artistas, siglas, estrangeirismos. As novas gerações, se ainda não tiverem sofrido mutação genética, talvez ainda se divirtam com essa Cruzada menor, que não tem por inimigos os sarracenos de outrora, guardiões de sepulcros onde jaziam palavras acessíveis apenas aos iniciados.
Só sei que, um dia, lendo Fernando Pessoa, me deparei com o verso “deixa a dor nas aras como ex-voto aos deuses” e não precisei correr ao dicionário. Ouvindo reggae, me perguntei se os rastafari não teriam algo a ver com os líderes etíopes – e tinham: o Ras Tafari, que deu nome ao movimento, era o imperador da Etiópia, Hailé Selassié. As palavrinhas inúteis se cruzando feito formigas carregadeiras mostravam, finalmente, a sua carga: palavras não morrem nunca. Hibernam, quando muito, e ficam ali, belas e adormecidas, até que o beijo de um poeta ou a mão de um cruzadista venha despertá-las.
Meu avô não fez testamento porque não tinha herança a deixar. O que eu tinha que herdar herdei em vida: o gosto por dicionários, trocadilhos, versos de pé quebrado. E, claro, o tal gene das palavras cruzadas. Aquele que fez de mim, belorizontino de nascimento, um Cysneirense - com Y e tudo.

Escrito por Sidney Eduardo Affonso
“Correio da Palma”

Existe o seguinte ofício no cartório de Cisneiros:

Cidadão,
De ordem do Dr. Presidente d’esta Camara comunico-vos que é conveniente o officiares aos Cidadãos que foram eleitos membros da meza que, n’este districto, há de presidir ás eleições de deputados e senador do Congresso Federal, eleições essas á que se procederá no dia 30 do corrente. Quanto aso nomes d’esses Cidadãos, os vereis no “Correio da Palma” de 12 do andante. Os membros da meza devem se reunir no dia 29 para eleição do presidente e secretario, lavrando a acta da organisação; e no dia seguintes, ás 11 horas, presidirão á votação.
Saude e fraternidade.
Ao cidadão Juiz de Paz de Cysneiro
O offall da secretaria, A Fontes Jor
Palma, 18 de Junho de 1892


Por este documento, verifica-se que nesta época, 1892, existia em Palma um jornal com o nome de “Correio da Palma”, do qual não temos conhecimento de nenhum exemplar preservado.
Cadeia em Cisneiros

Em Cisneiros também existiu uma cadeia, mas não foi possível encontrar informações do local. Descobri isto através de um documento arquivado no cartório de Cisneiros em que o subdelegado João Guedes Pinto mandou proceder um exame de corpo de delito em Eloy Teixeira, negro, procedente de São Fidélis e que no trecho da estação de Cisneiros-Palma, caiu do trem e apresentava ferimentos por todo o corpo. O exame realizado pelo Capitão João Antonio da Costa Coimbra e Oscar Tavares Nepomuceno e com diz o documento “na caza da cadeira onde está o ferido”. Serviram de testemunhas Sebastião Soares Mendonça e José Vieira. Eloy Teixeira confessou que estando alcoolizado, entendeu por viajar na plataforma do trem e que num vai-vem caiu e não atribuiu a ninguém a autoria do desastre.
Família Soares Justo

Em 01/04/1909, Senhorinha Soares Justo, afogou-se no ribeirão Capivara e tinha na época 36 anos de idade e viúva de Carlos Ferreira Leite. Dona Turca, neta de João Justo, possuiu uma garrafinha de madeira que pertenceu a Francisca Soares Justo. Na tampa desta estava escrita: “Falleco Chiquinha 18 de Maio de 1908” e a letra é de João Justo. João Rodrigues Soares Justo sempre acolhia em sua casa no chalé irmãs, sobrinhos, entre outros parentes.
Major João Guedes Pinto

O major João Guedes Pinto, português, nasceu aproximandamente em 1847, casado com Dona Dejanira de Mattos Guedes Pinto. Participou da comissão para construção da igreja Imaculada Conceição, juntamente com sua esposa. Doou o terreno onde a igreja encontra-se construída. Exerceu o cargo de subdelegado e foi comerciante.
A Dona Dejanira, esposa do major era filha de José da Costa Mattos e Balbina Emília de Magalhães Mattos. E tiveram os seguintes filhos: Albucassio, Admár, Alice, Olymtho, Ildefonso, Oscar, Dejanira, Odette, Maria, João, José e Adahyl. O major faleceu no dia 02/11/1922 e o atestado de óbito assinado pelo doutor Ignacio Amorim de Antuterpio e a morte foi natural, causada por lesão cardíaca.
Muitos descendentes do Major João Guedes Pinto moram em Cisneiros e região.
Conversa com Namir Gonçalves

Ontem conversei por telefone com Dona Namir Gonçalves e, ficou entusiasmada ao contar-lhe sobre o andamento deste projeto de preservar a história documental e oral de Cisneiros, Palma e Itapiruçú e principalmente da memória do povo do “pequenino Cisneiros”, no seu dizer.
Contou que sua sobrinha, Fabíola Espósito Gervazio, fez um trabalho para a faculdade sobre Cisneiros e o publicou no ano passado, recebendo até um prêmio.
E durante a conversa lembrou que foi colega de escola de Maurício Corrêa e conheceu toda a sua família. E sobre os pracinhas de Cisneiros, informou que eram três e um deles, Antonio Rodrigues Pinto está vivo e mora em Juiz de Fora. E sobre a recepção dos pracinhas, disse que a festa de recepção, o baile realizado na casa de sua mãe Dona Gabriela. Na época, Dona Namir era pequenina, mas lembrou que uma parede da sala precisou ser derrubada. E que um Barandier, aluno do ginásio Princesa Izabel fez um hino sobre os pracinhas de Cisneiros. Disse não ter uma cópia e que a escola também não, pois com o ginásio encampado pelo estado, muito coisa se perdeu.
Lembrou que descendemos de Francisco de Paula Vieira e Silva, família dos primeiros colonizadores do município de Palma.
E para encerrar, Namir Gonçalves disse que naqueles velhos tempos de Cisneiros, existia muita amizade e companheirismo.

sábado, julho 29, 2006

A escrita e Cisneiros

Ao amigo virtual, Sidney Eduardo Affonso

É interessante observar que apesar de muitos cisneirenses terem possuído uma boa cultura, amarem os livros, não ter aparecido nenhuma obra escrita. Pode ser que tenha sido feita, mas se perdeu ou ainda está escondida em algum baú, mofando ou sendo comida por traças.
Zé Catreca deixou contos e crônicas e como revelou sua filha Maria Celeste, uma autobiografia até a data de seu casamento.
Custódio Alves Affonso(Tôte), amante das palavras, tanto que vivia carregando um dicionário e sendo grande cruzadista e para o ser, precisava uma enorme cultura. Será que não deixou em algum lugar um caderno com seus pensamentos, divagações ou impressões?
Dona Agonia Alves Finamore, grande leitora, será que não deixou mais do que cartas?
Antonio Fontes Junior, o escrivão e professor, fazia versos de improviso, será que não deixou páginas de algum poema ou crônica sobre nosso amado Cisneiros?
João Rodrigues Soares Justo, de excelente caligrafia, amante da leitura de jornais, tanto que saía de seu estalecimento no chalé e ia até o hotel em frente a estação de Cisneiros, para ler, tomar café, jogar baralho e conversa fora, será que não deixou perdido em algum canto, anotações sobre o que aconteceu com seu terceiro sogro, o coronel Firmo de Araújo?
Josélia Pires, com seu português perfeito, será que deixou somente anotações sobre suas aulas de alfabetização?
E tantos outros que poderia citar e, se deixaram algo, pode ser que um dia, venha a ser descoberto. O mais provável, no entanto, é tudo isto ter desaparecido ou a desaparecer como a estação, o armazém, a ponte ...
Capaz de resistir aos anos de descaso
Impossível de perder seu carisma
Sempre acolhedor, deixa saudades nos seus filhos
Nas ruas de pedra e terra, aconteceram muitas histórias
E muitas se perderam no tempo
Infelizmente, o progresso foi embora e hoje
Recolhemos fragmentos da memória de seu povo
Outrora esquecida e que agora estamos tentando preservar
Suas glórias e derrotas, mas sempre Cisneiros
A chegada e partida de João Justo a Cisneiros

João Rodrigues Soares Justo comprou o terreno onde construiu seu chalé na rua Niterói em 09/05/1893. A compra foi feita ao Major José da Costa Mattos e a posse tinha as seguintes divisas: “em uma pequena cerca que divide o terreiro da caza de Octaviano Fernandes Medina e por ella em linha recta até uma cerca de reguas e por esta até o ribeirão Capivara e por este abaixo até a ponte onde se acha uma outra cerca de reguas e por esta acima até o ponto de partida” e o valor da venda foi de 2 contos de réis.
O Major José da Costa Mattos, sendo sócio e gerente da fazenda Aliança, vendeu muitos lotes em volta da estação de trem, permitindo assim o surgimento do povoado de Cisneiros.
O assassinato do Coronel Firmo de Araújo ocorreu em julho de 1912 e em 08/02/1913 é passada no cartório uma escritura em que João Justo e sua mulher Amélia de Araújo Justo vendem a Naman Damian uma sorte de terras com nove alqueires de 80 x 80 em comum na fazenda da “Barra”, pelo valor de 1 conto de réis. A procuração feita pelo tabelião Belmiro Braga em Juiz de Fora, para onde primeiro a família se refugiou.
Desta data em diante, João Rodrigues Soares Justo somente se comunicou com as filhas por meio de cartas. E seu medo justificado já que ainda até os anos 30 os perseguidores do coronel Firmo de Araújo ainda faziam vítimas.
Ponte de Ferro

Walmy Finamore, pai da Ana Clara Fagundes Finamore Frederic têm razão, o nome correto da ponte do trem de Cisneiros é Ponte de Ferro. Encontrei o seguinte registro no cartório em 16/01/1910, onde o Major José da Costa Mattos vende a seu irmão Nicolau da Costa Mattos um terreno de mais ou menos doze alqueires com as seguntes divisas:

Partindo da Ponte de Ferro sobre o Rio Pomba seguirá acompanhando a linha da Estrada de Ferro Leopoldina pelo lado direito, até encontrar o engenho central de propriedade do Cidadão Custodio da Costa Fagundes e antes, do engenho oito palmos descerá em linha reta até o ribeirão Capivara, seguindo a direita deste até a sua barra, e daí pela margem do Rio Pomba até a já referida ponte.

O major José da Costa Mattos foi representado por Custodio Fagundes da Costa, conforme procuração, visto que o major residia nesta época em Além Paraíba. Extraído do Livro de Notas de Cisneiros Nº 07 às folhas 36 e 37.

Nota-se que o escrivão cometeu um equívoco colocando o nome Custodio da Costa Fagundes, quando o correto, conforme observou bem Ana Clara Fagundes Finamore Frederic, é Custodio Fagundes da Costa.
Salão Paroquial

Este prédio fica em frente a igreja Imaculada Conceição de Cisneiros, onde são realizados reuniões, festas e outros eventos da comunidade. Sua construção demorou anos. Na primeira etapa foram feitos somente os alicerces e ficou parado pela falta de verbas. Depois de muita luta e liderada por Adelaide Guedes Amorim, conseguiram uma doação da Alemanha, por interseção do antigo pároco de Palma, João Bueno.
Marcos Petrillo

Palmense, muito conhecido no meio do rock nacional. Nos anos 80 fundou e dirigiu a revista Bizzu, publicada em Juiz de Fora. De 1983 a 1993 organizou o “Festival de Rock de Juiz de Fora” com a participação de: Raul Seixas, Erasmo Carlos, Barão Vermelho, Lobão, Legião Urbana, Ultraje à Rigor, Leo Jaime, Cazuza, Camisa de Vênus, Inimigos do Rei, Ratos do Porão, entre outros.
Entre 1983 e 1984 trabalhou com Maria Jucá na produção Alkimia responsável pela produção do Circo Voador carioca. Realizou o “1ª Feira Pop de Aracruz do Coqueiral”, no interior do Espírito Santo e contou com nomes de: Herva Doce, Paralamas do Sucesso, A Cor do Som, Robertinho do Recife e Sangue da Cidade.
Em outubro de 1990 fundou o tablóide “Internacional Magazine” com notícias do mundo do rock.
Em 1997 a editora Gryphus publicou um livro com as melhores entrevistas realizadas por Marcelo Fróes e Marcos Petrillo, com grandes nomes da música nacional e também internacional e publicadas na “Internacional Magazine”. Organizou também o Green Rock, realizado em Palma, nos últimos dias de agosto de 2002.
A fazenda Boa Fortuna e os Vieira

Propriedade de Francisco de Paula Vieira e Silva, mais conhecido por Chico Vieira e casado com Emília. Seus filhos: Henriqueta (casada com Adelino Paula Carvalho), Emília (casada com Onofre Izalino Pereira de Mendonça), Mariana(casada com Joaquim Custódio Machado), Maria, Vigilato e João Vieira. Exerceu o cargo de juiz de paz em Cisneiros por muito tempo.
Onofre Izalino já era fazendeiro rico quando certa vez esteve em Palma resolvendo alguns negócios e ao concluí-los foi para a estação, pegar o trem para Cisneiros. Cansado de tanto trabalhar, sentou-se encostado na parede da estação. Embora tendo muitas fazendas e dinheiro, era uma pessoa que não se importava com a aparência, usando roupas velhas e rasgadas. E sentado, adormeceu. Acordou ouvindo o barulho de moedas caindo dentro de seu chapéu que estava do seu lado. Ergueu a cabeça e viu um viajante muito bem vestido e perguntou o que era aquilo. O viajante respondeu que as moedas eram uma esmola ao que Onofre riu e respondeu não precisar pois tinha muitas fazendas em Cisneiros. O viajante virou as costa e foi embora rindo.
Todas estas informações me foram contadas pela Vó Turca, bisneta de Chico Vieira e filha de Francisco de Paula Carvalho, muito conhecido por Chico Henriqueta, apelido do qual odiava. Lembro-me vagamente do Vovô Chico quando esteve visitando minha avó e meu pai poucos anos antes de falecer no Rio de Janeiro, para onde havia se mudado, após ter ficado viúvo. Embora tenha herdado muitas propriedades não deixou absolutamente nada aos descendentes, gastando tudo em vida. E nos últimos anos de vida, vivia de maneira simples, mas sempre elegante, vestido de paletó e gravata. E usava anéis nos dedos. Sempre vinha passar uns dias em Cisneiros e numa delas contou para seu genro Ricardo Augusto Machado estar namorando uma crente muito rica no Rio e que em breve se casaria. Faleceu meses depois, sem ter se casado novamente.
Rua Dona Cecília Renault

A Dona Cecília Magalhães Renault, casada com Pedro Renault, escrivão e dono do primeiro hotel. É nome de rua em Cisneiros. Tinha parentesco com Julieta Magalhães da Costa Reis, esposa do Dr. Bernardo Cysneiro da Costa Reis.
Dona Julieta indo à missa

A Dona Julieta Magalhães da Costa Reis, muito católica, ia à missa todos os domingos na igreja Imaculada Conceição de Cisneiros, acompanhada de suas filhas, todas elegantemente vestidas.
Segunda Dona Turca, segundo contavam seus antepassados, ela ia e voltava à pé, fazendo o trajeto da fazenda Aliança até a igreja que deve ter aproximadamente dois quilômetros.
A estrada naquela época, passava no meio do morro da fazenda, por onde eram transportado o café até a estação de trem. Até hoje é possível ainda ver as marcas desta antiga estrada. Atualmente, a estrada que vem da fazenda Aliança margeia o rio Pomba.
Dados sobre Dr. Bernardo Cysneiro e família

1847
O Dr. Bernardo Tolentino Cysneiro da Costa Reis nasce no dia 28 de janeiro no estado de Pernambuco, filho do Coronel Bernardo Tolentino Manso da Costa Reis e Maria Antonia Cysneiro da Costa Reis.

1866
Matricula-se na Faculdade de Medicina da Bahia, no 1º ano em 02/03/1866.

1871
Colou grau de médico em 16/12/1871, com a tese de doutoramento: “Câncro no estômago”. Teve como colega de sua família: Affonso Arthur Cysneiro de Albuquerque.

1876
Representado por seu gerente e sócio, o Major José da Costa Mattos compram de vários herdeiros partes da antiga sesmaria “Barra do Capivara” que mais tarde seria a fazenda Aliança e local onde surgiu o povoado de Cisneiros.

1886
Antonio Lyrio Vespucio, Presbítero Secular do Hábito de São Pedro e Vigário Encomendado na Freguesia São Francisco de Assis do Capivara certifica que aos 30/05/1886, batizou a inocente Julieta, nascida em 27/10/1885, filha do Dr. Bernardo Tolentino Cysneiro da Costa Reis e D. Julieta Magalhães da Costa Reis, foram padrinhos José Antonio Monteiro da Silva e sua mulher Ignez de Castro Monteiro da Silva.
O vigário José Francisco dos Santos aos 10/12/1886, batizou o inocente Raul, nascido 22/09/1886, filho do Dr. Antonio Pedro Cysneiro da Costa Reis e D. Antonia Monteiro de Rezende da Costa Reis, residentes em Leopoldina, foram padrinhos o Exmo. Sr. Dr. Manoel Ribeiro Lima representado por seu procurador o Sr. Luiz Lôbo Leite Pereira e D. Brazilia de Souza Vieira representada por D. America do Brazil Monteiro Rezende.

1890
Pelo decreto Nº 87 de 02 de junho de 1890 é criado o distrito da Aliança.

1891
Em 07/04/1891 toma posse como senador estadual, em Ouro Preto, capital do estado na época, tendo como colega o nobre Dr. Afonso Pena.
No 01/07/1891, o Dr. Bernardo Cysneiro compareceu no cartório e declarou que às cinco horas da manhã nasceu, Adelaide, filha legítima dele declarante e de Dona Julieta Magalhães da Costa Reis, tendo por avós paternos o Coronel Bernardo Tolentino Manso da Costa Reis e Maria Antonia Cysneiro da Costa Reis. Registro feito pelo escrivão Pedro Renault.

1892
Em sessão da Câmara Municipal de Palma do dia 11 de junho de 1892 é mudado o nome do distrito da Aliança para Cisneiros, em homenagem ao Dr. Bernardo Cysneiro da Costa Reis por seus relevantes trabalhos na criação daquele distrito, bem como do município de Palma.

1893
Em 02/02/1893 compareceram no cartório de Cisneiros, Dr. Bernardo Cysneiro da Costa Reis, Dona Francisca Theodora Cysneiro da Costa Reis e Dona Rita de Cassia Cysneiro da Costa Reis e nomearam procurador no estado de Pernambuco, o Dr. Affonso Arthur Cysneiro de Albuquerque, na qualidade de co-herdeiros do “Engenho Bomfim”, no município de Nossa Senhora do Ó, para sujeitar ao fornecimento de canas para a “Uzina Maria das Merces”, situadas no “Engenho de Utinga de Cima” do município de Calas, as partes de terras, que a eles pertencem para o tempo do contrato feito com as concessionárias da mesma usina e o governo do estado.

Em 13/04/1893 o Doutor Bernardo Cysneiros e sua esposa Julieta Magalhães da Costa Reis fizeram uma procuração, nomeando Ildefonso Moreira de Faria Alvim e Anthenor Augusto de Araujo para impetrar uma ação contra Firmino de Sá Rocha e quaisquer outros que pertubam a passagem na fazenda Aliança, outrora integrante da sesmaria “Barra do Capivara”.

Em 19/06/1893 o Dr. Benardo Cysneiro e sua esposa Julieta Magalhães da Costa Reis e Dona Francisca Theodora Cysneiro da Costa Reis nomeiam procurador o Barão de Caxangá para vender ao Tenente-Coronel Manoel Cysneiro da Costa Reis as partes que eles têm no Engenho “Bomfim”, em Ipojuca, Pernambuco que obtiveram por herança de seus falecidos pais, sogros, irmão e cunhada, Coronel Bernardo Tolentino Manso da Costa Reis e Dona Maria Antonia Cysneiro da Costa Reis, Clara Cecilia Cysneiro da Costa Reis e da parte que compraram do Capitão Vicente Cysneiro Carvalho Cavalcanti e sua mulher Ignez Leopoldina Cysneiro da Costa Reis pela quantia do formal de partilha.
Nesta mesma data, Dona Rita de Cassia Cysneiro da Costa Reis nomeia seu procurador o Tenente-Coronel Manoel Cysneiro da Costa Reis para depositar no Banco de Crédito Real do Pernambuco o valor que ela tem direito por herança de seus pais Coronel Bernardo Tolentino Manso da Costa Reis e Dona Maria Antonia Cysneiro da Costa Reis e da falecida irmã Clara Cecilia Cysneiro da Costa Reis.

1898
Em 06/07/1898 compareceu ao cartório de Cisneiros, João Baptista Lacerda de Athayde e constitui como advogado Manoel Alvaro de Pinho e Silva na cidade do Rio de Janeiro para reclamar ao Banco Hipotecário do Brasil a posse desembaraçada que lhe garantia ao celebrar a compra da fazenda “Barra” com os 113,5 alqueires citados na escritura, sendo 60 em matas virgens. A posse está sendo interrompida por embargo amigável e com ameça de ação judicial por parte do Dr. Bernardo Cysneiro da Costa Reis e assim, a fazenda reduzida a setenta alqueires, com as melhores matas embargadas. Em caso negativo, requer a rescisão da escritura de compra e venda com a restituição das quantias pagas e as despesas de escritura e registro.

No dia 22 de agosto deste ano, o Dr. Bernardo Cysneiro da Costa exerceu missão, junto ao governo do Rio de Janeiro para resolver questões referentes a divisa entre os estados de Minas Gerais e Rio de Janeiro e, apresentou relatório elaborado pelo advogado em Leopoldina, Dr. Nominato José de Souza Lima.

1902
Óbito de Antonio Pedro Cysneiro da Costa Reis

Aos dezoito dias do mês de março de mil novecentos e dois, neste districto de Cysneiro, Termo e Comarca de Palma, Minas Gerais, em meu Cartório, foi me apresentada e fica arquivada a guia do teor seguinte: “Delegacia de Polícia do Município de Palma(em Cysneiro), 18 de Março de 1902. Guia. Sepulte-se no cemitério público deste districto o cadáver do Doutor Antonio Pedro Cysneiro da Costa Reis, de cor branca, nascido em 15 de outubro de 1854, no Estado de Pernambuco, filho legítimo do Coronel Bernardo Tolentino Manso da Costa Reis e de Dona Antonia Cysneiro da Costa Reis, falecidos; lavrador residente na fazenda da Providencia, districto do mesmo nome, Município e Comarca de Leopoldina, casado com Dona Antonia Rezende da Costa Reis, filha dos Barões da Leopoldina, de cujo consórcio sobreviveu oito filhos de nomes seguintes: Judith, com 18 anos de idade; Carmen com 16 anos; Raul com 15 anos; Benjamin com 10 anos; Angelita com 8 anos; Laura com 4 anos; Antonio Pedro com 2 anos e Oscar com um mês, idades essas aproximadamente. O falecido deixa bens e inventário; e o óbito deu-se no dia 13 do corrente, às 7 horas da noite, em consequência de asphixia por submersão, conforme o respectivo auto hoje procedido. José Pedro Fernandes”.
Antonio Fontes Júnior

1905

Abaixo a transcrição do registro de casamento de uma das filhas do Coronel Bernardo Cysneiro:

Aos trinta e um de Dezembro de mil novecentos e cinco, n’este Districto de Cysneiros, Comarca da Palma, Minas Gerais, na fazenda “Alliança”, ás cinco horas da tarde receberam-se em casamento o Coronel Mario Cysneiro e Exma. Sra. Dona Elvira Cysneiro da Costa Reis, ambos solteiros e parentes em 6º grau civil, simples, co-lateral paterno. Elle de vinte e sete annos de edade, tabellião, natural de Pernambuco, residente na cidade do Pomba, d’este Estado, filho legitimo do Doutor Joaquim Theodoro Cysneiros de Albuquerque e Dona Maria Rosalina Cysneiros de Albuquerque, residentes em São Paulo do Muriahé. Ella de vinte e oito annos de edade, natural de Piedade da Leopoldina, d’este Estado, residente n’este Districto de Cysneiros, filha legitima do Doutor Bernardo Cysneiro da Costa Reis e de Dona Julieta de Magalhães da Costa Reis. Presidiu o acto o Coronel Nicolau da Costa Mattos, Juiz dos Casamentos, sendo testemunhas o Doutor Manoel Adriano de Araujo Jorge, magistrado, residente em Alem Parahyba, por parte do noivo, e o Doutor Victor Custodio Ferreira, medico, residente em Palma, acompanhado da Exma.Sra. Dona Emilia Côrte Real, por parte da noiva. Em firmeza do que e para constar lavrou-se este auto, que sendo lido e achado conforme, vai assignado pelo Juiz, pelos contrahentes, testemunhas e mais pessoas presentes, comigo Antonio Fontes Junior, Escrivão que o escrevi.
Nicolau da Costa Mattos
Mario Cysneiro
Elvira Cysneiro da Costa Reis
Manoel Adriano de Araujo Jorge
Dr. Victor Custodio Ferreira
Emilia Côrte Real da Silva
Jenny Leonidia Moreira da Costa
Julieta Reis da Gama Cerqueira
Cecilia Marcaux da Costa
Lydia Marcaux Costa
Maria Cysneiro
Brazilia Renault
Cel. Dr. Bernardo Cysneiro da Costa Reis
Joaquim(ilegível)
Eduardo (ilegível) da Gama Cerqueira
Dr. Cel. Raul Cysneiro Côrte Real
(ilegível) Joaquim Rodrigues Teixeira
Tem. José B. Cysneiro da Costa Reis
Bernardo Cysneiro da Costa Reis
Alvaro da Costa Mattos
Alvaro Cysneiro da Costa Reis
Jose Pacheco de Medeiros
Sadoc Ferreira de Souza
Horacio Barbosa de Castro e Silva
Fidelis Pilar Fontes Junior
Manoel M. de Mendonça Filho
Antonio Cysneiro da Costa Reis
Antonio Fontes Junior, Escrivão

1908
Em 24/08/1908 o Doutor Bernardo Cysneiro e sua esposa Dona Julieta Magalhães da Costa Reis nomeiam procurador o Major Manoel Bittencourt Corte Real para vender ao Coronel Manoel Cysneiro da Costa Reis ou outrem as benfeitorias que possuem no engenho “Bomfim” em Ipojuca, Pernambuco, que receberam por herança de seus pais e sogro e nora por compra a Vicente Cysneiro Cavalcanti e sua mulher e fica revogado o poder concedido ao Dr. Manoel Caetano de Albuquerque Mello para vender as terras e benfeitorias ao Tenente José Bernardo Cysneiro da Costa Reis.

Em 24/08/1908 na fazenda “Aliança” e presentes o Dr. Bernardo Cysneiro da Costa Reis e sua esposa Dona Julieta Magalhães da Costa Reis, Maria da Mercês Cysneiro Bezerra de Menezes, Francisca Theodora Cysneiro da Costa Reis e Ritta de Cassia Cysneiro da Costa Reis, todos moradores em Cisneiros, exceto a terceira moradora do estado de Pernambuco. Nomeiam procurador o Major Manoel Bittencourt Corte Real, do estado de Pernambuco, especialmente para os inventários dos falecidos José Maria Cysneiro da Costa Reis e José Lourenço da Costa Reis, irmãos e cunhados deles para assinar o termo de desistência em favor do herdeiro Coronel Mario Cysneiro da Costa Reis.

Óbito Dr. Bernardo Cysneiro

Aos onze dias do mez de setembro de mil novecentos e oito, neste districto de Cysneiro, Comarca de Palma, Estado de Minas Gerais em meu Cartório foi apresentado um atestado do Dr. Victor Custodio Ferreira, do qual consta que faleceu hontem as três horas da tarde de syncope cardiaca o Doutor Bernardo Cysneiro da Costa Reis de cor branca, de sessenta anos de idade, residente neste districto, casado com Dona Julieta Magalhães da Costa Reis, de cujo consórcio há nove filhos, o falecido era natural de Pernambuco.

Na placa existente no cemitério de Cisneiros consta a data de nascimento 28/01/1848 aos invés de 1847, como no registro da Faculdade de Medicina da Bahia e o de falecimento 10/09/1910, ao invés de 1908, conforme registro do cartório. É quase certo que a pessoa que mandou confeccionar a placa tenha mandado fazer com dados de memória e equivocou à respeito dos anos, pois os dias e meses estão corretos.

1909
Em 09/01/1909, Dona Julieta Magalhães, Maria Cysneiro da Costa Reis púbere e assistida por sua mãe, Anna Cysneiro da Costa Reis, Alvaro Cysneiro da Costa Reis e sua mulher Dona Judith Rezenda da Costa Reis e Antonio Cysneiro da Costa Reis e todos moradores em Cisneiros, nomeam procurador na Comarca de Ipojuca, Pernambuco o Major Manoel B. Corte Real para assinar a escritura da venda de uma parte de um imóvel denominado “Bomfim” nesta mesma comarca, ao seu cunhado e tio Coronel Manoel Cysneiro da Costa Reis pela quantia de 5 contos de réis, já recebido seu seu falecido marido Bernardo Cysneiro da Costa Reis.
E nesta mesma data nomeou Antonio Pinto de Magalhães para assinar a escritura de venda de uma casa em Barbacena(MG) ao Sr. Lauréo Belliçom pelo valor de 5 contos de réis, sendo que seu marido já havia recebido 3 contos de réis, restando ao procurador receber o valor restante de 2 contos de réis.

Casamento de Raul Rezende da Costa Reis e Julieta Cysneiros da Costa Reis:

Aos treze de Novembro de mil novecentos e nove, neste Districto de Cysneiros, Comarca da Palma, Estado de Minas Geraes, na fazenda “Alliança” as quatro horas da tarde receberam-se em casamento o Snr. Raul Rezende da Costa Reis e Exma. Sra. Da. Julieta Cysneiros da Costa Reis, ambos solteiros e parentes de 4º grau civil, simples, co-lateral paterno, naturais deste Estado de Minas Geraes. Elle de vinte e tres annos de edade, lavrador, residente no districto de Providencia, Comarca de Leopoldina, deste Estado, filho legitimo do Dr. Antonio Pedro Cysneiros da Costa Reis e D. Antonia Rezende da Costa Reis, ambos fallecidos. Ella de vinte e tres annos de edade, de serviços domesticos, residente neste districto de Cysneiros, filha legitima do Doutor Bernardo Cysneiros da Costa Reis e D. Julieta de Magalhães da Costa Reis, sendo aquelle fallecido. Presidio o acto o Cidadão Genuino Rodrigues de Novaes, Juiz de Paz em exercicio, na falta do Juiz de casamentos, sendo testemunhas o Snr. Cel.Raul Cysneiros Corte Real, de profissão lavrador com quarenta e um annos e edade, casado, residente no districto de Providencia, Comarca de Leopoldina deste mesmo Estado (por parte do noivo; entrelinha) e por parte da noiva o Sr. Bernardo Cysneiros da Costa Reis, residente na Capital Federal, de vinte e oito annos de idade, solteiro e pharmaceutico. Em firmeza do que e para constar lavrou-se este auto que sendo lido e achado exacto vai assignado pelo Juiz, pelos contrahentes, testemunhas e mais pêssoas presentes e por mim Octavio da Costa Mattos, Escrivão que o escrivi.
Genuino Rodrigues Novaes
Raul Resende da Costa Reis
Julieta Cysneiros da Costa Reis
Raul Cysneiro Corte Real
Bernardo Cysneiro da Costa Reis
Antonio Cysneiro da Costa Reis
Annita Cysneiro da C. Reis
Joaquim (ilegível)
Luiz Augusto da Fonseca
Albucassio Guedes Pinto
Abel Brazil de Siqueira
Alfredo Franco Pacheco
(ilegível)
Alvaro Coelho dos Santos Monteiro
Marocas Cysneiros
Esthér Côrte Real
Maria Côrte Real da Silva
Elisa de Magalhães
Cecilia Fagundes
Octavio da Costa Mattos, Escrivão.

1914
Aos 31/10/1914 na fazenda Aliança casaram-se Admár Guedes Pinto e Maria Cysneiro da Costa Reis, solteiros, naturais deste estado, parentes em grau não proibido por lei, colateral materno simples. Ele de 31 anos, escriturário da Estrada de Ferro Leopoldina, filho do Major João Guedes Pinto e Dona Dejanira Mattos Guedes Pinto. Ela de 25 anos, serviços domésticos, filha do Dr. Bernardo Cysneiro da Costa Reis e Dona Julieta Magalhães da Costa Reis. Foram padrinhos do noivo Capitão José Henrique Dias Junior, inspetor de tráfego e residente em Campos(RJ) e da noiva Alvaro Cysneiro da Costa Reis, lavrador e residente em Providência(MG). Assinaram a ata: Genuino Rodrigues de Novaes, Admár Guedes Pinto, Maria Cysneiro da Costa Reis, José Dias Júnior(funcionário da Leopoldina Raiwlay com 39 anos de idade, casado, residente em Campos, RJ), Alvaro Cysneiro da Costa Reis (30 anos e casado), Raul Cysneiro Corte Real, Judith Rezende da Costa Reis, Phcto. Anthonio Cysneiro da Costa Reis, Horacio Barbosa de Castro e Silva, Olyntho Guedes Pinto, Raul Rezende da Costa Reis, João Guedes Pinto, Abel Brazil de Siqueira, Chicralla Antonio , Oscár Guedes Pinto, Ildefonso Guedes Pinto, Guilherme Barbosa, Manoel Augusto Pinto, Daniel Fagundes, Maria José Abranches, Odette Guedes Pinto, Dejanira Guedes Pinto.

1917
Em 19/06/1917 compareceram no cartório de Cisneiros com arrendatários filhos e genros de Dona Julieta Magalhães da Costa Reis: Bernardo Cysneiro da Costa Reis, Henrique Cysneiro da Costa Reis, Annita Cysneiro da Costa Reis, Mario Cysneiro, Raul Rezende da Costa Reis, Adelaide Cysneiro da Costa Reis, Admár Guedes Pinto, Alvaro Cysneiro da Costa Reis, Antonio Cysneiro da Costa Reis e o arrendatário Glicerio Serra. Arrendavam a fazenda Aliança contendo 180 alqueires de 80 x 80 braças quadradas mais ou menos pelo prazo de quatro anos pelo preço de 1 conto e quinhentos mil réis anuais. A cláusula oitava prevê que o arrendatário poderia adquirir a fazenda durante o arrendamento pelo preço estipulado de trinta contos de réis, sendo metada à vista e o resto em parcelas a serem definidas.

1918
Em 24/04/1918 foi ratificada a escritura de arrendamento da fazenda Aliança. Desta data em diante o preço será de um conto de réis e não 1 conto e quinhentos como acordado anteriormente. Mas o arrendamento é somente de uma parte da fazenda com as seguintes divisas: “Partindo da Estação por uma cerca existente com Nazario Fernandes, pelo alto afora, aguas vertentes, mais adiante, sempre nessa linha, com a fazenda da Barra, ainda na ... linha mais adiante com os proprietários, sempre aguas vertentes para o rio Pomba, mais os terrenos na grota denominada “Manoel Germario” e outra grota que divide com João Rodrigues Ferreira, partindo dali em reta até a Braúna que está a margem do rio e pelo rio Pomba abaixo até a ponte da Estação de Ferro e dali até o ponto de partida”.

1918
Em 07/09/1918 Alvaro Cysneiro da Costa Reis e sua esposa Dona Judith Rezende da Costa Reis, moradores em Providência, Leopoldina, venderam a Francisco Antunes de Siqueira, lavrador em Laranjal, dez alqueires de terra mais ou menos, com as seguintes divisas: “partindo do açude denominado Açude do Ramos pelo espigão até o alto com o dito Ramos dali até digo pelo espigão dividindo sempre com terrenos de Amancio Gualberto da Costa e seus entiados, até mostrar terrenos do comprador, descendo em uma recta com este até encontrar a cerca que vai terminar onde foi o açude velho e Genuino Novaes, deste até digo em uma recta até o alto, onde vai encontrar o ponto de partida de terrenos de Antonio Moniz, que faz diviza os terrenos ora vendidos com o mesmo Moniz da forma seguinte: do alto denominado Bahiano por este abaixo por um espigão até a ponte da estrada que vem para Cysneiro e e ali em uma recta a encontrar o tôco de sapucaia que está no rangêdo e deste, na mesma recta a encontrar o morro do lado oposto, fraldeando este, direcção por abaixo a encontrar o ponto de partida”. Vendeu pelo preço de 1 conto de réis.

1924
Em 24/02/1924, Francisco Emilio de Lima e sua mulher Elmira Pereira Lima e Waldemar Campello Torres e sua mulher Maria Conceição Lima Torres compram de Antonio Cysneiro da Costa Reis e outros a fazenda Aliança, conforme registro no Livro de Notas Nº 17 às folhas 44, 45 e 46 do cartório de Cisneiros.

Quando ocorreu o arrendamento da fazenda Aliança a maioria dos membros da família Cysneiro não moravam mais em Cisneiros.

quinta-feira, julho 27, 2006

Os Finamores que conheciam o futuro

O Natal tem significados diferentes para cada um, e em cada época da vida. Para minha mãe, Natal era sinônimo de casa cheia – mais trabalho, mais camas para arrumar, mais crianças para sujar a casa, mais comida para fazer. Para nós, crianças, significava casa cheia – mais diversão, mais camas para desarrumar, mais crianças com quem brincar pela casa, mais comida para nos empanturrar.
Os melhores Natais são aqueles em que Papai Noel não é uma metáfora nem uma lenda, mas um ser vivo, palpável, ansiosamente esperado. Morávamos então, com Vô Tote e Vó Rosa, num imenso Hotel Rubim, na praça diante da estação onde ainda havia trens e caixeiros viajantes. Hóspedes iam e vinham todos os dias, e a isso se acostuma quando se vive num hotel. Mas o Natal trazia a categoria mais especial de hóspedes, que são as visitas – tios e primos que vinham Muriaé, Cisneiros, Belo Horizonte, Além Paraíba.
A cozinha se enchia de latas de banha com lombo de porco e lingüiça. Nos grandes refrigeradores, doces de figo, de cidra, potes de compotas e suas caldas. Rabanadas brotavam das frigideiras, bacalhaus saltavam de banho em banho, castanhas estalavam nos batentes das portas (quebra-nozes improvisados). Comia-se como nunca, como se para isso fossem feitos os Natais.
Mas o melhor de tudo, o mais esperado, não era a abundância da comida, a surpresa (nem sempre surpreendente) dos presentes, ou a presença ruidosa das primas. O grande momento para mim era a chegada dos Finamore. Eram tios que não eram tios (mas primos-segundos!), primos que não eram netos dos meus avós e, principalmente, eram pessoas que sabiam o que ainda estava por acontecer.
Primo do meu pai, tio Wanuzzi, médico, morava em Além Paraíba, uma cidade em que bastava atravessar uma ponte para estar em outro estado. Nesse lugar mágico, pegava-se televisão do Rio, não de Belo Horizonte e, naqueles longínquos anos 60, quando ainda não havia transmissão por satélite, as novelas passavam ali dias antes de serem transmitidas em Minas.
Tio Wanuzzi, tia Maria Odete, Luisinho, Wanuzzinho e Marimília chegavam trazendo risadas, presentes e o conhecimento do futuro: quem morreu, quem matou, por que matou, nas novelas que acompanhávamos sem muita distinção do que fosse realidade e ficção. Sabiam antes de todos nós quem era O Rato, sabiam que a megera apenas se fingia de paralítica, sabiam os segredos, as reviravoltas, os desfechos. Eram, ao vivo e a cores, as cenas dos próximos capítulos. Todas as nossas grandes incógnitas eram, para eles, teoremas demonstrados.
Num tempo em que sequer tínhamos televisão em casa (assistíamos, contritos, no grande sofá de Vovô Rubim, avô tão emprestado quando o aparelho de TV), os Finamore não só tinham um aparelho na própria sala para ver quando quisessem, como viam tudo antes de nós. Recebê-los em casa era acolher o oráculo. Minha mãe consultava tia Maria Odete, e eu, numa escala um pouco inferior, tentava arrancar do Luizinho os fatos que ainda estavam por vir – para depois, a meu modo, também levar o conhecimento do futuro aos vizinhos, aos colegas da escola. Eu me tornava Finamore de segunda mão, mas enfim...
Mesmo decorridos 40 anos, jamais consegui ver os Finamores, mesmo daqueles que nunca freqüentaram nossa casa e nossos Natais, como um simples parente. Eram, e continuarão sempre sendo, uma espécie de super-primos, super-tios. Não bastasse terem um sobrenome italiano, eram capazes de enxergar outro estado apenas olhando do quintal. E (ó inveja!) sabiam de antemão o que ainda estava por acontecer.

Escrito por Sidney Eduardo Affonso
Depoimento de Regina Damasceno

Sou filha de Otávio Matos de Oliveira,irmã de José de Oliveira (Zezinho Catreca), portanto pertencemos a uma família que fez também a história de Cisneiros. Meu pai trabalhava na estação como telegrafista, e eu nasci em Cisneiros. Vim para Além Paraíba, mas passar as férias era em Cisneiros. Como era gostoso!!! Comer os doces da vovó Memenda, a bala puxa-puxa da Lili, pular na máquina de arroz. Bailes na casa da vovó, como nós nos divertíamos!!!!
Meu avô, Zé Felix fazia jogo de bicho, lembro bem, e sempre dava aos netos 5 cruzeiros como presente. Quando me formei professora fui trabalhar em Cisneiros, meu primeiro emprego foi lá. Amava as crianças. Viajava de trem e a minha chegada era festejada de forma inusitada pela Lili que me recebia com tanta alegria. Anisio meu tio, marido da Lili era o passador de filmes, tinha cinema, lembram? Um caso interessante em relação a isso foi quando o Anisio começou a passar o filme da Vida de Cristo de trás para frente e foi muito divertido. Tenho muitas saudades, mas ao mesmo tempo muita tristeza, pois todos que eu amava já não estão mais aqui conosco e Cisneiros para nós, hoje representa só saudades.

Agradeço a Regina Damasceno pelo depoimento acima e faz parte de um tópico da comunidade "Eu amo Cisneiros".
O maior atleta do Rio Pomba

Beth Ragone relata que seu irmão, Ronaldo, nascido em Cisneiros, lembra que seu pai José Ayrthon Ragone era considerado a maior atração e o grande atleta do Rio Pomba, em sua juventude. Além de saltar de cima da ponte na época de grandes enchentes, pulava da janela de sua casa dentro do rio, desafiando as correntezas.
Lembra ainda Beth, que nas idas a Itapiruçú para visitar seu avô, passava em uma balsa, ainda não existia aquela ponte de concreto ligando Cisneiros-Itapiruçú.

Escrito conforme relato de Beth Ragone na comunidade "Eu amo Cisneiros" no orkut

quarta-feira, julho 26, 2006

Cisneiros Belém de Deus

Se posso falar, falarei de seus morros frequentados por siriemas açanhadas, extrovertidas e barulhentas.

Se posso falar, falarei de suas mangueiras cacheadas de flores amarelinhas, tocadas gentilmente por abelhas e aqui e ali beijadas por beija-flores contentes e ligeiros.

Se posso falar, falarei de suas jabuticabeiras carregadas de frutos frequentadas por maritacas intrometidas.

Se posso falar, falarei dos quintais povoados de canas de açucar e por galinhas e frangos descontraídos e felizes.

Falarei ainda do Rio que flue sorrateiro atrás do morro da igreja cujas águas qual Pomba elegante observa transeuntes solitários passeando na linha do trem abandonada faz tempo.

Falarei da Estação da Força e Luz - somente lembrança curta de uma memória insistente que vê além de uma casa plantada alí com um quintal repleto de fruteiras.

Falarei da Estação do Trem - sua base resiste firme e sua calçada de grandes pedras permanece sólida - de quem permanece e vaza os tempos e se mantém resistente enquanto os anos passam e leva vidas, memórias e história.

Falarei do Armazém de Café - CASEMG - qual fortes paredes cercam segredos e histórias não contadas.

Se não puder mais falar ainda assim falarei de sua gente amiga e simples que leva a vida com honra, alegria e festa.

Falarei da sabedoria de seus velhos, da paciência de suas mães, do sorriso das crianças e da força dos homens que ainda cultivam o solo e extraem o leite das vacas.

Falarei de ti, Cisneiros, minha Belém, singela cidade pequena: fostes criada por Deus e és amada por Ele e por todos quantos mesmo distantes jamais esquecem de ti.

Escrito por Josimar Salum

terça-feira, julho 25, 2006

Ponte Preta ou Ponte de Ferro?

A ponte em 1986


A Ana Clara Fagundes Finamore Frederic diz que não entende o por que de chamar a ponte de Cisneiros de Ponte Preta e não Ponte de Ferro.
Segundo ela, seu pai Walmy Finamore diz que o nome correto é Ponte de Ferro. Até que eles têm razão, afinal a ponte está perdendo sua cor.
Vou colocar este questionamento em um tópico do orkut e se a forma correta for esta, mudo meus posts.
www.palmamg.com

Gilmar Barbosa que mora em Miami, também adora Palma e já colaborou aqui no blog com uma história, agora nos surpreende com uma melhor ainda. Registrou o domínio www.palmamg.com e ao acessá-lo é direcionado para este blog.
Mais uma vez, muito obrigado Gilmar.
Contatos com a família Cysneiros

Da divulgação deste blog na comunidade da família "Cisneiros" tive o contato na semana passada de Amauri Cysneiros do Amaral e do qual fiz dois posts anteriores. E a partir daí, comecei a trocar mensagens também com Annamaria Cysneiros, sobrinha de Amauri, que estão fazendo também um trabalho de pesquisa sobre seus antepassados. Este contato está rendendo muitas informações para todos nós e, conseguindo esclarecer muitos pontos de interrogação que ficaram na época em que trabalhei na coleta de dados sobre Cisneiros.
O pai de Amauri, Amador Cysneiros, traduziu o livro República de Cícero que faz parte da coleção "Pensadores" da editora Abril de 1973. Conta Amauri que seu pai "era um intelectual, inteligente e com o dom da boa palavra, tanto escrita quanto falada. Advogado e Promotor da Justiça Militar no Rio de Janeiro, até sua aposentadoria, escreveu, quando retornou da campanha da FEB na Itália, um livro chamado Expedicionários na Itália, talvez o primeiro sobre esse tema. Outras publicações mais específicas como Inquérito Policial Militar, Direito Penal Soviético e um ou mais livros na área da Justiça Militar também são de sua autoria".
E Amauri em contato com sua prima Angela ficou sabendo que Mário Cysneiros e Elvira mudaram de Rio Pomba(MG) para Vassouras(RJ) à procura de um clima mais adequado para recuperação de suas filhas Maria Helena e Marina, ambas acometidas de tuberculose. Não se sabe a data em que isto ocorreu, mas em maio de 1940 estavam vivas e ainda residindo em Vassouras, porque os pais de Angela em lua de mel fizeram uma visita a eles. Após a morte das filhas, por volta de 1941 ou 1942, mudaram-se para Nova Iguaçú(RJ). Eram pessoas de posse, mas gastaram tudo na tentativa de salvar a vida das filhas. Mário Cysneiros faleceu subitamente na casa de sua irmã Emilia em uma visita familiar, na Tijuca, próximo a Praça Saens Peña, no Rio de Janeiro(RJ).

Escrito conforme e-mail de Amauri Cysneiros do Amaral

segunda-feira, julho 24, 2006

Cisneiros

fecho os olhos e me vem o cheiro de manga, a casa
da tia zezé, o quintal da tia agonia.
ainda agora o trem passou (ou foi só a estação
que tremeu de leve, com saudade?).
não salto do pontilhão, mas mergulho meus pés
no rio – e minhas pegadas molhadas ainda devem estar lá
nos dormentes suspensos no ar.
(de olhos ainda fechados: meu tio antônio finamore
velado na sala, a casa cheia e triste).
volto agora, olhos bem abertos, em busca do túmulo
do meu vô tote: placa nenhuma lembra seu nome
mas ali está ele, no seu terno branco, cabelos
engomados para trás, dicionário na mão, palavras
se cruzando, enigmas se desfazendo, o baralho
e a paciência. meu avô nasceu aqui, e é aqui que dorme agora
o sono que dormiremos todos, no silêncio descalço
e íngreme de cisneiros. a estação descansa,
invisível, junto aos trilhos mortos. o armazém
abriu-se ao tempo e logo irá também, calado,
juntar-se a tudo que se foi – altar, pomar, infância.
a cidade parou, e só o rio passa, célere
como o tempo: alheio a tudo.

A poesia acima escrita por Sidney Eduardo Affonso
A chegada de Bereco

Um dos irmãos de Dona Agonia Alves Finamore, Manoel Alves Affonso mais conhecido por Bereco, em época das festas, na entrada de Cisneiros soltava foguetes e todos sabiam que estava chegando. Sua filha Tânia Affonso escreve em uma mensagem do orkut:
Ah, que bom vc estar resgatando as velhas histórias de Cysneiros! Verdade mesmo, meu pai quando voltava a sua terra amada e pela qual sentia mais do que saudade, "banzo" mesmo, parava na última curva antes de chegar e soltava foguetes prá celebrar sua alegria de filho pródigo e avisar a todos os amigos que o Bereco tava tornando ao ninho ! Vou tentar me lembrar de mais histórias sobre ele e mandar prá vc!Parabéns por este lindo trabalho, que trará muita emoção a todos os que, como eu, tiveram em Cysneiros um refúgio de paz e alegria!
Apanhei de um menino

Naqueles anos 70, a maior parte da economia era baseado no arroz. E a colheita feita de maneira manual, a única fazenda onde tentaram mecanizar foi a Filinho Finamore. O arroz plantando na vargens utilizando mudas e normalmente, ocorria entre setembro e dezembro. A capina feita em duas vezes, normalmente, entre janeiro e fevereiro. A colheita de abril a junho.
Depois da colheita do arroz, fazia-se a secagem em terreiros e depois, ensacado e guardado em tulha. E vendido para as máquinas de beneficiamento da região, transportado em caminhões.
Geraldo Carro morou em diversas fazendas e numa delas de Filinho Finamore, sendo uma figura muito engraçada e também gago. E numa destas secagens, ao mexer nas pilhas de arroz começou a pular muitos ratos. E Geraldo tentava matá-los pisando com sua botina. Um garoto aproximou-se com um porrete e também passou a bater nos ratos e em dado momento, acertou a perna de Geraldo Carro. E este sempre comentava: "eeemm toooda miiiinha viiiida nuuuuca tiiiinha apaaaaanhado de uuuummm homemmmmmm e hoje apaaaaanhei de uuuummm meninooooo".

domingo, julho 23, 2006

Mais uma do Fidélis

Sem dúvida, o Fidélis é uma das grandes figuras de Palma, pessoa de bom coração e amigo de todos. E como Niécio Drumond diz, para contar todas as suas histórias é preciso vários dias. E aproveitando o Niécio contou esta:
O filho do Fidélis chegou em Palma com um carrão novo e resolveu dar uma volta com o pai. Estava fazendo muito calor e ligou o ar condicionado no máximo e saíram.Depois de dar uma volta completa na cidade, voltaram para casa. Quando o Fidélis desceu do carro, virou para o filho e soltou: "que diabo de carro fresco é esse?".

sábado, julho 22, 2006

Carro de boi

Em muitos sítios e fazendas do município de Palma é utilizado o carro de boi como meio de transporte de cargas, principalmente lenha e para levar os latões com leite até a estrada, onde o caminhão leva até a cooperativa.
Aos poucos está acabando já que a sua construção é dispendiosa em trabalho e material e hoje quase não existem profissionais. Para construir um carro de boi precisa-se de um bom carpinteiro e um bom ferreiro.
Em Itapiruçú existia uma ferraria bastante conhecida, do Zezinho Munega, onde faziam toda a ferragem usada em carros de boi. Além disso faziam e reformavam enxadas, foices, etc.

Escrito inspirado no tópico do orkut de Ana Clara Fagundes Finamore Frederic
Família Ragone

Além de Porcênia Ragone Leite, seus outros irmãos tocavam instrumentos musicais, é o que o conta Fio, hoje com 93 anos e foi casado com Diva.
Beth Ragone conta que anos atrás, em Itapiruçú, conheceu um senhor bastante idoso que frequentou as festas na casa de José Ragone e disse que todos os finais de semana eram alegres, os filhos tocavam e os moradores dançavam.

Escrito conforme informação de Beth Ragone
Maroun e Fidélis

Em Palma moram muitos descendentes de libaneses e participam da vida da cidade há quase um século. Maroun tinha um açougue no centro e seu irmão Fidélis era seu fiel escudeiro. O fato que vou contar é bastante conhecido na cidade. Certa vez, uma pessoa puxou conversa com Fidélis e contou que uma pessoa havia falecido e ele ficou dizendo "coitadinho, morreu tão novo, vai deixar a família desamparada". Então a pessoa comentou: "e ficou devendo dinheiro para o Maroun" e Fidélis mudou imediatamente o tom: "desgraçado, devia ter morrido mesmo uma praga desse tipo".

sexta-feira, julho 21, 2006

Zezinho Catreca

José de Oliveira, mais conhecido por Zezinho Catreca, nasceu e morou bastante tempo em Cisneiros naquela casa da estação, sendo funcionário da estrada de ferro e um torcedor fanático do Fluminense.
Uma pessoa muito comunicativa. Sócio de Filinho Finamore e Olinto Igreja no cinema, onde ajudava a operar o equipamento do cinema. E conta Walmy Finamore, que Zezinho ria muito da precariadade da exibição dos filmes.
Gostava muito de ler e escrever. Deixou um livro com alguns contos. E para surpresa de sua filha, Maria Celeste, ao ler os manuscritos, encontrou a sua autobiografia até a data de seu casamento.

Escrito conforme informações de Maria Celeste de Oliveira
Uma poesia sobre Palma

Vanessa Ziotto é do Rio de Janeiro(RJ) mas adora Palma e, passou a gostar a partir de uma férias. Esta poesia foi publicada em um tópico da comunidade do orkut "Palma". Entrei em contato e a Vanessa gentilmente, autorizou a sua publicação neste blog.
Obrigado Vanessa!

PALMA

Palma, grande cidade pequena
Estás em minhas lembranças infantis
Mas qual será a senha
Para encontrar seu matiz?

Sinto a cor da lenha
Que cortei para te iluminar
Com ela fiz uma fogueira
Para transformar-te no meu lar
E louvar-te nesse altar

O mundo utópico que almejei
És tu Palma
Lógico que te planejei
Cobri-te com o sopro das canções
E a calma dos peixes

Palma, como és doce!
Tem o cheiro do café da manhã que se prolonga indefinidamente
As férias intermináveis com as quais sonhei
O mundo que desejei

O som quente do café
E das xícaras assoviantes
Libertam-me da fria fé
Nos anéis de diamantes

Um mundo onde todos têm valores e são valorizados
Ninguém é desprezado
As diferenças são respeitadas
E o amor é priorizado

Terra dos pássaros canoros
Da natureza em plena forma
Com cores de todos os coros
De onde o sol se jorra

Aí não há poluição
Nem trânsito ou hora para chegar
Muito menos cotação do dólar
Ou contas para pagar

Palma, amada Palma
Seu nome vem das plantas que ornam suas colinas
Onde guardada está a alma da fauna
O coração de Minas

Sempre calma
Sempre Palma

Palma etérea
Alma de touro
Incenso fino
Dum branco puro

Cidade fantasma
Que nos preenche de nada
Tira-nos do mundo
Dá-nos seu corpo calada

Um belo lugar
Sem problemas de comunicação
Pois é uma canção
Toda palavra entregue pelo olhar

Tudo que posso dizer
Resume-se a isso
Pois o que descrevo
Basta-se num sorriso
A organização policial

O Código de Processo Penal de 1832, efetivado com a lei nº 261, de 3 de dezembro de 1841, organizou as polícias em todas as províncias do país. Nela estavam previstos os cargos de Chefe de Polícia, Delegado e Subdelegado e, pelo regulamento de 31 de janeiro de 1842, previsto o cargo de "Inspetor de Quarteirão." O inspetor de quarteirão tinha como objetivo, levar a polícia mais próxima do cidadão e exercido por pessoa bem situada e respeitada na região onde morava. Em Cisneiros, como em todas os lugares no Brasil, antes e depois da proclamação da república existiam muitos coronéis, tenentes, capitães, majores, etc. As pessoas que ostentavam este cargos, possuiam uma patente, vendida pelo Império com o objetivo de arrecadar mais dinheiro para o Tesouro. Estas pessoas não recebiam nenhuma remuneração e tinha também o poder de polícia. O que diferenciava um cargo do outro era o poder aquisitivo de cada cidadão e quem outorgava este títulos era a Guarda Nacional.
O Império do Brasil copiou esta idéia de vender estas patentes da Europa, onde os cargos de condes, viscondes entre outros, vendidos, principalmente na França e Itália.
Apesar da proclamação da república, os títulos foram mantidos, sendo extintos em 1922, embora muitos ostentassem o título até a morte.
Figuras que passaram por Cisneiros

Sebastião Matinada, cuja esposa parece que se chamava Olga e tinha uma filha chamada Picucha. Era açougueiro, assim como o Caboclo. Naquele barranco, onde existia a árvore de Natal, toda noite, uma pessoa se enrolava em um lençol branco e se passava por um fantasma, assustando as pessoas e dizendo um monte de besteiras. Até que um dia, Sebastião Matinada pegou um revólver e disse que ia atirar no fantasma e este, nunca mais apareceu.

Wilson da Sá Zica, homem muito alto e tinha um irmão chamado Lecildo que era microcéfalo.

Malaquias, consertador de guarda chuvas. Andava com vários guarda-chuvas pendurados pelo corpo nas ruas de Cisneiros.

O mendigo Domeciano não andava, se arrrastava pelo chão, era meio aleijado. Na época do frio ficava debaixo de uma mangueira em frente da casa da Dona Cecília Fialho, vizinho de João Batista. Pedia ao Wesley Fabiano ou outras crianças para fazer a fogueira, para se aquecer à noite. E a dona Cecília pagava ao Fabiano para que na hora de acender a fogueira pusesse uma bombinha e com estouro, voava cavaco de lenha para tudo quanto é lado. Domeciano ficava rouco de xingar, tudo quanto é palavrão. Xingava, mas não sabia quem tinha feito, até perder a voz. E a dona Cecília ficava atrás da porta entreaberta rindo. Vinha de trem para esmolar em Cisneiros.

Devanir Fontes, filho da Araci Fontes, batia o sino da igreja nos enterros. Quando o féretro subia o morro da igreja, batia tristemente e, badaladas pausadas. Certa vez, um dos parentes do defunto veio agradecer e o gratificou com dinheiro. Devanir agradeceu e disse que quando precisassem era só chamar.

Escrito conforme e-mail de Ana Clara Fagundes Finamore Frederic e contado por seu pai, Walmy Finamore

quinta-feira, julho 20, 2006

Bailes na roça

Quando a população da zona rural do município de Palma era grande, o maior divertimento: os bailes. E muitos sanfoneiros ficaram conhecidos, sendo bastante solicitados para tocar e um deles foi João Fortunato que morou muito tempo na fazenda de Jair Lima, em Cisneiros. Estes bailes sempre ocorriam no sábado e muitos viravam a noite.
E os "pés de valsa" faziam sucesso e namoravam as moças mais bonitas. Em muitos lugares existia muita rivalidade.
A maioria ia à pé e outros à cavalo. Durante o baile, certas pessoas que gostavam de aprontar, iam a estrebaria e afrouxavam a sela para o cavaleiro desatento, cair na estrada.
Além de em muitos acontecerem brigas.
As "praias" de Cisneiros

Em Cisneiros quase não faz frio e no verão o calor é muito forte e para refrescar tomava-se muita cerveja e banho no rio Pomba. Muitos anos atrás o ponto mais frequentado era próximo à chácara da família Vaz, onde as pessoas tomavam banho no rio e depois se bronzeavam deitadas nas pedras. Outro ponto era o da roda d’água.
Próximo a Ponte Preta as pessoas tomavam um banho rápido pois ali não existem pedras. E muitas vezes durante o jogo de futebol no campo ali próximo, quando alguém chutava muito forte, a bola caia dentro do rio e sempre um jogador tinha que pular na água e resgatá-la.
Outra aventura radical, tentada por poucos, é pular de cima da Ponte Preta.
A árvore de Natal

Existiu uma árvore de Natal, até o final dos anos 70 naquele terreno do lado do prédio atualmente pertencente a Waldir Lima. Esta árvore construída por diversos moradores de Cisneiros em um barranco em cima de uma pedra e, tinha lâmpadas coloridas .
À noite os cisneirenses se reuniam para apreciar. Pena que durou pouco.

quarta-feira, julho 19, 2006

João Justo e o espiritismo

Dona Turca contava que seu avô João Justo certa época se interessou pelo estudo do espiritismo. E certo dia, recebeu a visita de parentes e tinham várias moças. Um rapaz que lá estava ficou contando vantagens tentando impressionar, quando uma das moças perguntou sua idade e este respondeu que tinha 19 anos.
João Justo utilizando seus conhecimentos de magnetismo descobriu que o rapaz tinha na verdade 23 anos e ele confirmou que esta era sua verdadeira idade.

O homem que desaparecia

Lá pelos lados da Braúna, próximo a estrada que vai para Laranjal, num sítio morou uma pessoa que ficou conhecida por ter o dom de desaparecer. Esta pessoa sempre tinha problemas com a lei, sendo constantemente procurada pela polícia. Apesar de várias campanas, nunca havia sido preso.

E então, criou-se o mito de que tinha poderes de ficar invisível. A polícia cercava sua casa, arrombava as portas e ao vasculhar os cômodos este não era encontrado.

Certa vez este cidadão brigou com o vizinho por problemas de má conservação das cercas na divisa dos terrenos. O vizinho procurou a polícia e contou o segredo: o cidadão havia construído um túnel até uma mata próxima, onde tinha construído um barracão e mantinha selas e cavalos. Ao perceber a aproximação da polícia abria o fundo falso no assoalho, fechava e entrava no túnel, saindo tranquilamente dentro da mata.

Depois que o vizinho passou o segredo para a polícia foi recebido na saída do túnel dentro da mata e preso.

E o cidadão descobriu que tinha sido seu vizinho que o havia entregado para a polícia e prometeu vingança, ameaçando queimar sua casa. Este tendo uma enorme prole, cada dia um ficava de guarda e armado. Esta vigilância durou muito tempo, mas o cidadão não fez nenhuma tentativa de imitar Nero.

Isto aconteceu há mais de 80 anos.
Depoimento de Amauri Cysneiros do Amaral

Em post anterior comentei sobre o recebimento de um e-mail de Amauri Cysneiros do Amaral e em minha resposta, solicitei um depoimento sobre sua família e ontem mesmo ele enviou. Amauri mora em Salvador(BA). Abaixo é publicado na integra:

Estarei relatando a seguir o que conheço sobre minha família, antepassados mais próximos como pai, tios, avós, e bisavós, que de uma forma ou de outra passaram ou tiveram alguma ligação com Palma, Muriaé, Alvinópolis, enfim toda uma região de Minas, na Zona da Mata, práticamente invadida, no meu entendimento, por pernambucanos, Cysneiros e outros, em sua grande maioria, creio eu, bacharéis em Direito. Meu bisavô, Joaquim Theodoro Cysneiros de Albuquerque, pernambucano, teve 6 filhos, dentre êles minha avó paterna Emilia, Octavia, Mario (Coronel), Iaia e outros dois, cujos nomes permanecem desconhecidos. o Dr. Cysneiros como era conhecido, por algum motivo migrou para a Zona da Mata em MG e era Juiz na cidade de Muriaé já no ano de 1894. Sabemos disso porque um dos meus tios, Jaime, irmão de meu pai, nasceu em Muriaé em 1894. Minha avó Emília, uma das filhas do Dr. Cysneiros, além de Jaime, teve mais dois filhos de seu casamento com Luiz Francisco do Amaral, outro advogado pernambucano, Aloizio, o primogênito, natural do Recife e meu pai Amador, o caçula e já nascido em Palma, MG no ano de 1897. Deduzimos que em algum momento anterior a 1894 minha avó e meu avô mudaram-se do Recife para a Zona da Mata. Meu avô, Luiz Francisco do Amaral, provávelmente por influência do sogro, na época Juiz em Muriaé, obteve alguma posição ou cargo em Palma e por isso lá nasceu meu pai. Por ironia do destino Luiz Francisco faleceu poucos meses antes do nascimento de meu pai e acreditamos que minha avó, viúva e com 3 filhos tenha ido morar com seu pai em Muriaé, mudando-se depois de volta para Recife, onde contraiu novo matrimônio e novamente com outro advogado, João Nunes de Moura Soares. Esse Dr. João Nunes de Moura Soares, segundo marido de minha avó Emilia, em abril de 1896, estava, trabalhava ou residia em Alvinópolis, MG. Dr. Moura era natural do Rio Grande do Norte, formado em 1894 também no Recife, e teria ido para Minas por influência ou deferência do Dr. Francisco Sá, na época Secretário de Agricultura, Comércio e Obras Públicas, portanto membro do Governo de Minas Gerais. Tudo leva a crer que meu bisavô, Joaquim Theodoro foi quem se deslocou de Pernambuco para o sul em primeiro lugar e foi quem de certa forma provocou e estimulou até, a vinda de outros membros da família posteriormente. Nascido em Pernambuco em 1836, formou-se em Direito na famosa Escola de Direito do Recife em 1857, vindo a falecer, provavelmente no sul em 1914. Em 1896, como já disse, era Juiz no município ou comarca de Muriaé, MG, onde nasceu meu Tio Jaime. Além disso o velho Joaquim Theodoro Cysneiros de Albuquerque deve ter mexido os pausinhos para deslocar o genro, Luiz Francisco do Amaral, meu avô, para Minas, pois meu pai nasceu em Palma. Uma outra filha sua, Octavia, casou-se com outro advogado, João de Souza Vianna e radicou-se no Rio de Janeiro. Outro filho do Dr. Cysneiros, Mario era coronel e sabemos que residia em Pomba, MG, em 1907. Essa pessoa, o Coronel Mario Cysneiros, irmão de minha avó Emília, era casado com Elvira e pai de duas moças. As duas, Maria Helena e Marina, faleceram de tuberculose, provàvelmente na cidade de Vassouras, sem deixar descendência. Caro Joaquim, desculpe ter me prolongado tanto com informações que talvez não lhe interessem mas são as que possuo e com esses fragmentos estou tentanto recuperar a identidade dessas pessoas e correlacioná-las no contexto familiar. Tenho esperança de algum dia poder refazer a história desses antepassados de forma mais correta.

O depoimento acima trouxe muitas informações interessantes e é assim mesmo como o Amauri escreveu, para recontar esta história é preciso ir reunindo fragmentos. É que estamos fazendo com este blog, reunindo a cada dia, pedacinhos e aos poucos escrevendo a história de Cisneiros e de seu povo.
No final é citado o Coronel Mario Cysneiros, casado com Elvira, filha do Dr. Bernardo Cysneiro e o registro de seu casamento é publicado aqui no blog.
Obrigado Amauri pela sua valiosa colaboração.

terça-feira, julho 18, 2006

A viagem a Aparecida do Norte

O povo de Cisneiros, sempre no mês de julho, viajam em excursão para Aparecida do Norte para agradecer ou pagar alguma promessa. Isto já é tradição de muitos anos. E estas viagens sempre rendem boas histórias e fatos engraçados.
Certo cisneirense abusou da comida no hotel e como não estava muito acostumado com o tempero, no dia da volta teve um diarréia. O ônibus partiu de volta a Cisneiros. Depois de rodar alguns quilômetros este cidadão já estava do lado do motorista olhando um lugar para fazer as necessidades. O ônibus roda e só asfalto nenhum sinal de posto de gasolina e ele vira para o motorista e diz: "ô prefeito caprichoso, não deixa nem uma moitinha".
E sem contar aqueles que compram um monte de bugingangas e depois no meio do caminho descobrem que foram enganados.
A fuga da família de João Justo

Após o assassinato do coronel Firmo de Araújo houve perseguição a seus parentes e João Rodrigues Soares Justo já viúvo estava de casamento marcado com Amélia.
Diante do fato fugiram para Juiz de Fora e conta Dona Turca sua neta que na viagem a família parou em um restaurante para almoçar. Como não tinham este hábito, comeram pouco para a conta não ser alta.
O garçom percebendo que eles não estavam acostumados em viajar e deviam ainda estarem famintos, avisou: "se comerem ou não a conta vai ser a mesma". E não sobrou nada na mesa.
E-mail de Amauri Cysneiros do Amaral

Acabo de receber um e-mail de Amauri Cysneiros do Amaral, novo membro da comunidade "Eu amo Cisneiros" no orkut. Seu pai, Amador Cysneiros do Amaral nasceu em Palma em 1897.
Muito gratificante este contato, já que é membro da família que fundou Cisneiros.

segunda-feira, julho 17, 2006

Terreno da igreja de Cisneiros

Os terrenos onde foram construídas as casas em Itapiruçú pertenciam ao patrimônio, apesar de como citado no site de Nilza Cantoni, não ser localizada a documentação, ou seja o terreno em volta pertencia à igreja.
Já a igreja Imaculada Conceição de Cisneiros constou de uma doação do major Antonio Guedes Pinto, conforme ata publicada neste blog. Procurei no livro de Notas do cartório de Cisneiros um documento que oficializava esta doação, mas nada encontrado.
Igreja de Itapiruçú

A igreja de Itapiruçú. Foto de 2000.

Em minhas pesquisas não consegui informações sobre a doação do terreno para construção desta igreja e nem dados sobre sua construção. Leia mais no site de Nilza Cantoni(escolha a opção do menu Itapirussu).
Estação de Cisneiros

A estação de Cisneiros de frente

A foto acima de 1986 mostra a estação já em estado de deteriorização. A casa onde ficavam os funcionários da manutenção da ferrovia, as portas e janelas quebradas.
Até 1984, quando funcionou o trem de passageiros até Pádua, o trem vinha de Recreio parava nesta estação para os passageiros descerem ou embarcarem e depois o maquinista dava ré até do outro lado da Ponte Preta e seguia para Pádua.
Do lado direito da foto o prédio que se vê, pertence a família Salum, onde na parte de baixo funcionou o comércio de secos e molhados do Sr. Jamil Jorge Salum e, a parte de cima sempre como residência.

domingo, julho 16, 2006

A igreja de Cisneiros

Em Cisneiros sempre tiveram pessoas à frente do trabalho de cuidar da igreja, principalmente na parte que se refere ao lado espiritual. Por muitos anos o Zeca Lima e Joaquim Pereira foram ministros da eucaristia, ajudando o padre nas missas e na ausência dele, celebravam o culto.
A Dona Josélia Pires treinou e preparou muitas garotas para ensinarem o catecismo às crianças.
A Ione Lima na parte dos cânticos e José Onofre Pereira tocava o órgão ou o violão.
Hoje este trabalho continua ainda sendo feito e uma das pessoas de frente é Aparecida Neto.

A reforma

A igreja Imaculada Conceição passou por uma reforma recentemente e a inauguração aconteceu em 04 de junho com uma missa. Todo o piso, altar e pintura foram refeitos. O dinheiro angariado com cisneirenses presentes e ausentes, tendo destacado na comissão: Aparecida Neto, Ione Lima e Namir Gonçalves.
Esta reforma causou polêmica por alguns posts na comunidade "Eu amo Cisneiros", no orkut em que criticava-se a descaracterização da igreja, sem a preocupação em preservar sua construção original.
A igreja já passou por muitas reformas ao longo dos anos e uma das maiores aconteceu em 1951 onde todo o altar refeito, onde encontrou-se a pedra fundamental (em um post anterior mencionado isto e ainda transcrevo a ata).
A construção da igreja de Cisneiros apesar de bonita não tem nenhum detalhe original em sua arquitetura.
Por muitos anos somente a subida da igreja possuia calçamento de paralepípedos para facilitar o acesso nos dias de chuva e o local onde as pessoas ficavam nas festas de São Sebastião, onde acontecia concorrido leilão de cabeças de gado e prendas pequenas.
Congelação de Leite

Existiu por muitos anos e o prédio hoje está abandonado e fica próximo a casa do Lucinho, vizinho daquele córrego que vem da fazenda Floresta. Onde trabalhou por muitos anos Jaci Azevedo, marido da Ercília. Naquela época o sítio ou fazenda que não possuiam congelador levava o leite produzido à tarde. No dia seguinte o leite congelado era transportado para Palma ou Miracema em caminhão.
E naquele início de anos 80, onde o transporte coletivo era muito precário, muitas pessoas utilizam estes caminhões para fazerem sua viagem.
Atualmente existe um depósito que fica na rua Coronel Costa Mattos e o transporte agora é feito por meio de caminhão-tanque.
Máquina de beneficiar arroz

No post "Fotos de Cisneiros de 1986" têm a foto da máquina de arroz do Olinto Igreja. Tinha também a máquina do José Vitório e em Itapiruçú a de Geraldo Simões.
Na década de 70 e 80, no município de Palma existiam plantações de arroz e cultivado em várzeas necessitando de muita água e em alguns lugares, existia irrigação.
Os agricultores vendiam a maior parte da produção para Laranjal e também comerciantes de Cisneiros e Itapiruçú.
E para descascar o arroz, os agricultores utilizavam estas máquinas e o pagamento normalmente era feito com uma parte do produto.
Depoimentos

Para preservar a memória de Cisneiros, além deste blog a idéia é gravar em vídeo, depoimentos das pessoas mais velhas com suas lembranças e histórias. E também fazer entrevistas para continuar publicando o blog.
Na entrevista realizada por Ana Clara Fagundes Finamore Frederic com Samuel José Pires Finamore e Walmy Finamore, eles lamentaram o falecimentos de pessoas como: Renato Sião, Wilson Finamore, Wilder Finamore entre outros que tinham muita coisa para contar.
Joaquim Batista Ferreira

Da esquerda para direita: Joaquim Batista Ferreira, Maria Luzia de Souza Ferreira e Joaquim Ricardo Machado. Foto de 1981.

A casa fica do outro lado da Ponte Preta e geograficamente pertence a Itapiruçú, sendo mais próxima de Cisneiros.
Moram neste lugar desde que casaram por volta de 1950 e sempre trabalhando com pecuária leiteira e agricultura.
Joaquim Batista conta que conseguiu comprar vários alqueires das terras vendendo limão galego em Recreio, indo à tarde pelo expresso, da estrada de ferro Leopoldina. Inclusive os trilhos desta ferrovia passam na frente desta casa da foto.
Maria Luzia adora flores e como na foto pode-se ver o lindo jardim e além disso conhece bem como cultivá-las.
A roda d'água, um ponto turístico dos cisneirenses, mandada instalar por Joaquim Batista por volta de 1976 para fazer a irrigação das plantações de arroz. A roda d'água foi construída em uma metalúrgica em Aperibé e transportada até aquele local pelo trem. A metalúrgica mandou alguns funcionários para fazer a instalação e passados alguns dias, um deles de madrugada sem avisar foi embora. Quando apareceu, alegou que estava com saudade da família.
Fotos de Cisneiros de 1986

Casa do Zoca, na rua Niterói, conhecido por Chalé e construído por João Rodrigues Soares Justo em 1890. Zoca teve uma banca de jogo de bicho bastante conhecida, por muitos anos. E com bem lembrou Ana Clara Fagundes Finamore Frederic, na parte de baixo funcionou como sala de aula.


Estação de Cisneiros já demolida.

Casa dos Pires, nesta época a residência de Josélia Pires. Esta casa foi demolida. Nota-se do lado direito da foto, acima da porta escrito "Casa dos Pires", quase apagado por várias mãos de tinta.

Armazém da CASEMG. Na frente deste armazém ficava depositados materiais para manutenção da estrada de ferro tais como: trilhos, tubos, etc. Em 1979 as salas de aula da escola estadual "São José" funcionaram até que o novo prédio fosse construído. Anos depois, tinha uma quadra de vôlei.

Máquina de beneficiar arroz de Olinto Igreja.

As fotos acima foram tiradas numa velha máquina em preto e branco por Maurício Luiz Duarte com a idéia de um dia serem publicadas em um livro. Neste mesmo dia, foram tiradas fotos do alambique de Cid Procópio em Itapiruçú, mas estas se perderam.

Se os leitores deste blog tiveram fotos antigas de Cisneiros e quiseram compartilhar, me enviem por e-mail, que publico.

sábado, julho 15, 2006

Sobre dinheiro e tesouros

Em todo o mundo muitas pessoas alimentam o sonho de encontrar um tesouro e em Cisneiros aconteceu várias vezes e em diversas épocas. Pelos lados da Glória Mineira, anos atrás tentaram encontrar um panela cheio de ouro que havia sido enterrada por um fazendeiro muito rico. Muitas pessoas trabalharam meses e utilizaram até um curandeiro e mesmo assim nada encontraram. Próximo a Cisneiros, na estrada que vai para a fazenda Aliança, existe um túnel, onde tentaram achar pedras preciosas.

Em Cisneiros, anos atrás, um descendente de italianos foi pedir um empréstimo a um fazendeiro e este respondeu que sim e queria o número da sua conta no banco. O italiano respondeu: "graças a deus não devo nada para o banco".

Existia em Itapiruçú um pequeno sitiante bastante ávaro. Economizava de tudo e fazia conta até de centavos. E corria uma lenda de que este era muito rico e não confiava em bancos e sempre guardava seu dinheiro em casa. Quando ele emprestava dinheiro, o juro que cobrava era extorsivo. Depois que ficou viúvo, não deixava ninguém se aproximar de sua casa, em péssimo estado de convervação e isto aumentava a curiosidade das pessoas. Quando faleceu, seus parentes descobriram que não tinha nenhum dinheiro guardado no banco. Encontraram nos buracos, enrolados muitas notas e a maioria já tinha perdido o valor, devido a mudança de moedas.
Viagens de trem

Walmy Finamore conta que viajou muito nos trens da antiga Estrada de Ferro Leopoldina e que "as viagens eram barulhentas, tinha muita trepidação, poeira e nenhuma comida à bordo". Lembra da famosa penca de laranja Bahia que existia na estação de Angaturama.

Escrito conforme entrevista com Samuel José Pires Finamore e Walmy Finamore, realizada por Ana Clara Fagundes Finamore Frederic
Renato Sião e os feijões

Renato Sião frequentava muito a casa dos Finamore em Cisneiros, sendo muito amigo de Wilson e Weber. Gostavam de jogar baralho e para contar os pontos utilizavam feijões que tiravam de uma cumbuca. E sempre um engraçadinho colocava feijão cozido e quando iam pegar, sujavam as mãos e isto motivo de divertimento para as crianças.

Contado por Ana Clara Fagundes Finamore Frederic
Cinema de Cisneiros

Ari Mendonça(tio de Célia Mendonça, esposa de Filinho Finamore) abriu o cinema de Cisneiros em frente à máquina de arroz e como não apresentou lucro, queria fechar.
Então Filinho Finamore, Zezinho Catraca e Olinto Igreja compraram o maquinário e passaram a usar uma sala emprestada, na casa de Antônio Josino Finamore. Mesmo assim continuou apresentando prejuízos e continuaram para não acabar com um dos poucos divertimentos dos cisneirenses.
Rosalina Fagundes Finamore lembrou que tocava uma sirene, alertando a população que haveria exibição de filme.
Certa vez, Antônio Finamore perguntou para Agonia que filme seria exibido e ela respondeu: "Meia noite de amor" e este respondeu: "meia noite de amor é muito pouco, bom é a noite inteira".
A projeção bastante precária, visto que não existia piso inclinado e quando um espectador levantava, sua cabeça projetava na tela. Um cisneirense, assíduo frequentador, quando coçava a cabeça, seu cabelos eriçavam e causava murmúrios e reclamações dos outros espectadores.

Escrito conforme entrevista com Samuel José Pires Finamore e Walmy Finamore, realizada por Ana Clara Fagundes Finamore Frederic
Parecem patos

Certa vez, aconteceu um casamento às pressas, realizado por Antônio Josino Finamore, juiz de paz e Arthur Aarão, escrivão.
Arthur Aarão, muito irônico, perguntou ao noivo:
- Onde foi a primeira vez?
- Na mina d'água.
- E a segunda vez? - perguntou Aarão.
- Na beira do rio - respondeu o noivo.
- Parecem patos só procuram a beira d'água - conclui Arthur Aarão.

Escrito conforme entrevista com Samuel José Pires Finamore e Walmy Finamore, realizada por Ana Clara Fagundes Finamore Frederic
Dona Agonia Alves Finamore

Filha de José Affonso e Maria Izabel Alves Affonso, recebeu este nome por causa de uma santa portuguesa, Nossa Senhora da Agonia. A família possui uma imagem vinda de Portugal.
Exerceu o cargo de agente dos correios que funcionava em sua casa.
Grande leitora, incentivava muito a leitura, tanto que doava livros aos primeiros alunos de cada turma da escola de Cisneiros e Walmy Finamore foi um dos contemplados.
E nome de todos os seus filhos começavam com W: Wilson, Wilder, Walter, Wantuil, Wanilton, Wanuzzi, Weber, Walmy, Wesley, Wanylde e Weiler.

Escrito conforme entrevista com Samuel José Pires Finamore e Walmy Finamore, realizada por Ana Clara Fagundes Finamore Frederic
Antônio Josino Finamore

Nasceu e passou toda sua vida em Cisneiros, onde teve negociou com café e depois teve um comércio de secos e molhados. E com seu filho Walter teve uma máquina de beneficiar arroz, onde aposentou-se.
Em sociedade com Palidó Panza foi proprietário da fazenda Baraúna, mas que muitos conheciam por Braúna. Depois lidou com arroz, em associação com Weber e Wilder.
Exerceu o cargo de juiz de paz até completar 75 anos de idade, um cargo sem remuneração.

Escrito conforme entrevista com Samuel José Pires Finamore e Walmy Finamore, realizada por Ana Clara Fagundes Finamore Frederic
A campanha Filinho para prefeito

Filinho Finamore pela oposição, disputou a eleição para prefeito de Palma contra Zequinha Roldão. Zequinha tinha apoio de seu pai Roldão de Freitas, antigo chefe político e como maioria dos eleitores ficava em Palma e com o uso da máquina, venceu as eleições.
E dias antes do pleito, espalharam o boato de que Filinho Finamore sendo rico, não gostava de negros e depois de abraçá-los, usava perfume francês. E Filinho jamais foi racista, era o vale-tudo de campanha política.
O irmão de Filinho, Weber Finamore, exerceu o cargo de vereador e presidente da câmara em Palma e advogou para a prefeitura por muitos anos.
Anos depois, Vinicius Finamore elegeu-se prefeito, realizando o grande sonho de seu pai.

Escrito conforme entrevista com Samuel José Pires Finamore e Walmy Finamore, realizada por Ana Clara Fagundes Finamore Frederic

sexta-feira, julho 14, 2006

Bodas de prata de João Rodrigues e Maria José

De pé da esquerda para direita: Firmino, Jair, Ivair, Dora(nora), Henrique, Sebastião(genro), Maria Rita, Mariza, Lourdes e Nilza. Sentados: ao centro o casal ( João Rodrigues e Maria José ) com seus pais ao lado. Sentadas as crianças: João Luiz, Geni e Fátima.

A foto acima é das bodas de prata do João Rodrigues Ferreira e Maria José Novaes Ferreira em 19/07/1966.

Ivair Rodrigues Ferreira conhece muitas histórias engraçadas da família Batista Ferreira e quando as lembrar, vou escrever aqui no blog.

Henrique Ferreira, quando Tancredo Neves foi governador de Minas Gerais, chegou a diretor do BEMGE.

João Luiz, quando garoto e adolescente ajudava na venda da Dona Maria José em Cisneiros, que ficava próximo da hoje Praça Antonio Finamore.

Ivair Rodrigues Ferreira sempre trabalhou com caminhão e por muito tempo transportou leite de Cisneiros para Palma e, depois mudando para transporte de carga seca, principalmente de São Paulo para o Nordeste.

Na foto, segunda fila, da esquerda para a direita, a quinta pessoa, a inesquecível Dona Maria Freitas que exigia os netos a chamarem de madrinha-avó.

Agradeço a Jaques Titonelli e a Ivair Rodrigues Ferreira que mandaram a foto

A marcas de tabaco da Wilder Finamore

O tabaco para cachimbo Cisne Branco, elaborado por Filinho Finamore, existem versões para a escolha deste nome. Segundo Samuel José Pires Finamore,é uma homenagem a Cisneiros, mas sem vincular o produto a localidade por ser pouco conhecida no mercado nacional e por causa de existir um navio escola da marinha com o nome de Cisne Branco(em funcionamento até hoje).
Walmy Finamore afirma que isto é correto, mas também foi em homenagem a mães deles, Dona Agonia Alves Finamore, que gostava de cisnes e gansos.
As marcas Irlandez e Mistura Extra vieram de Astolfo Dutra, onde Filinho e Plínio Linhares tinham uma fábrica de cigarros e fumo para cachimbo. Na separação da sociedade, Filinho ficou com a parte de fumos para cachimbo.
Uma pequena parte do fumo utilizado na fábrica era produzido em sua fazenda e a maior parte, importada do sul do país e zona da mata mineira.

Escrito conforme entrevista com Samuel José Pires Finamore e Walmy Finamore, realizada por Ana Clara Fagundes Finamore Frederic
Cisneirenses na FEB

Dois cisneirenses lutaram na Itália fazendo parte da FEB: Henrique Barandier dos Santos e José Moreira. Dona Rosalina Maria Rola Fagundes Finamore lembra da partida dos dois no trem e na volta houve uma festa de recepção com bandeiras e os sinos da igreja e estação tocando, anunciando o fim da Segunda Guerra Mundial. E que para o povo cisneirenses, eles foram heróis.

Colaboração de Ana Clara Fagundes Finamore Frederic

quinta-feira, julho 13, 2006

Dona Porcênia Ragone Leite

Dona Porcênia é lembrada também, por ter sido exímia pianista e sempre tocava nos bailes. Muito católica. E considerada a moça mais bonita da região, naquela época. E adorava ter os netos e sobrinhos por perto. Obrigada a casar-se com o major Firmo Ferreira Leite e o fez por medo, mas que este foi um ótimo marido.

E mesmo tendo ficado viúva, com marido assassinado, filhos pequeno, grávida de três meses e ainda com a maioria de suas terras vendidas e ingênua nestes assuntos, deu a volta por cima, construindo uma linda família e um bela história de vida.

Escrito conforme informações de Érica Fagundes

Amar Cisneiros

O cisneirense depois de um tempo fora, ao voltar têm a impressão de que o lugar encolheu, as ruas curtas e as casas mais velhas e, acredito que isto ocorre com todos.
Mas o que faz com que muitos amem esta terra maravilhosa?
É o seu jeito bucólico, a tranquilidade, o ar puro. Em uma cidade grande a pessoa perde a identidade, quanto em Cisneiros, todos são conhecidos e sabe-se a sua origem, a família, o que faz, entre outras coisas.
A comunidade "Eu amo Cisneiros" conta atualmente com 120 membros e tendo em vista que a população é por volta de 800, chega-se a conclusão de muita gente ama e continua tendo um carinho muito grande por esta terra.
A leitura em Palma

Como em todo o país o hábito da leitura não muito cultivado. Em Palma as maiores bibliotecas são da prefeitura e a escola estudal Ártur Bernardes. E bibliotecas particulares quase não se tem notícia, um ou outro, a maioria professores possuem uma coleção de livros.
O jornal impresso que chega a Palma sempre foi "O Globo" do Rio de Janeiro e assim mesmo, vende-se poucos exemplares.
O mesmo ocorre em Cisneiros e Itapiruçú.