quinta-feira, janeiro 10, 2008

História oral e documental

Desde o início da publicação deste blog em maio de 2006, no sub-título coloquei “História oral e documental de Cisneiros, Palma e Itapiruçú(MG)”, embora não seja seja historiador capacitado, é uma maneira que achei mais adequada para não enganar quem está lendo.

A metodologia da história oral tem suas imperfeições, principalmente devido a credibilidade. Ao entrevistar uma pessoa que participou de um evento histórico ou dele adquiriu informações, com certeza haverá a falta de precisão. Cabe ao historiador, mesmo amador, colidir estas informações, compará-las com fontes documentais e outras pessoas. O importante é mostrar as contradições e assim através deste confronto chegar ao que realmente ocorreu.

Existem historiadores que não valorizam a parte oral, confiando somente em documentos, acontece que estes também são produzidos muitas vezes tendo como base a forma oral, sendo que muitos autores não informam isto. O historiador britânico, Edward Hallet Carr (28/06/1892– 03/11/1982) escreveu: "...nenhum documento pode nos dizer mais do que aquilo que o autor pensava – o que ele pensava que havia acontecido, queria que os outros pensassem que ele pensava, ou mesmo apenas o que ele próprio pensava pensar. Nada disso significa alguma coisa, até que o historiador trabalhe sobre esse material e decifre-o."

Por documentos, temos diversas fontes: livros, registros de cartório, jornais, revistas, panfletos, etc. E em muitos destas a enfase maior é a visão de quem está escrevendo. Nem mesmo os registros oficiais escapam da imprecisão, a transação de compra e venda, por exemplo, pode ter os dados financeiros manipulados para evitar um pagamento maior de impostos, entre outras situações.

A passagem mais interessante da Bíblia é aquela em que Cristo diz a Pilatos ser a verdade ao qual Pilatos retruca: "Qual verdade?" Os fatos podem ter milhões de versões e, pior, nenhuma delas reproduzir o que realmente aconteceu. Os acadêmicos tentam com suas teorias colocar um pouco de ordem nisso. Existe um dito de que a história que fica é dos vencedores. Acho que não e sim dos que deixam registrados os melhores argumentos.

Existiu uma época no Brasil em que tinha a separação entre a palavra “estória” e “história”. É preciso ler os livros de história sabendo que o escritor introduziu ali muitos elementos de ficção e quase sempre de mitologia, recurso muito utilizado em filmes históricos.

Ray Raphael em seu último livro “Mitos Sobre a Fundação dos Estados Unidos” discute este assunto e com ele mesmo diz os boatos, as fábulas são boas demais para não serem contadas.

Historiador não escreve para historiador e sim para todo tipo de público e se em seu trabalho não forem colocados elementos interessantes, o livro ficará empoeirando a espera de outro pesquisador.

Para confirmar isto, temos o nosso maior herói, o Tiradentes. Como na época não existia máquina fotográfica, manipularam sua imagem, colocando-o como se fosse Cristo. O próprio Cristo é uma ficção, normalmente a imagem dele é de cabelos loiros e azuis e isto, se ele realmente existiu, não diz a verdade.

A independência do Brasil com Dom Pedro I empunhando uma espada com roupa de gala e tudo mais. O ato heróico da Princesa Izabel ao assinar a Lei Áurea, Getúlio Vargas como pai dos pobres, etc. A história do Brasil então, tem muita coisa que não é séria. E a maioria de tudo isto foi escrita por acadêmicos.

Utilizo para escrever este blog os dois métodos: o oral e o documental. Existem poucos livros que citam a história de Palma e também muitos documentos desapareceram com o decorrer do tempo e faltando isto, o historiador precisa recorrer a entrevistas para preencher esta lacuna. E muitas vezes por meio de entrevistas descobre-se fatos e fica mais fácil encontrar os documentos.

O importante é deixar registrada a história de nosso povo e nossa terra para as gerações futuras e, como diz o ditado popular: “povo sem história é um povo sem futuro”.

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