segunda-feira, novembro 06, 2006

Firmo de Araújo: vítima de uma conspiração política?

Já faz 94 anos que Firmo de Araújo foi assassinado e neste período, surgiram muitas versões. A sua liderança em Palma e região era enorme e ele, pode ter sido vítima de uma conspiração.

Quando Wenceslau Braz sendo presidente do estado de Minas Gerais, queria que o Dr. Astolfo Dutra Nicacio o mais votado deputado federal do estado para continuar na presidência da Câmara. Encontrando resistência em Carangola, Firmo recebeu uma carta particular e confidencial, o encarregando da missão de se reunir com partidários daquela cidade e conseguir que o político cataguasense recebesse a votação.

Firmo dirigiu-se a Carangola e conseguiu um acordo com os coronéis Francisco Novais e Olimpio Machado e incluindo Olimpio Teixeira para deputado estadual. A missão foi bem sucedida e o prestígio político de Firmo de Araújo aumentou.

Nesta mesma época, surgiu uma dissidência entre o deputado federal Silveira Brum e o coronel Vermelho, em Muriaé. O jornalista João Martins, redator do jornal de oposição a Silveira Brum foi assassinado em uma emboscada. Firmo foi a Muriaé e reuniu: o coronel Izaltino, Vermelho, Antônio e Francisco Theodoro e Medeiros. A reunião durou três dias e conseguiu destes, um compromisso por escrito de que não se vingariam, caso Silveira Brum e Freitas Lima desisissem da perseguir e mandar matar seus companheiros.

De posse do documento, comunicou a Silveira Brum que este poderia voltar a Muriaé com toda segurança e que este se responsabilizaria por sua vida.

Silveira Brum chegou a revelar a um amigo:"Preciso de qualquer maneira quebrar o prestígio político de Firmo, no meu distrito porque se ele teve forças perante os meus adversários, para conseguir deles a desistência de vingança da morte de João Martins, se ele entender de intervir na política do distrito contra mim, desaparecerá o meu ideal e prestígio e nem deputado poderei ser".

Aliando-se aos adversários de Firmo de Araújo em Palma, principalmente José Barbosa de Castro Júnior, colocou em prática o seu plano, que culminou em assassinato em 07 de julho de 1912.

Após a morte de Firmo, José Barbosa de Castro Júnior assumiu o comando da política palmense, utilizando de métodos violentos. Assim, preparou uma emboscada onde assassinou seu tio e padrinho, o Coronel José Francisco da Silveira Carvalho, no local de nome "Pedra Branca", entre as estações de Palma e Banco Verde. Passou a perseguir adversários e correligionários. Na eleição para eleição da Câmara, seus adversários indicaram Antonino Barbosa. Como a lei previa que em caso de empate, o candidato mais velho seria preterido.

José Barbosa de Castro Júnior já neste tempo arruinado financeiramente e precisando dos recursos dos cofres do município, arquitetou o plano de eliminar um vereador. Assim, mandou assassinar o vereador por Cisneiros, Joaquim Fagundes da Costa.

Este assassinato culminou o fim na carreira de perseguições, devido o governo estadual ter pressionado para a descoberta dos assassinos. Foi provada a autoria de José Barbosa como mandante do assassinato de Joaquim Fagundes da Costa. Processado e preso, ali sofreu muitas humilhações. Acabou sendo absolvido por um voto. Perdeu todos os seus bens, doente foi morar com a filha e um genro, onde não era visitado nem pelos amigos. Ao falecer foi enterrado em Silvera Carvalho.

Escrito conforme depoimento de Horário de Araújo Freitas e Waldir Freitas, publicados no livro "Altivo Linhares – Memórias de um líder da velha província – Editora Damadá – 1986-Miracema-RJ.

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