quarta-feira, maio 02, 2007

Pedindo socorro para o Rio Pomba

Deivison Fonseca enviou uma carta a uma senadora que vai transcrita abaixo:

Senadora

Pesquisei até encontrar seu site, e finalmente, posso respirar melhor, pois agora sei que encontrei alguém que tem os mesmos objetivos e ideais comuns. Quem sabe assim algo vai mudar.

Deixe me, por favor, contar rapidamente minha história. Meu nome é Deivison Fonseca, nasci em Itapiruçú(município de Palma-MG). Meu pai era pescador no Rio Pomba, ganhava a vida arduamente com essa profissão, a qual nunca quis me ensinar, pois queria que eu estudasse. Sim, me formei para professor. Servi a Marinha em São Pedro da Aldeia(RJ).

Fiz alguns concursos para emprego e passei em todos, a esperança me impulsionou, mas nada adiantou, pois colocaram outros em meu lugar.

Aprendi a triste lição que a grande maioria de nossos jovens aprende cedo: "Brasil é assim mesmo" e acabei por herdar a profissão do meu pai: pescador.

Pesquei por alguns anos, na verdade nunca fui muito bem na pescaria, mas amava aquele Rio Pomba.

Eu conheci o rio desde pequeno, suas águas eram escuras e coberto de espuma, para mim aquilo era a coisa mais linda que tinha, eu bebia da água do rio, lógico eu fazia parte dele.

Quando ainda menino, um dia voltando da escola, vi que alguma coisa errado estava acontecendo com o rio, suas águas tinham se tornado verdes, como as margens das pastagens. Algum desastre tinha acontecido. Fiquei muito preocupado, mas confesso ate achei bonito a cor, me parecia tão natural...

Ao chegar na minha pequena cidade, alguém me explicou que tinham fechado a Matarazzo, (fábrica de papel), vários quilômetros rio acima, a causadora daquilo que eu conhecia no rio. Me alegrei muito, que esperança aquilo me deu, o rio estava tão lindo vestido de verde, ficava muito melhor do que de preto.

Em 1998 eu me mudei pra o EUA. Tenho uma pequena empresa de construção. Depois disso, várias vezes esse mesmo Rio Pomba tem sido massacrado por desastres causados pelo homem.

Até agora ele tem sido muito valente em sobreviver. Na verdade, não sei se ele sobrevive por si só ou pela população de pescadores que sobrevive dele.

Como todo o Brasil presenciou, um depósito de lixo químico foi lançado no rio, matando quase todos os peixes, principalmente o cascudo lage, o qual foi foi praticamente extinto. Ele era a principal fonte de renda dos pescadores.

Disseram em jornais, que as multas seriam para recuperar o Rio desde Cataguases, incluindo o rio Paraíba onde desagua e até Campos.

Até indenização para os pescadores, que ficaram sem sustento, não passou de um sonho. E a promessa de que contruiriam uma barragem hidroelétrica na área e indenizariam os pescadores. Depois de várias reuniões e ... nada.

Até hoje eles alimentam esse sonho de receber a indenização. Liguei para um deles na época o qual me disse entremeio um choro: "nois num tem nem um real".

O que acontece hoje neste momento , e que algumas companhias de mineração lavam bauxita na águas do rio.

Pouco tempo atrás, como todos sabem, um dos açudes de lavagem de bauxita, se rompeu, inundando o Rio Muriaé com toneladas de barro. Várias cidades ficaram soterradas e causou grande transtorno para muita gente.

Infelizmente, nós ainda não aprendemos a evitar problemas, somos muito passivos, o que nos causa muita dor para reparar os danos causados por ser tímidos e inativos, e às vezes o dano é tão grande que não conseguimos curativos, e só nos resta então, chorar o arrependimento, e continuar sem aprender com os erros.

Já se criou um ditado: “o Brasil e assim mesmo e nada vai mudar” e todos cruzam os braços. Se o ditado é verdadeiro, o Rio Pomba, que não mais simboliza pureza ou mansidão, vai mesmo se acabar, e quem sabe se por ironia, mudara o nome para rio do urubu.

Sem mensionar, que o esgoto de residencial e hospitalar de todas as cidades que por onde ele passa, e abertamente lançados nele, são milhares de toneladas por dia.

Agora hoje, conversando com um dos pescadores, ele me disse que nao tem como pescar, pois o rio esta sempre sujo, barrento, e não se vê peixe.

E o que se passa, e que a mesma companhia, que lavava minério no rio Muriaé, agora concentrou a sua lavagem no rio Pomba, e libera essa água barrenta, assim que o tempo muda para chuva, dando a impressão que é água da chuva.

Ultimamente o rio está constantemente sujo como barro. Já, aquele vestido preto que o rio usava, o qual foi trocado pelo verde, trazendo tanta formosura e beleza e nos fazendo sentir racionais, foi sujado por alguém. Alguém que não se importou pela sua beleza, e o sujou com barro vermelho. Vermelho como a vontade de ganhar o mundo todo para si, a qualquer custo. Enquanto outros porbres pescadores, querem apenas comer, e quem sabe estudar seus filhos, para um dia não serem pescadores.

Deivison_fonseca@msn.com
Deivison Fonseca
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